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BURRO VELHO

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18
Ago23

Dos meus livros - Dinheiro, de Martim Amis

BURRO VELHO

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Só agora com a sua morte recente é que cheguei a Martin Amis e a um dos famosos livros da sua trilogia, Dinheiro (Money).

Considerado por muitos o melhor escritor inglês do século XX, admito que me rendi incondicionalmente e quero regressar rapidamente à sua escrita, uma escrita elegante das elites de Oxford que escreve tão bem e tão mal ao mesmo tempo, bem pela graça, ritmo e contundência, mal porque aquelas linhas escritas estão carregadinhas dos vícios do auge capitalista dos anos 80 do século passado, dinheiro, álcool, pornografia, fast food, drogas e lascívia, vícios esses que a cultura woke dos nossos dias não afasta. Brilhante.

Curiosamente, no dia da sua morte (19 de maio) estreou em Cannes um filme escrito por si - The zone of interest -, sobre a bucólica vida da família de um comandante nazi de Auschwitz, cujo jardim confina com o fatídico campo, a inocência lado a lado com o horror. Em pulgas para ver, até porque estes temas do nazimo e da banalidade do mal interessam-me sempre muito.

 

15
Ago23

Dos filmes que amamos - Debaixo das Figueiras

BURRO VELHO

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A principal razão de ser do cinema é criar-nos emoções, seja com blockbusters ou filmes menos comerciais, seja em policiais, documentários, comédias ou drama, se nos emociona está bom.

Uma dessas razões é também abrir-nos o mundo, dar-nos a conhecer olhares e tradições que dificilmente conheceríamos se não fosse através do grande écran.

Debaixo das Figueiras é um desses enormes filmes que nos oferece o mundo.

O realizador Erige Sehiri estreia-se com esta história de um grupo de jovens que vai apanhar figos no noroeste da Tunísia, jovens que sonham, namoriscam, se conhecem melhor, que se provocam e observam os mais velhos, jovens a quem a esperança é roubada pelo patrão explorador e pela tradição muçulmana de coartar a liberdade das mulheres, que não sabem o que é casar por amor, e que ao fazê-lo assim coarta também os rapazes.

É um filme tão delicado como o ato de apanhar figos que à menor brusquidão quebra um galho e o sustento, e ao mesmo tempo tão inclemente como o sol impiedoso que provoca desmaios em quem não tem pão ao pequeno-almoço.

Pessoalmente já visitei a Tunísia, a sua capital e as suas praias, mas Debaixo das Figueiras deu-me a conhecer um país ao qual dificilmente conseguirei ir, deu-me a conhecer as suas gentes, os seus hábitos, as suas comidas e os seus chás carregadinhos de açúcar que me arrepiava só de ver, deu-me a conhecer músicas que fiquei a ouvir até muito depois do filme ter acabado, e sobretudo fez-me emocionar lá nas alturas, com o canto sofrido duma mulher madura que não casou com o seu homem mas há de ser enterrada por cima dele, e com a alegria de ver aqueles lábios das jovens pintarem-se e os sorrisos rasgarem-se enquanto cantavam, cantavam, cantavam com a alegria da jornada terminada e a dignidade do trabalho bem feito.

Os atores, amadores, são tão bons que não parecem estar a representar, espantosos.

Vi no âmbito do festival Periferias, em Marvão, mas graças à distribuidora Nitrato Filmes vai estrear no dia 14 de setembro em várias salas do país.

Eu, que adoro figos e as minhas figueiras, adorei este ‘Sous les figues’, que maravilha.

 

14
Ago23

Das coisas bonitas - Periferias

BURRO VELHO

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Bravas são as gentes e associações que pelo nosso país fora promovem a descentralização, e muito interessante a forma como as raias dialogam, o Periferias é um excelente exemplo disso, o festival de cinema de Marvão, integrando agora também Valência de Alcântara, município pertencente à vizinha Cáceres.

Procura implantar uma cultura de cinema criando um público mais consciente, em contacto com a arte, a diversão e o pensamento crítico, e assim se juntaram as vertentes de ambiente e direitos humanos.

Citando o Rui Pedro Tendinha, é um festival de pessoas e de afetos cinéfilos, onde em espaços ao ar-livre como castelos, ruínas da cidadã romana, estações de comboios, lagares, museus, praças, piscinas, centros culturais, tudo sítios muito bonitos, podemos conviver com gente giríssima e assistir a concertos, exposições, discussões, fazer percursos, e claro, cinema de autor de primeiríssima qualidade. Viva o interior, viva a raia alentejana, viva o cinema, e longa vida ao Periferias. Parabéns!

 

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