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BURRO VELHO

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28
Nov25

Dos filmes que adoramos - Foi Só Um Acidente, de Jafar Panahi

BURRO VELHO

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Gosto verdadeiramente de cinema iraniano, é sempre uma janela aberta para um mundo tão diferente do nosso, mas, apesar de ir acompanhando minimamente as notícias sobre si, e de ser a única pessoa que já venceu os principais festivais de cinema (Cannes, Veneza e Berlim), nunca tinha prestado muito atenção aos filmes de Jafar Panahi.

Foi Só Um Acidente, vencedor da Palma de Ouro deste ano, é isso mesmo, começa com um simples acidente e - acrescentando o enredo progressivamente personagem a personagem – constrói um thriller slow cinema, não temos picos na tensão arterial, mas a tensão, a dúvida e o dilema estão sempre lá.

Claro que é um filme extremamente político, estamos a falar de alguém que encontra uma pessoa que pode ter sido o carrasco do regime que lhe arruinou a vida, mais político do que isto não há, mas é um filme muito intimista porque nos confronta com uma questão, mais do que a vingança, importa saber até quando vamos perpetuar a violência.

Tal como na vida real, às vezes as situações são tão trágicas que parecem absurdas, e há um sentido de nonsense que atravessa todo o filme que me agradou particularmente.

Um dos melhores filmes de 2025, o cinema iraniano nunca desilude (quem não aprecie que fuja disto como o diabo da cruz).

 

25
Nov25

Dos filmes que amamos - O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho

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Um dos meus filmes preferidos de 2016 apanhou-me totalmente desprevenido, Aquarius, a história de uma mulher que vive no Recife e resiste a vender o seu apartamento para aí ser construído um novo empreendimento em frente à praia, essa mulher era (é) interpretada por Sónia Braga e não retive então o nome do realizador, Kleber Mendonça Filho, que realizou agora este que era um dos filmes que eu mais aguardava em 2025.

O Agente Secreto, o filme mais premiado em Cannes 2025, com a melhor realização e interpretação masculina, é mais um filme passado na ditadura brasileira, uma história de espiões e de bandidos em 1977, um thriller com muito amor ao cinema, um filme que enaltece os heróis discretos, sem nunca os vitimizar, de subtis homenagens e com muita sátira, o humor atravessa todo o filme.

A reconstituição histórica, social e psicológica daquela sociedade é absolutamente notável, parece que fechamos os olhos e mergulhamos naquela cidade, que nos cruzamos com aquelas pessoas, que ouvimos as suas crenças e superstições, que sofremos com o preconceito do Sul, e que testemunhamos a militância discreta de quem resistia, a possibilidade de existir uma perna peluda a fazer patifarias pela cidade, à época, não era mesmo uma ideia estapafúrdia.

Não vi Narcos e não me recordava de Wagner Moura, que interpretação colossal, a nomeação ao Óscar parece garantida e eu já sei por quem vou torcer.

O cinema brasileiro continua em altas, O Agente Secreto é sem dúvida um dos meus filmes preferidos de 2025.

 

23
Nov25

Das séries de que gosto - A Diplomata

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Há séries que nunca conseguem a consagração que merecem, A Diplomata é uma dessas séries e não sei bem porquê, talvez pela manda-chuva ser bonita demais, talvez por ser algo inverosímil que uma embaixadora reúna tanto poder e consiga resolver tantas trapalhadas, ou então por ser tudo muito bonito e requintado, se calhar tudo isto faz com que The Diplomat não seja muito levada a sério, mas esta desconfiança é só tola, é uma série espetacular, com interpretações excelentes a servir ação tensa, muita intriga, geopolítica e alguma sexyness, vale mesmo muito a pena.

Na Netflix.

 

21
Nov25

Dos filmes que vejo - Bugonia, de Yorgos Lanthimos

BURRO VELHO

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Não acho piada nenhuma a filmes sobre delírios e teorias da conspiração, quando tudo é tonto só porque a personagem está numa espécie de alucinação, e tudo deixa de fazer sentido porque tudo pode acontecer apenas porque sim, por isso o problema é meu, admito já que sim.

Fui ver o novo filme de grego Yorgos Lanthimos pelo hype que o filme está a merecer (sala cheia num dia de semana), pelo realizador, pelas aguardadas nomeações para a temporada de prémios e pela dupla de atores, Emma Stone e Jesse Plemons, que estão muitíssimo bem, mas detestei Bugonia, que suplício, que tédio, que diálogos intermináveis, para mim a coisa não funcionou.

 

19
Nov25

Das pessoas que (já) não admiramos - Cristiano Ronaldo

BURRO VELHO

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Cristiano Ronaldo admite que sente admiração por Donald Trump, pelo menos é coerente da parte de quem admira tanto o regime da Arábia Saudita.

É para o lado que ele dorme melhor, mas eu admito que (já) não sinto admiração nenhuma por CR7.

Em tempos idos - quando vivi no estrangeiro, aonde ele era detestado - muito o defendi, pelo seu foco no trabalho e amor à família. 

Entretanto fui-me rindo, com alguma condescendência, de alguns momentos confrangedores, como o da recente entrevista a Piers Morgan.

Agora para mim já é demais, desejo-lhe que continue a ganhar muitos milhões e, se tiver mesmo de jogar, que nos ajude a sermos campeões, mas há muito que deixou de ser um símbolo do meu Portugal.

 

18
Nov25

Das séries de que gosto - The Girlfriend (A Namorada)

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A Namorada (The Girlfriend), minissérie realizada e interpretada por Robin Wright, é um thriller psicológico de grande entretenimento, que ao longo dos seis episódios nos vai dando a perspetiva da mãe (frágil ou obcecada) e da namorada (doce ou maquiavélica), mostrando-nos a narrativa de que os mesmos factos podem sempre ser vistos por prismas diferentes.

Em cada episódio nunca sabemos bem em quem acreditar, e temos a noção que tudo pode mudar a qualquer momento, com suspense e tensão, abordando ainda temas importantes, como a maternidade tóxica ou a distorção das memórias.

Mesmo com um final algo frouxo, A Namorada é mais uma daquelas séries medianas de excelente qualidade, destacando-se a dupla de atrizes que nos prendem ao ecrã, Olivia Cooke e a elegantíssima Robin Wright.

 

02
Nov25

Dos filmes de que gostamos, das coisas de cinema e do Dia de Finados – Gente Vulgar, de Robert Redford

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A propósito da morte recente de Robert Redford, vi há poucos dias uma reposição no cinema Nimas do primeiro filme realizado por si, Gente Vulgar (Ordinary People), vencedor surpresa do óscar de melhor filme e de melhor realizador em 1981.

Recordo-me de tê-lo visto nos anos 80 e da sensação então de não ter sensibilidade, ou maturidade, ou ambas, para apreciar o filme, mas nestes 30 e tal anos o filme envelheceu muito bem para mim, a subtileza contida como aborda o luto, a culpa, a reconstrução familiar, a repressão emocional, tudo com uma grande elegância e elevação, mas com a angústia à flor da pele, belíssimo filme este que Redford nos deixou.

Num ano com grandes filmes em contenda (estreados em 1980), Touro Enraivecido, O Homem Elefante, Tess, Star Wars, Fame, entre outros, apraz-me saber, passado tantos anos, que um filme discreto como Ordinary People tenha ganho.

Robert Redford nunca ganhou um óscar de interpretação (além de realizador ganhou dois honorários), nunca foi reconhecido pelos seus pares com um grande ator, não obstante ter interpretado filmes memoráveis como Os Homens do Presidente ou África Minha (na minha opinião era um excelente ator), mas Redford ia muito além do grande ecrã, mesmo no cinema, onde por exemplo fundou o festival de cinema de Sundance, atualmente talvez a mais importante montra de cinema independente no mundo, mas também como cidadão, um homem de causas, ambientalista que se refugiou no seu rancho, Redford era um baluarte da América boa, aquela América que nós tanto apreciamos, progressista, educada e respeitadora - que falta nos fazem estas vozes na América de hoje.

A minha geração que adora cinema já começou a assistir à partida dos seus ídolos, já nos despedimos de gente como Diane Keaton, Gene Hackman, Donald Sutherland, Maggie Smith ou Claudia Cardinale, e olhamos com ansiedade para aqueles que ainda estão no ativo mas que nunca sabemos se ainda os voltaremos a ver, Jack Nicholson, Clint Eastwood, Judi Dench, Woody Allen, Vanessa Redgrave, Michael Cane, Shirley Maclaine, Sofia Loren ou Fernanda Montenegro, e por aqui continuava, pelo que neste dia de hoje, que é o Dia de Finados, celebremos também os nossos mortos do mundo do cinema.

 

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