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BURRO VELHO

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31
Out23

Da vida das cidades - Monumental, em Lisboa

BURRO VELHO

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O cinema Monumental tem um papel histórico na cidade de Lisboa absolutamente inolvidável, não sendo eu sequer um alfacinha – cresci a algumas centenas de quilómetros da capital -, foi ao Monumental que fui pela primeira vez ao cinema, ‘Uma Ilha no Teto do Mundo’, cuja única memória que guardo é precisamente a experiência de ir ao cinema e do grande cartaz com um dirigível muito colorido.

O município e as autoridades que tutelam a cidade não podem gerir uma cidade apagando o seu património e a sua memória coletiva, devem respeitar as suas vivências e tradições (bem sei que Moedas e os seus antecessores têm estado perfeitamente a borrifar-se para isso, tudo o que não sejam hoteis é mato), mas quando agora, a propósito da reconstrução do espaço por um promotor privado, se discute se as antigas salas de cinema devem voltar a abrir enquanto tal, ou dar lugar a uma escola inclusiva e gratuita para adolescentes no domínio das tecnologias (projeto altamente interessante), não estamos só a falar da memória e da história, nem apenas de cinema versus escola, estamos a falar também de urbanismo e  de uma visão para a cidade que se quer ter – ao trazerem para a praça do Saldanha apenas serviços ‘diurnos’ e não ancorar algo que faça mover as pessoas a qualquer hora do dia e da noite, estamos a potenciar uma cidade vazia, triste e perigosa e a empurrar as pessoas para o interior dos centros comerciais.

Daquilo que li o município de Lisboa terá dado (ou inclina-se a dar) parecer favorável à escola, mas a decisão estará na dependência do senhor Ministro da cultura, ao que não lhe será certamente indiferente o facto de Lisboa ser das piores capitais para se ver cinema em espaços ‘de rua’ (observe-se a pujança da Invicta e a tendência que se vai confirmando pela Europa fora), por isso, senhor Ministro, contamos consigo para que tome a decisão acertada.

 

30
Out23

Dos filmes de que eu gosto - Assassinos da Lua das Flores, de Martin Scorcese

BURRO VELHO

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Assassinos da Lua das Flores é um épico grandioso para ver no cinema, Martin Scorcese, o mago dos cinéfilos, conta-nos ao seu ritmo e no seu tempo, entenda-se três horas e meia, uma história sobre os primórdios da nação americana e os maus-tratos infligidos aos índios Osage que tinham descobertos jazidas de petróleo, privilegiando o retrato psicológico mas não descurando a reconstituição histórica.

Creio que irá receber nomeações em barda para os prémios, sendo o meu palpite que não ganhará nada, não se podendo dizer no entanto que não fosse um justo vencedor em muitas categorias técnicas e nas de representação (DiCaprio talvez no seu melhor papel a fazer de meio ingénuo meio ganancioso, De Niro finalmente a ter um desempenho ao nível do seu prestígio, fortíssimo, mas a índia Lily Gladstone é sem dúvida a alma do filme, assombrosa), mas apesar da maldade pura dos brancos gananciosos e da dignidade estoica dos índios Osage, Scorcese não abriu mão da sobriedade e faltou-me algum arrebatamento, só por isso não irei estar a torcer para os prémios de melhor filme.

 

28
Out23

Está mal - a javardice de Miguel Sousa Tavares e José Alberto Carvalho

BURRO VELHO

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Há muitos anos que deixei de acompanhar o Miguel Sousa Tavares, não me interessa mesmo nada o que escreve ou diz, da mesma maneira que não costumo seguir o telejornal da TVI, não aprecio alguns dos seus jornalistas, não só a inenarrável Sandra Felgueiras mas também o José Alberto Carvalho, desde os seus longínquos tempos do Jornal da Tarde na RTP nunca lhe consegui reconhecer grande inteligência nem qualquer capacidade para fazer entrevistas mais exigentes, mas saber agora que a alarvidade tomou lugar no telejornal das oito subiu uns degraus no que já é mau – a propósito da mulher trans que venceu o concurso de Miss Portugal (sim, ao que parece o concurso das Misses ainda perdura) foram capazes de dizer isto:

- MST: “Tu casavas-te com esta mulher?”

- JAC: “Não, não. De todo, e tu também não…”

(risos)

- MST: “Eu também não, de maneira nenhuma”.

E é isto que temos em antena, senhores acionistas da TVI e senhor José Eduardo Moniz?

 

27
Out23

Dos filmes de que gosto - Estranha Forma de Vida, de Pedro Almodôvar

BURRO VELHO

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O fado de Amália Rodrigues, maravilhosamente cantado por Caetano Veloso, deu o título à nova curta-metragem de Pedro Almodôvar, cujo único defeito que podemos apontar é que quando termina, ao fim de uma rapidíssima meia-hora, queremos continuar a ver mais de tão bom que é.

Este western-queer, como Almodôvar o denomina, está muito longe da explosão dos seus primeiros filmes, aqui tudo é depurado, mas o detalhe, intensidade e sensibilidade são aquelas que Almodôvar sempre nos entregou, aqui o desejo e o erotismo não está na nudez dos corpos, está antes no olhar e nas palavras dos dois cowboys do deserto, cowboys que dão tiros mas que também fazem a cama e dobram impecavelmente a sua roupa interior, Estranha Forma de Vida é sobretudo sobre o amor, queer ou straight, é sobre a resposta à pergunta o que podiam fazer dois homens se decidissem viver juntos num rancho, chegando a resposta, talvez irremediavelmente tarde, mesmo no fim. Estranha forma de vida, aquela que se foge ao amor.

 

26
Out23

Dos ícones do cinema e das campanhas icónicas - Maggie Smith e Loewe

BURRO VELHO

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Dame Maggie Smith, atriz inglesa de 88 anos, é uma das maiores lendas vivas do mundo do cinema, uma autêntica rainha.

A Loewe é uma marca de luxo espanhola de acessórios de moda.

O fotógrafo Juergen Teller, sob a direção criativa de Jonathan Anderson, captou-a com muito pouca maquilhagem, e (quase) sem edição, para a campanha da nova coleção de 2024, tornando-se instantaneamente numa campanha icónica que vai perdurar nos anais da moda, fotografia e publicidade durante muitos anos, parabéns ao fotógrafo, ao criativo e à Loewe, e uma longa vida para a maravilhosa Maggie Smith, bravo!

 

25
Out23

Apenas da falta de noção? - juíza Margarida Ramos Natário

BURRO VELHO

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A senhora doutora juíza Margarida Ramos Natário estava encarregada do julgamento do denominado caso EDP, no qual o ex-ministro Manuel Pinho é acusado de receber pagamentos ilícitos da conta saco-azul do BES, precisamente a mesma conta que serviu para alegadamente o ex-marido da senhora doutora juíza ter recebido 1,2 milhões de euros, ex-marido esse de quem, de acordo com as notícias, a senhora doutora juíza se divorciou para que caso alguma coisa corresse mal o património dos filhos não fosse prejudicado – como diz o povo, mulher prevenida vale por duas -, donde se pode inferir que a senhora doutora juíza estava ao corrente da situação e terá de alguma forma beneficiado desse pecúlio vindo da Enterprises Management Services Ltd, o mesmo expediente que a senhora doutora juíza agora ia julgar, e digo “ia” porque já não vai, apesar de contrariada a senhora doutora juíza pediu escusa, não por estar convencida que não tem condições para julgar o caso, apenas pelo amor que tem à justiça e a necessidade de a proteger, à justiça, pelas notícias saídas agora a (no) Público – se calhar a senhora doutora juíza até tem razão, se calhar melhor do que ninguém ela seria a pessoa acertada para julgar remunerações ilícitas do universo BES, francamente senhora doutora juíza, francamente. E tudo alegadamente, tudo apenas em função do que vi nas notícias.

 

24
Out23

Dos documentários que vejo - Beckham

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Neste documentário vemos como Sir Alex Ferguson era como um pai para David Beckham e percebemos porquê, é bonito de ver como foi protegido por toda a equipa do Manchester United quando tinha todo um país contra si, de forma muito agressiva e intimidatória, por lhe terem atribuído a culpa pelo afastamento de Inglaterra no Mundial de 98, mas é também o próprio Ferguson que afirma não ser possível uma amizade entre treinador e atleta, porque este será descartado assim que o seu rendimento baixar, e assim foi, sem apelo nem agravo, não haja ilusões, o mundo do futebol não é para figuras paternais.

Gostei muito deste documentário da Netflix, sobretudo por ver como um astro do futebol encontrou na sua vulnerabilidade, e no apoio da família e das suas equipas, a sua força para o sucesso, altamente inspirador.

 

23
Out23

Dos filmes de que eu gosto - Fair Play, de Chloe Domont

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Filme independente destinado a passar despercebido não fosse o élan que granjeou ao passar pelo festival de Sundance, uma história de amor e desamor na alta roda de Wall Street, em que uma mulher dita as regras do seu próprio jogo, mesmo que essas regras sejam aquelas misóginas ou cheias de masculinidade tóxica dos homens instalados no poder, um filme com muito sex-appeal e ares de thriller erótico com dois atores magnéticos, Alden Ehrenreich (até aqui tinha-me passado despercebido), e Phoebe Dynevor, a aristocrata naïve de Bridgerton.

Fair Play, de Chloe Domont, muito bom. Na Netflix.

 

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