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BURRO VELHO

BURRO VELHO

17
Nov23

Da atualidade política - a supremacia 'moral' do PS

BURRO VELHO

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Qualquer outro partido que fizesse metade, um terço destas patifarias e trapalhices, já teria sido engolido vivo. O Partido Socialista … possui uma resistência aos escândalos e desaires que os outros partidos não têm. António Costa é o perfeito exemplar deste estado de coisas. Passos Coelho foi crucificado por muito menos. O PS sobreviveu ao escândalo da Casa Pia, a única vez que correu perigo sério e em que atiraram a matar para destruir o partido e seus dirigentes, sobreviveu à demissão de Guterres, e fuga, sobreviveu ao escândalo de Sócrates, único na história de democracia portuguesa, sobreviveu aos erros e horrores da pandemia (que não foi o sucesso imputado a Costa, que a certa altura estava mais interessado em trazer para Portugal um campeonato de futebol do que no confinamento, chamando a isto um “prémio” aos médicos e trabalhadores do Serviço Nacional de Saúde — a mais asinina frase da democracia portuguesa) e sobreviveu aos escândalos deste Governo. Pedrógão, Tancos, negócios corruptos da Defesa, o transfronteiriço de outro nomeado de Costa com cadáveres no armário, e as guerras com os professores e os médicos. Fora o resto. A pouco e pouco, por inércia, incompetência e arrogância do Governo, vimos esboroarem-se o SNS e a educação pública.

Ora nada disto faz parar o PS para pensar. O PS julga-se o único partido competente e inteligente para governar a pátria, e acha-se o destinatário de um direito divino. O PS comporta-se como uma monarquia, com famílias reais, uma aristocracia que não renuncia aos privilégios, uma corte de serventes e serviçais, e direitos dinásticos. O mote real é “Habituem-se!”. A insígnia é “contra tudo e contra todos”.

São socialistas e basta, o título sugere uma supremacia moral. Este PS não aceita pactos de regime, usa a direita ou a esquerda conforme lhe convém para se manter à tona. E acha-se a única garantia contra o Chega e a ameaça corporizada em André Ventura. Na verdade, usa Ventura como o papão da democracia, tal como usara Passos Coelho como o papão da austeridade e da justiça social.

Com o mestre da sobrevivência António Costa, todas estas características se acentuaram, agravadas pelo facto de o pessoal político se ter desqualificado. A aristocracia dos tempos da fundação era agora um corpo de videirinhos e trepadores sociais, com raras exceções... Este PS não vai sair de cena com facilidade, não admite a derrota, não tem escrúpulos morais. Não tem emprego”.

Estas palavras não são minhas, foram escritas, e muito bem escritas, pela Clara Ferreira Alves na sua crónica no Jornal Expresso, porque a malta desespera por uma alternância, o problema ainda maior é quando olhamos para os lados e ver quem pode vir a seguir, que lástima o principal partido da oposição andar tão levianamente a brincar.

 

16
Nov23

Da TV de que eu gosto - programas de entretenimento da RTP

BURRO VELHO

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Não lhe tenho prestado atenção mas tenho noção de que a ficção da RTP tem alcançado um bom nível de qualidade, mas apetece-me destacar a área de entretenimento com alguns programas muito bem feitos e excelentes a fazer isso mesmo, entreter-nos:

- Para os fãs de programas de caça talentos musicais o THE VOICE é imperdível, mesmo neste ano que reúne os piores concorrentes que tenho memória e mesmo para aqueles que, como eu, veem mais tarde para poderem avançar nos entremeios das cantorias (sim, a Catarina Furtado já não guincha pró palcooooo), notando no entanto que gosto muito de ver a forma como este grupo de jurados faz as suas apreciações, e como brinde temos por vezes os jurados a cantarem entre si ou com os concorrentes - brilhante aquele momento que Sónia Tavares e António Zambujo cantaram Silêncio e Tanta Gente da Maria Guinot;

- Cheguei tarde ao TASKMASTER, apenas na temporada 3 que agora terminou, mas ver os disparates que o Markl e o Palmeirim inventam para os convidados se espalharem ao comprido é um fartote de rir, é o programa rei dos serões em família;

- Quem não gosta de fado achará uma seca tremenda, naturalmente, mas podermos assistir aos artistas do mundo do fado em tertúlia e paródia de volta das cantigas e das suas histórias é uma delícia, exemplo disso foi o último episódio onde nos sentámos no meio da sala da CASA D’Amália para ouvir Sara Correia com os seus músicos e convidados, Pedro Abrunhosa e Sónia Tavares, que dádiva;

- E o MASTERCHEF, que regressa à antena no próximo fim-de-semana, que nos deixa sempre com a ilusão que aprendemos alguma coisinha e com a esperança que um dia vamos cozinhar melhor.

Porque precisamos que nos distraiam e entretenham, dou os meus parabéns à RTP, bom trabalho.

 

15
Nov23

Dos documentários que vejo - Viver a vida até aos 100 anos, o segredo das zonas azuis

BURRO VELHO

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O documentarista Dan Buettner, com uma equipa de antropólogos, médicos e epidemiologistas, reconheceu que nalgumas zonas do mundo concentra-se um número anormalmente elevado de pessoas centenárias, as chamadas ‘zonas azuis’.

Ao longo de vinte anos estudaram a fundo estas comunidades - Okinawa, no Japão, Sardenha, na Itália, Nicoya, na Costa Rica, Ikaria, na Grécia e Loma, na Califórnia  -, a sua história e geografia, e procuraram identificar hábitos de vida comuns que possam explicar esta longevidade, e mesmo admitindo que algumas destas características não surtam efeito em nós próprios, não deixa de ser um excelente mote para nossa reflexão – eis alguns dos traços que predominam nestas povoações em que muitos habitantes vivem mais de cem anos:

- Comem aquilo que a terra dá, aquilo a que chamamos hoje uma dieta plant based;

- Ninguém passa horas no ginásio ou corre maratonas, mas cansam o corpo ao longo do dia;

- Vivem em ambientes com muitas colinas obrigando-os ao movimento e impedindo o sedentarismo;

- Vivem em comunidade, rodeados de família e amigos, e cuidam dos mais velhos, os lares quase não têm ‘clientes’;

- Dormem a sesta;

- Vivem devagar;

- Acordam todos os dias com um propósito de vida, aquilo que no Japão chamam ter um Ikigai.

Muito interessante, e se não pudermos ser todos centenários, que possamos pelo menos melhorar um pouco a nossa qualidade de vida. Na Netflix.

 

14
Nov23

Das lojas e restaurantes com história - o Galeto, em Lisboa

BURRO VELHO

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Há lugares sagrados na cidade que nos habituamos a ver e que dificilmente nos detemos para parar e entrar, quantos dos tripeiros nunca subiram aos Clérigos ou quantos dos Alfacinhas nunca foram ao Cristo Rei, pois bem, aconteceu-me exatamente isso com o Galeto, em frente ao qual passo quase todos os dias a pé e aonde só muito recentemente entrei.

O snack-bar Galeto foi inaugurado em 1966 na Avenida da República, ali ao Saldanha, em Lisboa, e é uma autêntica instituição viva da cidade, que atravessou gerações e onde, apesar das obras profundas, pouco terá mudado nestes quase 60 anos desde a sua inauguração, numa cidade e num país que se transformaram radicalmente.

O requinte imutável do preto e dourados e a madeira envernizada dos labirínticos balcões, desenhados pela dupla de arquitetos Vitor Palla e Joaquim Bento d’Almeida, a disposição dos bancos que nos confronta com os desconhecidos comensais que se sentam à nossa frente, a simpatia dos funcionários, a possibilidade de podermos ir aconchegar um estômago faminto até altas horas da madrugada, tudo isto e mais algumas coisas tornam sempre uma experiência única ir comer, por exemplo, um croquete com mostarda, uma canja de galinha ou um prego no pão.

 

13
Nov23

Dos filmes que vejo - Nyad

BURRO VELHO

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Nyad, filme desportivo da dupla de realizadores Jimmy Chin e Elizabeth Chai Vasarhelyi, retrata o feito histórico de Diana Nyad, que com sessenta e tal anos conseguiu a proeza de atravessar a nado, sem jaula de proteção contra tubarões, o Everest dos oceanos, que é quem como quem diz, a distância de 177 quilómetros entre Havana (Cuba) e Key West (Florida), sendo um filme que se vê bem mas sem pingo de entusiasmo de tão morno e previsível que é, salva-o duas atrizes em estado de graça:

- Jodie Foster, já vencedora de dois Óscares como atriz principal, para mim a sempre muito cerebral Jodie Foster que repete constantemente os tiques da fantástica Clarice Starling do Silêncio dos Inocentes, consegue aqui um dos melhores papéis da sua carreira ao fazer de treinadora e melhor amiga de Nyad, talvez o meu preferido por nos mostrar uma Foster diferente, tendo sérias probabilidades de ser nomeada para melhor atriz secundária;

- Annette Benning vai seguramente falhar a sua quinta nomeação aos Óscares, mas é absolutamente imensa e extraordinária no seu papel da maratonista Nyad, Benning é maravilhosa em tudo o que faz e é merecidamente, sem nunca ter ganho qualquer estatueta, uma das estrelas maiores de Hollywood.

 

11
Nov23

Das minhas músicas - I Know It's Over, The Smiths

BURRO VELHO

Não, não é que não me apetecesse mas não vou partilhar mais uma canção da Sara Correia, ou da Sónia Tavares, a maior de todas, ou do Pedro Abrunhosa, ou do Zambujo, sózinhos ou acompanhados uns dos outros, nunca me canso de os ouvir, mas a eles talvez voltarei um dia destes a propósito de uns programas de TV de que gosto muito, hoje vou partilhar uma música diferente, The Smiths, com I Know It's Over, da banda sonora do novo filme de David Fincher, que estou em pulgas para ver, 'O Assassino', e das bandas sonoras de quem foi jovem nos anos 80 e 90.

… It's so easy to laugh It's so easy to hate It takes guts to be gentle and kind Over, over Love is natural and real But not for you, my love Not tonight, my love Love is natural and real But not for such as you and I, my love
 
… Oh Mother, I can feel the soil falling over my head Oh Mother, I can feel the soil falling over my head

 

10
Nov23

Dos filmes que vejo - Jeanne do Barry, de Maïween

BURRO VELHO

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Vemos Jeanne du Barry - a história real de amor de um bonzinho Luís XV, le Bien-Aimé, com a sua amante preferida, a própria que dá o título ao filme -, mais ou menos com o mesmo prazer com que visitamos Versailles ou um qualquer museu do traje, com a beleza dos dourados e dos brocados próprios da época, mas para além do esplendor e da sua extrema beleza o filme tem vários outros méritos, Maïween é convincente na forma elegante e sensual, sem nudez mas com erotismo, como defende a sua cortesã, e além da bonita história de amor e de algumas curiosidades históricas, sobra ainda uma interessante luta de emancipação feminina numa altura que as mulheres, na melhor das hipóteses, eram simples objetos – falta-lhe algum fôlego mas Jeanne du Barry é sem dúvida alguma um filme simpático.

Johnny Deep, americano de gema como Luís XV num filme francês? Deep nunca será um grande ator mas a sua irreverência sempre gerou empatia, e em pleno rescaldo do seu escandaloso divórcio, só pode ter sido uma estratégia de marketing, e, aparentemente, bem sucedida.

 

09
Nov23

Da atualidade política - a demissão de António Costa e o comunicado de imprensa da PGR

BURRO VELHO

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Em um, a minha perceção continua a ser que António Costa é um político sério e que se quis rodear de pessoas pouco ou nada recomendáveis.

Em dois, não quero pensar que a Procuradoria Geral da República possa ter sido leviana no famoso último parágrafo do comunicado de imprensa, não quero pensar que possamos estar perante um flagrante caso de judicialização da política (ouçam agora de novo Rui Rio a este respeito) e que o Ministério Público tenha demitido um Governo democraticamente eleito a seu bel prazer (mesmo que eu entenda que só os casos Escaria, Lacerda e Galamba, ou seja, se não houvesse o dito último parágrado, já eram suficientes para deitar abaixo o Governo).

Em três, dada a gravidade da situação e sendo as consequências do referido comunicado absolutamente previsíveis, na minha opinião o seu conteúdo é insuficiente e inaceitável, não pode ser dito aos portugueses que um governo eleito foi derrubado porque alguém diz que disse, algo mais tem de nos ser dito (seja pela PGR, seja pelo Supremo Tribunal de Justiça onde o processo vai decorrer).

Em quatro, acho que a reação de António Costa foi a única possível e não lhe encontro incoerência com as formas como no passado quis (erradamente) proteger os seus ministros.

Em cinco, dispensem-nos de ver nas notícias que os alegados suspeitos corruptores ativos corromperam os alegados corrompidos passivos pagando-lhes almoços, ou que ministros usaram os seus motoristas para transportarem as suas filhas ou empregadas, presumo que isso seja absolutamente acessório para o que deve estar em cima da mesa, certo? Tudo isto não é sobre um lobbying discutível ou umas idas ao colégio, pois não?

Em seis, espero que mais logo Marcelo Rebelo de Sousa convoque eleições e salvaguarde a aprovação do Orçamento.

Em sete, eu otimista irritante que sou nem me atrevo a fazer cenários de quem por aí vem de tão assustador que é, é caso para os crentes dizerem Olhai por nós Senhor, olhai por nós.

 

08
Nov23

Da tragédia Israelo-Palestiniana - Netanyahu e o Hamas

BURRO VELHO

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"Uma testemunha que chegou ao local a seguir ao ataque diz que viu uma mulher grávida morta, repetidamente esfaqueada na barriga, e com o feto pendurado junto da mãe. O feto foi repetidamente esfaqueado, …, são histórias de um morticínio sem precedentes. Não apenas na história de Israel, do mundo”, o relato do horror absoluto por Clara Ferreira Alves, na revista do Jornal Expresso.

“... Mas – este é mesmo um grande mas – ninguém deverá surpreender-se por haver tanta gente, que pugnando pelo direito à autodeterminação dos palestinianos, condenando o regime apartheidista, racista e fascista em que Israel se tem vindo a tornar, e atormentando-se ante a carnificina causada pelos ataques israelitas, passa ao largo de tão infausta companhia.

Porque quem grita massacre e apela, contra Israel, ao cumprimento da lei internacional humanitária, mas tão alegremente reputa de ‘legítimo’ o que o Hamas é e faz, incluindo a forma assassina como usa o povo que mantém, desgraçadamente, sob seu poder, não sabe, nunca saberá, o que é ser pelos direitos humanos”, escreve Fernanda Câncio no DN a propósito de todos aqueles que não são capazes de condenar os ataques do HAMAS e que o justificam como, pasme-se, um “inalienável direito à resistência contra a ocupação, até à vitória da sua justa causa”, posição reiterada pelo MPPM (Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz do Médio Oriente”, movimento presidido pela atriz e encenadora Maria do Céu Guerra e com gente nas suas fileiras como Frei Bento Domingues.

O conflito Israelo-Palestiniano é duma complexidade tremenda, pelo sofrimento inominável das suas vítimas, nomeadamente o de todos os habitantes de Gaza, pelas impensáveis consequências que podem advir para a Ordem Mundial, e pela história ancestral de todo o Médio Oriente que quase todos nós desconhecemos, tudo isso nos deve invocar a uma extrema moderação, ao invés de convictas e inflamadas tomadas de posição - apesar dos incontáveis conflitos a nível mundial este é sem dúvida aquele que mais suscita reações entusiásticas por parte da opinião pública, haverá por exemplo alguém interessado no drama do Nagorno-Karabakh?

É também um tema de grande clivagem geracional, os mais novos pró-palestinianos, os mais velhos mais Israelo-compreensivos.

Da minha parte tenho procurado, sobretudo, ler algumas coisas sobre a história destes povos, da diáspora judaica, do Tratado de Balfour, do fim do império Otomano, tenho procurado obter mais algum conhecimento que me ajude a contextualizar esta guerra eterna, sendo muito pouco aquilo que eu sei, sei contudo que algumas coisas julgo saber: que o Governo extremista de Netanyahu dá muito medo (a expressão que este Burro Velho escreveu aqui mesmo em março passado, medo), que a ocupação da Palestina pelos colonatos israelitas é inaceitável, que a solução que nos parece mais justa era a (utópica) coexistência de dois Estados reconhecidos como tal, que o ataque do Hamas de 07/10 é um crime horrendo sem perdão nem complacência, que Israel deve ter direito à sua defesa (e não à sua vingança) e que a aniquilação da população civil de Gaza, imposta por Israel, não deve ser tolerada, nomeadamente pelas potências ocidentais, e ser alvo de repúdio (não é por ser quase impossível combater os criminosos do Hamas no labirinto dos túneis que se deve legitimar o assassínio de todo um povo), estas são as poucas coisas que julgo saber e tenho a certeza de que pouco sei para poder fazer declarações de alma ou tomadas de posição.

Os meus pensamentos estarão sempre com todos os que vivem prisioneiros em Gaza, privados de quaisquer direitos e em total agonia, mas concordando com Fernanda Câncio sei ainda mais uma coisa, saber que pessoas que convocam manifestações públicas pró-Palestina legitimam o ‘método’ Hamas só me faz afastar dessas manifestações de solidariedade, tal como testemunhar sentimentos antissionistas (que nega o direito de existência do país Israel – from the river to the sea) e antissemitas (contra o povo judeu) absolutamente crescentes me fazem sentir uma grande inquietação e empatia pelo povo (inocente) de Israel.

 

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