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BURRO VELHO

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20
Out23

Das séries que eu vejo - Sex Education

BURRO VELHO

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Ao contrário do que o título indica, não me parece que Sex Education, que chega agora ao fim com a quarta temporada, pretenda educar - não duvidando que muitos espetadores, novos ou velhos, se sintam mais informados ao ver a série -, mas simplesmente entreter e desmistificar as várias nuances da sexualidade, e nisso Sex Education foi muito bem sucedida, sem dúvida que é bastante entertaining e que deve ter arejado um pouco algumas cabeças mais confusas ou preconceituosas.

Quanto a mim, Sex Education peca pelo excesso de positivismo e bondade, somos todos bonzinhos, praticantes de ioga e incapazes de qualquer coscuvilhice, e por querer incluir na história toda a agenda dos temas sociais que hoje importam discutir, a igualdade, a intolerância, o bullying, o abuso ou agressão sexual, o preconceito religioso, a saúde mental, a violência no namoro, todas os temas LGBTQIAP+ (fui ao Google garantir que não me escapava nenhuma letra, admito), parece que os argumentistas não quiseram deixar nada de fora, mas ainda assim é uma belíssima série, com personagens muito interessantes e excelentes atores e atrizes (sou fã de Emma Mckey, a Maeve), que sem moralismos descomplica o sexo e nos recorda algo que na puberdade nem sempre é fácil, tudo está bem quando temos alguém com quem partilhar ou conversar.

Na Netflix.

 

 

19
Out23

Dos filmes que amamos - Past Lives

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Falar de filmes sem emoção e algum exagero não é falar de filmes, Vidas Passadas (Past Lives, no original) é até agora, de longe, o melhor filme do ano, e provavelmente vai sê-lo durante muito tempo, em cada silêncio cabem todas as palavras não ditas, em cada olhar cabe toda a contenção e timidez que trazemos em nós, em cada sorriso todas as circunstâncias das nossas vidas e em cada pulsar toda a nossa respiração que está suspensa até à cena seguinte, Past Lives é sem dúvida um dos maiores romances desta década e que vamos querer rever muitas vezes.

 

18
Out23

De vergar a mola - Paddy Cosgrave, CEO da Web Summit

BURRO VELHO

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Paddy Cosgrave, CEO da Web Summit, cheio de convicções humanitárias: “crimes de guerra são crimes de guerra, mesmo quando cometidos por aliados, e devem ser denunciados pelo que são”, protestando contra o governo de Israel e “chocado com a retórica e as ações de tantos líderes e governos ocidentais, com exceção em particular do governo da Irlanda”.

 Paddy Cosgrave, arauto dos direitos humanos, logo após o repúdio manifestado pelo embaixador israelita em Lisboa pelas suas afirmações: “repetindo: crimes de guerra são crimes de guerra mesmo quando cometidos por aliados e devem ser denunciados pelo que são. Não vou ceder”.

 Paddy Cosgrave, aquele que vai levar a Web Summit para o Qatar, depois de ter feito contas aos investidores e receitas que ia perder à custa das suas convicções: “A Web Summit tem uma longa história de parceria com Israel e as empresas tecnológicas, e lamento profundamente que esses amigos se sintam magoados com o que disse… Apoio inequivocamente o direito de Israel de existir e de se defender”.

 Que o senhor Paddy Cosgrave queira ganhar dinheiro, fama e poder é lá com ele, nada contra, mas que não seja hipócrita que é uma coisa muito feia.

 

17
Out23

Da falta de vergonha – Estádio Municipal de Braga e outros que tais

BURRO VELHO

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O estádio municipal de Braga construído por ocasião do Euro 2004 custou 200 milhões de euros e a proprietária do espaço (câmara municipal) apresta-se a vendê-lo, por um valor que o autarca estima não inferior a 15 milhões de euros, coisa pouca a menos-valia.

Se a situação não fosse trágica dava vontade de rir quando vemos o presidente da Câmara dizer ‘que se está a fazer uma avaliação formal daquilo que poderá ser o valor pelo qual o estádio poderá ser alienado’, vamos ser francos meus senhores, o estádio vale zero, é um ativo tóxico, a ‘Pedreira’ tem um valor negativo porque não tem qualquer utilidade e exige avultadas despesas de manutenção, apenas tem valor para o principal clube da cidade e por isso o estádio será vendido pelo valor que os donos do clube (endinheirados por sinal) quiserem, qual avaliação qual carapuça.

Mesmo que o clube assuma algumas despesas de manutenção, admito que suporte gastos como a eletricidade ou manutenção dos relvados, é amoral saber que a renda paga pela utilização do estádio é de 500 euros (!!), mas o mal está feito e é entendível que a Câmara se queira ver livre do mono, ali tudo é prejuízo, mas não podemos deixar cair em esquecimento quem fez esta gestão dos dinheiros públicos, não podemos deixar cair no esquecimento quem eram os responsáveis políticos à época e não podemos deixar de questionar porque é que estas decisões megalómanas e criminosas foram impunemente tomadas (vou-me poupar a tecer considerações que me obrigariam a escrever a palavra alegadamente), referindo aqui o caso de Braga mas a realidade não será muito diferente noutras cidades como Aveiro ou Leiria.

Noutro patamar, note-se, mas também não isento de alguma responsabilidade moral desta sem vergonhice o arquiteto Souto Moura, que muito aprecio e admiro, cujo prestígio e rol de prémios aumentou à custa deste projeto mas, ao desenhar o ângulo xpto da curvatura dos cabos de suspensão, ao exigir os materiais de excelência para as casas-de-banho ou muitas outras características que fizeram o projeto tão memorável, não soube pensar no que é o bem público e a sua fruição, na minha opinião essa também seria a sua função e podia ter feito melhor.

Avivemos portanto esta memória e que nos agigantemos todos, num grande clamor nacional, se o Mundial de futebol que se anunciou para 2030 não se limite à rentabilização de estádios já construídos, que haja uma revolta nacional se houver mais investimento público na reconstrução dos estádios do Mundial 2030.

 

16
Out23

Dos documentários que vejo - Orlando, a minha biografia política, de Paul B. Preciado

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Há 100 anos atrás Virgínia Woolf escreveu ‘Orlando’, um romance em que um jovem aristocrata muda de sexo, agora o escritor, filósofo e ativista trans Paul B. Preciado realiza o documentário ‘Orlando, a minha biografia política’ - obra de difícil classificação, documentário parece o mais aproximado -, que é uma carta cinematográfica dirigida à memória de Woolf para lhe agradecer e informar que o Orlando que em 1928 ela criou na literatura saiu dos livros e ganhou vida nas muitas pessoas transgénero, nomeadamente as 25 pessoas trans não binárias, dos 8 aos 70 anos, que com umas belíssimas gorgeiras do século XVII dão voz às palavras de Orlando e nos revelam que, na verdade, o caminho não é tão fácil como o foi o do aristocrata inglês, que numa noite durante o sono acordou noutro corpo, que o caminho é árduo mas que há sempre um caminho.

Por vezes o filme perde-se um pouco, ou pelo menos eu perdi-me, mas impossível não sair das salas de cinema mais consciente e solidário.

 

15
Out23

Dos filmes de que gosto - Golpe de Sorte, de Woody Allen

BURRO VELHO

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Se ontem vos falava de um triângulo amoroso na literatura, hoje voltamos a outro triângulo amoroso no cinema.

Alegrem-se fãs de Woody Allen, este Golpe de Sorte (Coup de Chance, no original) é um prodígio de tudo aquilo que gostamos nos filmes de Allen, não sendo da série dos sérios e profundos mas daqueles leves e divertidos, uma comédia negra que parodia com os tiques, dramas e neuras da elite parisiense - por acaso é filmado em Paris mas podia muito bem ser na Manhattan de sempre.

Uma das personagens diz "we would like to be able to control everything but in reality we have very little control", ou seja, como sugere o título do filme, a sorte e o acaso comandam grande parte das nossas vidas, mas façamos fisgas para que potenciais novos filmes de Woody Allen não sejam fruto do acaso ou de um golpe de sorte, pois apesar do espírito e acutilância de Allen estarem mais jovens do que nunca, o único drama aqui é saber que o senhor está a fazer 88 anos, sim, 88, e questionarmos se, com as portas das produtoras americanas fechadas, poderemos voltar a ver mais algum filme de Woody Allen, que lástima seria se assim não for.

 

14
Out23

Dos meus livros - Amor & C.ª, de Julian Barnes

BURRO VELHO

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O enredo de Amor & C.ª (Taking it over, no original) pode não nos suscitar à partida grande entusiasmo, um triângulo amoroso em que cada personagem nos relata por voz própria a sua visão da história, mas Julian Barnes concilia como ninguém a leveza e a graça com uma profunda e acutilante capacidade de observar as pessoas em ínfimos detalhes, pessoas capazes do amor, da sedução, da mentira, da humilhação, do desespero, pessoas presas a um passado plenas de nuances e ambivalências, que se repetem nas falhas, pessoas avisadas mas que se reinventam na procura desse amor ou que caiem sucessivamente na sua armadilha, como preferirem, pessoas que procuram o amor a prazo e outras que se convertem ao amor imediato, sem juros.

Com uma escrita fluída, divertida e intimista, que nos entretém e convoca ao mesmo tempo as nossas vivências, Amor & C.ª é um dos melhores livros de Barnes (e Barnes só tem livros bons), quase ao nível de A única história e O sentido do fim.

 

12
Out23

Das lendas vivas - Rolling Stones e o novo álbum

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Apesar de lhes achar piada e de gostar muito de algumas músicas, nunca foi uma das minhas bandas, não sou um fã indefectível, mas caramba, estes monstros sagrados merecem todas as vénias, eles têm 80 anos, são contemporâneos dos Beatles - formaram-se em 1962!! -, e no próximo dia 20 vão lançar mais um album de originais, Hackney Diamonds.

Não é só na atitude que Jagger impressiona, ouçam 'Sweet Sounds of Heaven' com Lady Gaga e Stevie Wonder (outras lendas vivas) e confirmem com a sua capacidade vocal continua intacta, que arraso, mas partilho aqui o vídeo oficial de lançamento do album com os Stones a desbundar com 'Don't get angry with me'.

Parabéns e longa vida para os Stones.

 

 

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