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BURRO VELHO

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05
Mar23

Dos meus livros - Elizabeth Finch

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Das coisas existentes, algumas são encargos nossos, outras não. As coisas que são encargos nossos por natureza são livres, desobstruídas, sem entraves, enquanto as que não são encargos nossos são débeis, escravas, obstruídas, de outrem. Só é possível ser livre e feliz reconhecendo esta diferença essencial entre aquilo que pode ser alterado e aquilo que não pode. Entre as coisas que não são encargos nossos estão os nossos corpos, as nossas posses, a nossa reputação”, e o amor, que é como quem diz – vive o melhor que possas a cada momento e não te angusties com aquilo que não controlas, que não depende de ti, nem mesmo quem tu amas ou quem te ama a ti.

Julian Barnes, britânico que andou por Oxford, não será o mais fácil dos escritores, nem o mais consensual, não será de todo um crowd pleaser, mas é sem dúvida um dos meus autores de eleição, não sejam dele dois dos meus livros preferidos, A única história e O sentido do fim.

Mas se nestes livros a leitura, para mim, foi escorreita, depurada, mas ao mesmo tempo torrencial, que nos convoca a sentir com aquelas personagens, que se amam, afastam, se gastam e desgastam, noutros livros Barnes gosta de nos dificultar a vida, não resiste a contar apenas uma história mas quer também contar a História, com H grande, pessoas e acontecimentos reais, não resiste a mostrar-nos que sabe brincar com as palavras em dimensões e planos muito diferentes (de tempo e de ficção), não resiste a entrecruzar a história que quer contar com a Filosofia e obriga-nos a pensar, e isso custa-nos, nem sempre estamos in the mood, mas quando estamos quase a patinar e a saltar uma página ou outra, logo a seguir somos agarrados e ficamos suspensos do que vem a seguir.

ELIZABETH FINCH não é um dos meus favoritos de Julian Barnes, mas quando chegamos ao fim sentimos que é sem dúvida um grande livro.

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