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BURRO VELHO

BURRO VELHO

30
Abr23

Dos espetáculos de que gosto - A peça para dois atores

BURRO VELHO

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Peça de Tennessee Williams encenada por Diogo Infante, com um teatro dentro de um teatro, amarrada na prisão da saúde mental e que nos deixa perdidos entre o real e o irreal.

O Miguel Guilherme é um excelente ator, mas os meus olhos não largaram a Luísa Cruz por um segundo, gigante, e as lágrimas que derramou na ovação final estarão certamente relacionadas com a densidade emocional que nos conseguiram passar, muito bom.

28
Abr23

Das coisas insólitas - pelé

BURRO VELHO

Pele

 

O dicionário de português Michaelis passou a ter uma palavra nova, 'pelé', assim com letra minúscula, um adjetivo que significa 'que ou aquele que é fora do cumum, que ou quem em virtude da sua qualidade, valor ou superioridade não pode ser igualado a nada ou a ninguém, assim como Pelé', este com letra maiúscula, 'considerado o maior atleta de todos os tempos; excepcional, incomparável, único'.

Confusos? O Michaelis dá exemplos para que não hajam dúvidas: o Michael Jordan é o pelé do basket ou o Pessoa é o pelé da poesia portuguesa, mais ou menos como quem diz o burro velho é o pelé dos blogs, salvo seja .

Deve ser por isto que se diz que a língua é viva, mas fico a pensar, será que os adjetivos maradona, messi ou ronaldo (com letra minúscula) vão ser sinónimos de pelé ou vão ter outro significado?

 

27
Abr23

Da vida privada dos nossos políticos – Mariana Mortágua

BURRO VELHO

Mortagua

 

Nos antípodas do moralismo anglo-saxónico, Portugal tem mantido uma tradição muito francesa de não querer saber o que os seus políticos fazem nas suas vidas privadas, sem nunca se dispensar ao escrutínio da coerência política e cumprimento normativo a imprensa sempre procurou evitar manchetes com os filhos bastardos de Mitterrand, as namoradas de Hollande ou as histórias de Soares, e quanto a mim muito bem.

Infelizmente parece que essa tradição já não é o que era, já tinha havido uns lampejos com Sócrates, mas este pequeno chantagear começa a querer fazer escola, e por algum motivo viu-se agora Mariana Mortágua forçada a vir dizer por voz própria aquilo que não quis que fosse dito por vozes alheias.

Nunca contes com o meu voto Mariana, mas espero que continues por muitos e bons anos a fazer oposição, o país agradece-te.

26
Abr23

Da atualidade internacional – Joe Biden

BURRO VELHO

Biden

 

O mundo ocidental treme aflito com medo do regresso de Trump, mas no melhor dos cenários apanhamos com o octogenário Joe Biden mais quatro anos, minha nossa senhora.

E se ganhar, haja algum conselheiro que lhe diga que ao contrário do que possa pensar, aquelas corridinhas em passo de periquito, que gosta de dar para dar um ar de pujança, não são boa ideia, não dão ar de pujança, só dão ar de octogenário sem noção.

Já agora, quem é mesmo Kamala Harris, aquela que se pensava que se fizesse uma boa vice-presidência podia substituir Biden no segundo mandato?

24
Abr23

Dos filmes que amamos – Close

BURRO VELHO

close

Toda a doçura do mundo, toda a dúvida e toda a dor estão contidas neste filme.

Dizem que alguns filmes têm de ser obrigatoriamente vistos em sala, eu diria que idealmente todos, mas há filmes que é uma sorte vê-los em sala pela comunhão da comoção com os estranhos que enchem o cinema, pela partilha da energia – sinto como um privilégio viver num sítio que me permite ver filmes como Close numa sala de cinema.

Filme belga do realizador Lukas Dhont, que há uns anos tinha já realizado o também extraordinário Girl – O Sonho de Lara, onde brilham as mães Émilie Dequenne e Léa Drucker (adoro esta última, ambas maravilhosas), e protagonizado por dois meninos (Eden Dambrine e Gustav de Waele) que são os jovens atores mais perfeitos que recordo alguma vez ter visto, um milagre vê-los a representar.

Provavelmente o meu filme favorito do ano.

23
Abr23

Das pessoas que respeitamos – Bárbara Guimarães

BURRO VELHO

 

 

Barbara

 

Nunca apreciei por aí além o trabalho de Bárbara Guimarães, sempre me pareceu ser colado a cuspo, uma alegria algo forjada e a querer dar uma de intelectual, ainda assim sempre senti simpatia pela pessoa, curioso.

É impossível não sentir solidariedade pelo que tem publicamente passado nos últimos anos, o asco que sentimos ao olhar para o inominável ex, a doença agreste, os processos judiciais (quase) intermináveis, as juízas desumanas e a exposição dos filhos, as capas de revista, os revezes da carreira e os alegados excessos do álcool, caramba, mas perante esta vida tramada e devassada pelos media vimos sempre uma Bárbara ponderada, elegante e reservada, alguma vez a vimos amarga, revoltada, queixosa ou vítima? Nunca.

Bárbara nestes anos foi estoica e inspiradora.

Bárbara acabou de fazer 50 anos (eia!!!) e deu uma longa entrevista à revista Sábado que gostei muito, madura, resolvida, positiva e cheia de esperança, que todos nós possamos ser assim, resolvidos, positivos e cheios de esperança.

Parabéns Bárbara, bem-hajas e estamos a torcer para que a vida não mais te deixe de sorrir.

22
Abr23

Das tontices presidenciais – o convite a Lula da Silva

BURRO VELHO

Lula

 

O 25 de Abril é uma data com um simbolismo maior que deve ser recordada e festejada como uma festa nacional, e como tal celebrada na casa de todos os portugueses, a Assembleia da República, não me parecendo adequado que essa comemoração dê palco a personalidades individuais, muito menos a personalidades estrangeiras, é uma festa de todos, não o palco de alguns.

Obviamente que Marcelo errou ao convidar Lula, mas Marcelo é um incontinente e com o entusiasmo da derrota de Bolsonaro, sim, mais derrota de Bolsonaro do que a vitória de Lula, achou que estava a ter uma ideia brilhante e não foi de modas e quando se apercebeu era tarde demais, o convite já estava feito.

Ninguém acredita que o convite peregrino pudesse ser feito a Bolsonaro se continuasse na presidência, foi claramente um convite ad hominem na pessoa de Lula, personagem que resgatou a democracia no país irmão, verdade, mas que está longe de ter um passado impoluto, convenhamos.

Para agravar ainda mais o cenário, Lula acabou de mandar a Ucrânia às malvas porque é preciso fortalecer os negócios com os BRICs e ser tu cá tu lá com Putin e Xi Jinping, criando um inesperado e tremendo embaraço político a Portugal e acicatando ainda mais a vontade do André Ventura arregimentar mais uns quantos megafones e abardinar isto tudo.

A bem da festa e da diplomacia, e se o Chega assim o permitir, engulam-se uns quantos sapos e consiga-se elegantemente dizer a Lula que o pensamento de Portugal, e da Europa que parece desprezar, é muito diferente, e pode ser que para próxima Marcelo morda a língua antes de se esbardalhar.

21
Abr23

Dos filmes de que gosto - As oito montanhas

BURRO VELHO

asoitomontanhas

O quase desconhecido belga, Felix Van Groeningen, já tinha realizado dois filmes que gosto imenso (Ciclo Interrompido e Beautiful Boy), e agora, em parceria com a esposa e argumentista Charlotte Vandermeersch, realizou este ‘As oito montanhas’, vencedor do prémio do júri do festival de Cannes do ano passado.

Épico intimista duma amizade improvável e genuína entre um rapaz da cidade e um puro montanheiro, com interrupções e reencontros, em que a própria montanha é em si mesmo uma personagem nuclear, a montanha que tudo dá e tudo tira e que nos oferece uma fotografia granítica e sideral, de cortar a respiração.

O filme ganharia se fosse ligeiramente encurtado, 2h30 de duração (se estiver com sono ou lhe apetecer mais agitado passe à frente), mas é um belíssimo filme.

 

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