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BURRO VELHO

BURRO VELHO

30
Ago23

Da atualidade internacional - A proibição do uso da Abaya nas escolas francesas

BURRO VELHO

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O ministério da educação francês acabou de anunciar a proibição nas escolas públicas do uso da Abaya e dos qamis, vestes muçulmanas utilizadas pelas raparigas e rapazes magrebinos, respetivamente.

É um tema difícil e muito sensível que exige muita ponderação, mas tendo a concordar com a decisão tomada pelo jovem ministro francês Gabriel Attal, o qual demonstra coragem política que é algo que muito aprecio e costuma escassear, a coragem política.

Nós, estrangeiros, não saberemos avaliar algumas nuances desta discussão pois os franceses há muito têm uma cultura de laicidade muito enraizada, e, por outro lado, têm sido vítimas de radicalismos religiosos muito agressivos, mas há aspetos de discussão universal.

Está ou não o governo francês a limitar a liberdade de expressão individual? Está ou não o governo francês a limitar a liberdade religiosa? Pode ou não um país soberano preservar a sua cultura e os seus valores à custa de quem vem de fora?

Sim, não e sim, as minhas respostas às questões acima.

Está inegavelmente a restringir as liberdades individuais dos alunos, mas a liberdade de expressão nunca foi, nem pode ser, um valor absoluto, há que equilibrar vários direitos, é mais ou menos consensual que os alunos não podem ir despidos para a escola, e isso também é uma restrição à liberdade individual.

Desde 2004 que em França é proibido o uso ostensivo de símbolos e vestes que manifestem a pertença a uma religião, só que as abayas e os qamis têm sobrevivido em terra de ninguém, até porque o Conselho Francês para o Culto Muçulmano entende que não se tratam de símbolos religiosos muçulmanos, cabendo até aqui às direções escolares o critério de autorização.

Os ataques à laicidade estarão a aumentar exponencialmente nos últimos meses e há uma perceção que estas comunidades estrangeiras, algumas já de segunda e terceira geração, se recusam a integrar na cultura francesa e teimam em impor a sua própria cultura, e aqui já entramos em terreno mais escorregadio, pode um país impor a sua cultura àqueles que acolhe? Eu diria que sim, tão pouco me choca medidas mais extremas como aquelas que na Alemanha e Dinamarca condicionam o acesso ao mercado de trabalho ao domínio da língua.

São os países soberanos ou não para defender os costumes e valores da sua cultura? Não se põe em causa uma política de acolhimento e integração a quem vai de fora, todos ganhamos com isso, mas quem não se revê nos nossos princípios basilares então que se abstenha de vir.

A liberdade religiosa não está em causa, as pessoas são livres de professarem o seu culto, mas esta é claramente uma discussão religiosa, e nisso estou ao lado do ministro, a escola deve ser um santuário secular, ou seja, o professor não deve poder olhar para o aluno e conseguir identificar desde logo qual a sua confissão religiosa, a escola tem de ser um espaço livre de preconceitos para os estudantes, a religião professada em casa tem de ser deixada de fora.

 

29
Ago23

Das séries que eu vejo - And Just Like That

BURRO VELHO

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A continuação de Sexo e a Cidade não é grande espingarda e está a anos luz da piada que as meninas dos anos 90 tinham, em parte porque para os produtores conseguirem a participação de Cynthia Nixon (depois da recusa inegociável da fabulosa Kim Katrall), tiveram de dizer sim a todo o caderno de encargos que esta impôs, ou seja, a série tinha de ter uma forte consciência social e falar dos temas que para si são importantes (eu diria que devem ser para todos), a saber, o empoderamento das mulheres de 50, a ecologia, as políticas identitárias, a justiça social, os temas LGTB, a não violência, toda a agenda woke, tornando a série tão ativista que muitas vezes parece que estamos numa aula de formação cívica do ensino preparatório, o que em abono de verdade eu dispenso.

E como a vida é feita de paradoxos, esta fortíssima procura de uma sociedade muito evoluída joga a par com o facto de todas as personagens estarem apostadas em nos mostrar as sua mega fantasias sexuais (o que é demais cansa) e com o mega luxo das roupas, das casas, dos restaurantes, das festas, das decorações, tudo muito inverosímil.

And Just Like That (temporadas 1 e 2) tem tudo para ser um fiasco, ainda assim, ver a Carrie Bradshaw andar pelas ruas da Village em Nova Iorque é uma excelente distração, bom entretenimento.

 

28
Ago23

Dos filmes de que gostamos - Os jovens amantes, de Carine Tardieu

BURRO VELHO

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Filme francês em que os brilhantes Fanny Ardant e Melvil Poupaud, invertem o cliché do homem mais velho que se apaixona pela mulher muito mais nova e questiona-nos se faz sentido um homem de 45 anos, bem-sucedido e pai de uma família tranquila, mulher e filhos, apaixonar-se por uma mulher de 71, doente, e largar tudo por esse amor?

Muito bom filme, nos canais TV Cine.

 

27
Ago23

Dos filmes que vemos - Oppenheimer, de Christopher Nolan

BURRO VELHO

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Pensei não ver este filme porque não costumo gostar mesmo nada dos filmes do Christopher Nolan, mas não podendo dizer que para mim é um grande filme porque me faltou emoção, é sem dúvida um filme muito bem feito e as 3 horas de duração passam sem nos darmos conta, o que é um bom elogio. O leque de atores famosos é grande mas gostei especialmente do Robert Downey Jr e numa única cena a Emily Blunt safou-se.

 

24
Ago23

Dos filmes que vejo - Barbie, de Greta Gerwig

BURRO VELHO

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Encontro vários méritos no filme, desde logo a criatividade do argumento, o abordar o lado do bem (entenda-se combater o machismo) e ter uma direção artística absolutamente notável, não falha um detalhe por mais ínfimo que seja naqueles cenários do mundo Barbie.

É de elogiar também algumas piadas carregadinhas de sátira e os momentos musicais muito bem conseguidos (sobretudo aquele encabeçado por Ryan Gosling). Por fim, temos Margot Robbie que sozinha vale mais de metade do filme – ainda não está no meu clube das favoritas mas é sem dúvida uma das estrelas mais cintilantes de Hollywood.

Todavia, aos meus olhos o filme torna-se aborrecido, aquela energia eletrizante e frenética do início tornou tudo muito maçador e repetitivo, uma grande seca mesmo.

Além disso, pessoalmente não aprecio filmes ou peças de teatro descaradamente ativistas, que é como quem diz, quando espetam no texto todas as mensagens que nos querem enfiar na cabeça, explicando-nos tudo muito bem tim por tim como se fossemos assim a puxar ao burrinho, e o filme usa e abusa deste discurso militante, sendo que durante quase todo o tempo nos transmitem a mensagem que o machismo tóxico deve ser substituído por um feminismo na mesma medida, ou seja, igualmente tóxico.

Ironia final, querendo o filme combater dois pilares da nossa sociedade, o consumo desenfreado e a sociedade patriarcal, sem qualquer pudor num dos muitos outfits a Barbie exibe uma mala da Chanel, marca que há muitos anos veste a Margot Robbie, mais um dos muitos paradoxos do filme.

Tudo somado, os méritos não compensam as fragilidades, algumas coisas interessantes mas no global fraquinho.

23
Ago23

Dos lugares a visitar - Museo Vostell, Malpartida de Cáceres

BURRO VELHO

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O Museo Vostell Malpartida não justifica uma ida de propósito, mas quem estiver na região de Cáceres faça o desvio que não se arrepende.

No meio de um parque natural perto de Malpartida de Cáceres, o artista plástico Vostell instalou numa antiga quinta de produção de lã – só por si a envolvência do parque natural e da quinta já é muito bonita -, este museu que à partida pode parecer bizarro mas que é muito interessante, por um lado uma boa exposição de arte contemporânea com ares de Bordalo II, Ai Wei Wei ou Joana Vasconcelos, e por outro um centro de interpretação do pastoreio e transumância no início do século XX.

 

21
Ago23

Está mal – Senhor presidente da federação espanhola de futebol

BURRO VELHO

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No rescaldo da vitória de Espanha no campeonato do mundo de futebol feminino, o presidente da Federação Espanhola, Luís Rubiales, espetou um beijo na boca de uma jovem futebolista, Jenni Hermoso.

Apesar da própria futebolista ter desvalorizado o sucedido, em qualquer circunstância parece-me uma atitude incorreta, contudo, no pressuposto que possa haver uma relação íntima entre presidente e futebolista e mediante as devidas explicações e pedido de desculpas, dada a euforia do momento podemos convir que não foi um crime de lesa-majestade e aceitar tranquilamente a situação.

Mas face às críticas que se fizeram ouvir lá por Espanha, qual foi a reação do senhor respeitável presidente? Chamou de idiotas toda a gente que o criticou – falou grosso e falou muito bem porque parece que em Espanha (e não só) os senhores presidentes e o futebol ainda gozam duma moral absolutamente intocável.

 

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