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BURRO VELHO

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30
Set23

Das causas que nunca são boas para a violência - o ativismo ambiental

BURRO VELHO

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Não há causas boas que legitimem a violência, não é por aí o caminho e este extremismo só prejudica o ativismo ambiental, e não, não há honras e louvores para estes jovens que afinal não estão amorfos, e não, não conseguiram o que queriam porque agora só se fala nas jovens que atiraram tinta verde ao ministro do ambiente Duarte Cordeiro durante uma conferência patrocinada por uma petrolífera, a violência nunca pode ser o caminho, não há violência fofinha, quem decide qual é a fronteira?

 

 

29
Set23

Das nossas artistas - Sara Correia

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Numa daquelas longas viagens de carro aqui há uns meses, estava indeciso com o que ia ouvir e ocorreu-me experimentar uma fadista que já tinha ouvido falar mas não fazia ideia quem era, pumba, fiquei logo preso nos primeiros instantes, e nem sequer era fado o que Sara Correia estava ali a cantar, era algo ali a roçar no rap sem ser preciso puxar pelo vozeirão, que milagre quando o spotify nos devolve um tesouro assim sem estarmos a contar, desde então nunca mais a larguei.

Não tenho dúvidas que agora que faz parte dos jurados de The Voice vai rapidamente encontrar o estrelato que tanto merece, mas neste tema que partilho, Chelas, Sara Correia canta-nos, através das palavras desse génio da composição que é Carolina Deslandes, que a sua voz tem origem na dor, que traz o fado na voz e ténis nos pés, que o mundo é seu mas ela é de Chelas, orgulho nas origens e naquilo donde vimos, bonito.

No fado ou a aventurar-se em coisas como rap, hip hop, flamengo ou música popular, não há acorde em que não seja… nem sei, perfeita.

 

28
Set23

Dos símbolos nacionais, da Arábia Saudita - Cristiano Ronaldo

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À sua quase unanimidade dentro dos campos, até há alguns anos atrás, sempre correspondeu, sobretudo além fronteiras, um controverso Cristiano fora dos relvados, e perante todos aqueles, meus familiares, amigos ou colegas, sobretudo alemães e espanhóis, que se empenhavam em me convencer que o Messi ou o Ibrahimovic é que eram as grandes referências mundiais, pela atitude humilde ou pela atitude ousada e divertida, em detrimento da arrogância e novo-riquismo de CR7, sempre argumentei convictamente que Ronaldo era orgulhosamente um símbolo nacional por valores como, por exemplo, a sua entrega ao trabalho, obstinação em vencer ou dedicação à família.

Dito isto, sendo inequívoco que tem todo o direito e legitimidade para as opções que tem vindo a tomar, também é legítima a minha opinião de que Cristiano tem vindo a gerir muito mal o seu final de carreira, prejudicando irremediavelmente a imagem pública que sempre soube conquistar, e merecer, não deixando eu de sentir algum embaraço, vergonha alheia até, por ver o (outrora) inegável símbolo lusitano da atualidade convertido num Tio Patinhas que só quer contar tostões, ou milhões, e pior, muito pior, em não ter qualquer pejo em se vender para propagandear a grande Arábia Saudita, como todos sabemos uma referência no respeito pelas liberdades e direitos humanos.

Não havia necessidade Cristiano, uma lástima.

 

27
Set23

Dos espetáculos de que gosto - Sonho de uma noite de verão

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O texto de Shakespeare está lá, mas Diogo Infante conseguiu encaixar músicas do nosso cancioneiro, que todos sabemos de cor, sobre o amor e o sonho, resultando muito bem num musical ao estilo Moulin Rouge, leve e divertido, sim, é Shakespeare, mas sim, é teatro comercial, para atrair público e ganhar dinheiro, por isso se não aprecia cantorias em palco saiba que vai sofrer, e se lhe arrepia a ideia de misturar Mónica Sintra, Dino Meira ou Clemente com o clássico dos clássicos, pior ainda, heresia, passe ao lado, senão aventure-se, são duas horas de comédia e de fábula encantada muito bem-dispostas.

Gostei de todo o elenco, ninguém esteve mal, mas o que eu me ri com o jovem ator que fez de Tisbe (não consegui identificar o nome), que boa impressão me deixou o Filóstrato ou o bobo de Oberon, Carlos Malvarez (desconhecia), que surpresa Mariana Pacheco a cantar, sempre um gosto ouvir a Soraia Tavares (eu apreciador de musicais me confesso), e que bom assistir a uma espécie de consagração, ou confirmação, dos filhos de Maria João Abreu, parece que a enorme simpatia e admiração que tinha pela mãe se pode assim transferir para os filhos, tendo-me rendido especialmente ao Demétrio de Miguel Raposo, que presença tão forte em palco, mas todos estão de parabéns.

Compreendo que as salas de teatro têm compromissos de agenda apertados, mas acho sempre frustrante um espetáculo estar em palco apenas três ou quatro sessões, muitas vezes um único fim-de-semana, frustrante para quem quer ver e frustrante para quem tanto trabalhou para montar a obra, mas neste caso a peça vai estar muito tempo em cena, que bom quando assim é.

Sonho de uma noite de verão, no Teatro da Trindade.

 

26
Set23

Das séries de que gosto - Esterno Notte

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Numa das melhores séries do último ano fala-se italiano, Esterno Notte, um tratado de história e política transalpina dos finais dos anos 70 com o rapto e assassinato de Aldo Moro, a par de um retrato íntimo de algumas das pessoas que mais sofreram, emocional ou intelectualmente, com este rapto, o próprio Moro, a esposa Noretta, o papa amigo Paulo VI, o então ministro do interior Francesco Cossiga e dois dos raptores.

O caso Moro é uma espécie de caso Camarate italiano, ainda hoje se discute quem é que efetivamente foi o mandante daquele sequestro, terão sido os americanos, os comunistas, o próprio governo, mas Marco Bellocchio (o realizador) não está muito interessado em falar-nos de teorias de conspiração, conta-nos antes a história que se lê nos livros, a que o grupo revolucionário outrora comunista, Brigadas Vermelhas, à procura de um grito ideológico e reconhecimento político, decide raptar o ex primeiro-ministro, aquele que deveria ser o futuro presidente da república e era à data o presidente do maior partido no poder desde a queda do Duce, o Democracia Cristã, um partido conservador e católico, que venceu todas as eleições legislativas de 1946 a 1992, um partido arreigadamente anticomunista com quem Moro estava prestes a estabelecer uma primeira e inédita aliança, aliança essa que assustava e muito os seus correligionários e amigos no partido, nomeadamente o então chefe do Governo Giulio Andreotti, que, por estratégia e interesse pessoal, desistem de o resgatar e abandonam-no às mãos dos brigadistas sedentos de sangue e da tão desejada propaganda.

Bellocchio toca assim numa ferida ainda por cicatrizar da sociedade italiana, lembrando-nos que os políticos humanistas, verticais e defensores da causa pública (que os há), têm o seu percurso armadilhado por um sistema onde a transparência e o interesse nacional, até a própria amizade, vergam perante a luta de poder, de quem governa e de quem aspira a vir a governar, não há ideais, mesmo os mais revolucionários e brigadistas, que não esmoreçam com o perfume do poder, mas ‘Exterior Noite’ é sobretudo o sofrimento, a angústia, o medo e a dúvida destas personagens durante os 55 dias que duraram o sequestro.

Belíssima série, na plataforma Filmin.

 

25
Set23

Dos espetáculos de que gosto - Gust9723

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Para mim a dança é das artes mais livres à tua imaginação e aos teus sentidos, sobretudo num espetáculo de dança contemporânea não tens de entender tudo, se conseguires usufruir de coisas como o movimento, a energia, o som, o espaço, se isso te trouxer prazer sem teres de estar a querer interpretar e descodificar tudo a todo o momento, então está perfeito.

Em Gust9723, do coreógrafo Francisco Camacho, vemos corpos à deriva de rajadas de vento (gust, em inglês), vemos a catástrofe e o caos a ditar o movimento dos sobreviventes, vemos a morte a pairar e a vontade de se lhe escapar, não vemos erotismo, vemos sobrevivência.

Há um outro aspeto muito bonito nesta obra, que foi dançada pela primeira vez em 1997, que é vermos o envelhecer dos nossos corpos e não nos esquecermos que estes vão se adaptando mas não temos de desistir das coisas de que gostamos: no cast de hoje encontramos seis dançarinos que estiveram em palco na peça original (Begoña Méndez, Carlota Lagido, Filipa Francisco, Marta Coutinho, Miguel Pereira e Rolando San Martín), com nove novos e jovens intérpretes, formando um corpo de baile uníssono e muito coeso, não resistindo a destacar uma bailarina de quem não consegui desviar o olhar, Sofia Kafol.

Gostei muito, no CCB.

 

22
Set23

Das séries que eu vejo - Painkiller

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Não consigo dizer que gostei muito porque a realidade que retrata de forma contundente é muito perturbadora, a tragédia nos anos 90 dos analgésicos opióides nos EUA, como o Oxycontin, e a procura criminosa do lucro a qualquer preço, quer de famílias milionárias como a benemérita Sackler, quer do Zé Povinho que quer andar de Porsche ou simplesmente pagar as contas, mas o bom cinema também passa em séries como Painkiller, muito boa. Na Netflix.

 

21
Set23

Das coisas bonitas - as supermodels na London Fashion Week

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Na London Fashion Week regressámos em grande festa aos gloriosos anos 90 do mundo da moda, com as quatro icónicas das passerelles a desfilar, Naomi, Cindy, Christy e Linda (para mim a supermodelo dinamarquesa Helena Christensen também ficava bem aqui), e a rainha da pop Annie Lennox a dar um show incrível a cantar Sweet Dreams, que momentaço.

A minha preferida é a Christy Turlington mas que bom ver a Linda Evangelista recuperada e que a Naomi Campbell não mudou em nada, o mesmo domínio naquele andar e o mau feitio de sempre (vejam as trombas com que ficou por ter ficado na sombra no início). Fantástico.

 

20
Set23

Tá tudo doido - os piropos de Marcelo

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Pior do que o que disse foi a cara de satisfação que fez a seguir, qual marialva orgulhoso das suas piadolas, mas agora temos o mais alto magistrado da nação a mandar piropos sexistas e está tudo bem? Não, não está tudo bem, seja porque o senhor Presidente já há alguns anos está a dar sinais preocupantes, seja porque Marcelo está apenas a ser Marcelo, não está tudo bem, está errado.

 

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