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BURRO VELHO

BURRO VELHO

31
Dez25

Dos meus filmes preferidos de 2025

BURRO VELHO

 

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O meu Top 10 dos filmes vistos em 2025:

1 - O Agente Secreto (Brasil)

2 - Foi Só Um Acidente (Irão)

3 - Sirat (Espanha)

4 - Batalha Atrás de Batalha (EUA)

5 - O Brutalista (EUA)

6 - Ainda Estou Aqui (Brasil)

7 - Manas (Brasil)

8 - Pecadores (EUA)

9 - A Semente do Figo Sagrado (Irão)

10 - On Falling (Portugal/UK)

 

Menções honrosas para: Blackbag; Train Dreams; Depois da Caçada.

 

30
Dez25

Dos filmes de que gostamos - Jay Kelly, de Noah Baumbach

BURRO VELHO

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Jay Kelly, de Noah Baumbach, é muitas coisas juntas no mesmo filme, é uma espécie de homenagem ao cinema e às grandes estrelas de Hollywood, mas é também uma reflexão sobre se vale a pena ser palerma nesta vida, porque a solidão, mesmo daqueles que andam sempre com um batalhão de pessoas atrás, é… tramada.

O retrato intimista de um astro do cinema que parece arrependido de toda a vida ter sido um sacana, alguém que é conhecido no mundo inteiro mas que ninguém o conhece a si, nem ele próprio, o culto da personalidade e a fama efémera, o humor melancólico meio apatetado, o lado mais onírico e infantil do filme, a forma como o filme saltita entre um lado mais sério com um lado mais divertido, uma espécie de toca e foge sem nunca desenvolver nada com muita profundidade, admito, mas para mim o filme é muito bem conseguido, de uma grande ternura.

Se George Clooney parece estar a fazer de si próprio, um galã à moda de Gary Cooper, se calhar o último dos grandes galãs do cinema, o número de grandes atores notáveis a aparecer no ecrã é impressionante, logo a começar pela Laura Dern, que está muito bem, até Emily Mortimer (também argumentista), Greta Gerwig (mulher do realizador), Alba Rohrwacher, Billy Crudup, Jim Broadbent, Patrick Wilson, Eve Hewson, etc etc, mas, a meu ver, a aura fofinha do filme está toda sustentada no agente, e amigo, Adam Sandler, talvez a sua melhor performance de sempre - é com alguma injustiça que prevejo que vá falhar a nomeação a Óscar de melhor ator secundário.

Que bela forma de acabar o ano cinematográfico.

Na Netflix, sem passar pelas salas de cinema.

 

c

29
Dez25

Das séries de que gosto - All Her Fault

BURRO VELHO

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All Her Fault tem algumas incongruências de argumento um pouco irritantes, mas ainda assim é uma minissérie muito bem feita, oito episódios em que a história progride sempre sem pausas.

É essencialmente um thriller sobre uma criança raptada, cujo segredo só é desvendado no final, mas é também sobre relações familiares e dinâmicas, sempre complicadas, de casamentos, com uma masculinidade tóxica, mais ou menos disfarçada, a incutir nas mães que tudo o que corre menos bem na vida dos filhos é por culpa delas, porque os pais carinhosos, que estão sempre a elogiar a bravura das mães, esses estão ocupados a trabalhar.

No luxo das vidas de sonho dos subúrbios de Chicago, All Her Fault, com um elenco fantástico liderado por Sarah Snook, a Shiv Roy the Succession, é daquelas séries em que é difícil resistir a ver de seguida o episódio seguinte, muito bom.

Na Skyshowtime.

 

28
Dez25

Dos filmes que adoramos - On Falling, de Laura Carreira

BURRO VELHO

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Na tradição do cinema realista britânico e dos filmes de Ken Loach, um dos produtores do filme, diga-se, On Falling, da estreante realizadora Laura Carreira, é cinema internacional, escrito, realizado e interpretado por portuguesas, e cinema de primeiríssima água.

Aurora é uma emigrante portuguesa na Escócia, uma rapariga tímida e com dificuldades em comunicar, com um trabalho precário num armazém profundamente desumanizado, onde ninguém sabe o nome dos colegas com quem se sentam no refeitório, uma rapariga que encontra no telemóvel o mundo que lhe falta, telemóvel esse que aprofunda ainda mais a terrível solidão em que vive.

É um retrato quase documental de vidas que são meras repetições de tarefas mecânicas, sem espaço para sentimentos e coisas bonitas, aqui não entra a arte nem o sonho, aqui o ponto alto das horas passadas fora da fábrica é lavar a roupa, I do the laundry.

A vergonha, a maldita vergonha que nos impede de pedir ajuda e nos afasta ainda mais de Portugal quando somos emigrantes e a vida nos corre mal, a forma como Aurora (e nós também) desaba numa entrevista de emprego e se apercebe que não tem vida fora daquele armazém, que apenas subsiste, On Falling mostra-nos tudo isso com muita crueza, mas ao mesmo tempo de forma muito contida e depurada, e até com uma nota de redenção e de esperança.

A atriz Joana Santos é absolutamente portentosa, agarra-nos em todas as cenas, que é o mesmo que dizer que não a largamos nem por um segundo em todo o filme, maravilhosa.

On Falling, filme português de produção britânica, farto de ganhar prémios e nomeações muito importantes por essa Europa fora, é um dos melhores filmes do ano.

Nos canais TV Cine.

 

 

27
Dez25

Dos filmes de que gostamos - Train Dreams, de Clint Bentley

BURRO VELHO

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Train Dreams, do realizador Clint Bentley, foi o filme ideal para ver no quentinho do sofá natalício, aquele dia em que estamos mais pachorrentos e com mais disponibilidade para ver filmes pachorrentos.

Sonhos e Comboios acompanha os 80 anos de vida de um lenhador eremita da América profunda do final do século XIX, um filme muito contemplativo que nos mostra as mudanças do homem e da natureza ao longo da vida, e como umas impactam as outras.

De inspiração muito Malickiana, cada cena em que vamos ouvindo o narrador é como se estivéssemos a ler a página de um litro, todos os planos, e não só nos que vemos árvores, são muito poéticos

Todo o elenco é notável, como a fugaz e fulgurante Kerry Condon, mas a rudeza sensível de Joel Edgerton é muito expressiva e comovente, cada olhar, cada ruga, cada gesto, uma interpretação cheia de força e vulnerabilidade, só não torço para a sua nomeação ao Óscar porque palpita-me que a luta para a quinta nomeação será entre Edgerton e o nosso maravilhoso Wagner Moura.

Se a fotografia de Adolpho Veloso é magnética, a banda sonora de Bryce Dessner (da banda The National), e a canção de Nick Cave, são perfeitas.

Train Dreams é puro slow movie, apesar de não ser longo pode ser difícil mantermo-nos sempre acordados, no meu caso, que fui pregando o olho aqui e acolá, enrolado no calorzinho das mantas caseiras, com o comando a andar para trás sempre que necessário, foi um filme certeiro, sobre a vida, a passagem do tempo e as memórias que vamos deixando uns nos outros, e também sobre outras coisas, sobre o romance, a perda, o racismo, ou a violência, muito bonito.

Na Netflix, sem passar nas salas de cinema.

 

21
Dez25

Dos filmes de que gostamos - Wake Up Dead Man - A knives Out Mistery, de Rian Johnson

BURRO VELHO

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Do franchise de filmes de crime e mistério Knives Out, com o detetive Benoit Blanc, temos agora este Wake Up Dead Man – A Knives Out Mistery, escrito, produzido e realizado por Rian Johnson.

Os filmes de Johnson procuram sempre a excentricidade e o burlesco, sempre muito rápidos, com muita coisa a acontecer no ecrã e com uma estética muito própria, não faltando nesta saga suspense, humor e sátira social, percebo quem adore, percebo quem ache tudo apatetado e superficial, eu, sem fazer parte do clube dos que adora, costumo alternar entre o gostar e o gostar muito, este filme em particular foi daqueles de que gostei muito.

Josh O’Connor tem o toque de Midas, tudo o que faz é genial, e carrega o filme às costas em quase todas as cenas, muito bem amparado por Daniel Craig e Glenn Close, todos brilhantes num filme coral, como são sempre os filmes destes universos Agatha Christie.

Na Netflix, sem passar pelas salas de cinema.

 

19
Dez25

Dos filmes de que gosto - Nuremberga, de James Vanderbilt

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Se eu fosse historiador, ou antropólogo, gostaria de estudar o pós-nazismo no final da Segunda Guerra Mundial, é um tema que sempre me despertou muito interesse, a banalidade do mal, entender como é que se convivia com o horror, se as gentes tinham essa consciência, como é que as gerações mais novas perdoaram as gerações mais velhas que foram coniventes, como se consegue a redenção de um povo, por isso, gosto especialmente de ver filmes sobre esta temática.

Nuremberga, do realizador James Vanderbilt, sobre o julgamento aí realizado das 22 mais altas patentes do regime Nazi capturadas vivas, talvez não seja um filme com muito rasgo em termos cinematográficos, é uma espécie de António José Seguro dos filmes, mas se esquecermos o fraquíssimo Rami Malek na personagem do psiquiatra que se torna amigo de Göring, o sucessor de Hitler na hierarquia, temos um bom filme, as cenas do Tribunal Internacional Penal são muito bem conseguidas, com algumas transcrições do que foi verdadeiramente dito em Nuremberga, sustentadas numa interpretação fortíssima de Russel Crowe (sou insuspeito, não sou fã).

Como bónus, ficamos a conhecer um pouco mais de História, e somos recordados de algumas verdades atualmente tão ameaçadas, tolos são aqueles que acreditam que o mal vem sempre de uniforme militar, ou nem todos os alemães comungavam das ideias de Hitler, mas quando acordaram para o tentar conter já era tarde demais.

 

17
Dez25

Do teatro de que gosto - Oleanna

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Muito antes da era do Me Too e do Wokismo, em 1994 David Mamet escreveu uma peça muito controversa sobre as fronteiras do assédio sexual, sobre a linha vermelha do que é aceitável ou punível.

Em Oleanna, temos uma estudante universitária que pede ajuda a um professor porque não consegue perceber as suas aulas, mas este, em vez de a querer ajudar, está mais empenhado na sua promoção e numa casa nova.

Num duelo intenso e muito palavroso entre professor e aluna, nunca sabemos de que lado está a verdade, provavelmente não estará apenas num dos lados, mas isso cada espetador fará a sua reflexão.

Com encenação de Carlos Pimenta, num cenário um bocado claustrofóbico, o ator João Pedro Vaz está muito bem, mas os meus olhos não largaram a Bárbara Branco, um prodígio.

No Teatro São Luiz, muito bom.

 

16
Dez25

Dos espetáculos de que gosto - Romeu e Julieta, pela Companhia Nacional de Bailado

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Manda a tradição caseira abrir as hostes natalícias com uma ida ao ballet, este ano calhou em sorte ‘Romeu e Julieta’, uma coreografia clássica de John Cranko a partir da história sobejamente conhecida de Shakespeare, com música de Serguei Prokofiev.

Bailarinos e corpo de baile, cenários, figurinos, a Orquestra Sinfónica Portuguesa, orientada pelo maestro Cesário Costa, tudo extraordinário, é impressionante se pensarmos em tantas dezenas de artistas em palco com uma qualidade de produção tão elevada.

Entre as pessoas que gostam de ver dança, discute-se muito se ballet clássico ou dança contemporânea, eu, arrebatando-me esta última mais facilmente, também gosto imenso do repertório clássico, mesmo sendo este ‘Romeu e Julieta’ mais teatral do que dançado.

Preferia ter visto mais dança? Sim, mas ainda assim tão bom.

 

13
Dez25

Dos espetáculos que adoro - A esta hora, na infância neva, de Victor Hugo Pontes para a Companhia Maior

BURRO VELHO

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A Esta Hora, Na Infância Neva é um verso de Manuel António Pina, que Victor Hugo Pontes foi buscar para o título da sua nova criação de dança contemporânea para a Companhia Maior.

Começamos por ver em palco um nonagenário com um pujante bailarino de 30 anos, se para um, o gesto de rodar uma bola de basquete por trás do pescoço é inconsciente, para o outro, é um esforço que exige várias ações, e é isto que temos em A Esta Hora, Na Infância Neva, o confronto de corpos ágeis e estouvados de bailarinos jovens, com a fragilidade de corpos idosos, aquilo que eu já fui e ainda gostaria de ser, em confronto com aquilo que um dia virei a ser, um corpo marcado pela minha história, da infância à velhice.

Tal como na vida, um sopro veloz, em A Esta Hora, Na Infância Neva os momentos festivos e de exaltação saltitam com o medo da perda, da ausência, tal como na vida, vamos num instante da alegria à dor, e logo regressamos à festa para conseguirmos sobreviver.

Temos em palco um bailarino músico cheio de pinta, que nos leva com as suas canções, temos dois esplêndidos bailarinos com uma energia transbordante no movimento e no aconchego aos seis ‘maiores’, que nos exibem o seu orgulho, em serem velhos.

O tema da velhice, e a forma como os mais jovens se relacionam com os idosos, é algo de muito importante para mim, talvez por isso, não sei, me tenha comovido até às lágrimas na grande ovação final, que coisa tão boa ter podido estar ali naquela plateia, o Victor Hugo Pontes, o novo diretor artístico do TNSJ, é mesmo um coreógrafo genial.

No CCB.

 

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