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BURRO VELHO

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28
Fev26

Da nova casa do Burro Velho

BURRO VELHO

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O Burro Velho despede-se aqui hoje de vós.

Quando o Burro começou, já os blogues tinham caído em desuso, vários especialistas em marketing digital alertaram que para ter seguidores e visualizações o Instagram ou o TikTok eram as melhores soluções, os blogues têm muitas palavras e as pessoas não têm nem disponibilidade, nem pachorra, para textos longos, não importava, era isso mesmo o que eu pretendia, o uso da palavra.

Nunca procurei números de leitores ou de visualizações, tão pouco atribuo tanta importância à minha opinião sobre os temas que fui publicando, porem fiquei sempre muito contente por fazer este percurso acompanhado por alguns de vós, sempre o prazer da escrita e da partilha.

Escrevi sobre assuntos de sociedade e de política, gosto de pensar política, de escrever sobre a atualidade, acho importante que as pessoas se afirmem e tomem posições, fui elogiado e fui insultado, foram sempre esses os temas que suscitaram maior interesse, num dos posts usei inadvertidamente a palavra javardice no assunto e rapidamente viralizou, quase 100.000 pessoas leram esse texto, foi interessante perceber os truques para a nossa voz poder chegar a tantas pessoas, para o bem e para o mal, não mais voltei a repetir essa receita.

Ultimamente tenho escrito sobretudo sobre filmes, séries, livros e espetáculos, temas que atraem menos leitores – contudo, os mais fiéis -, não me tem apetecido escrever sobre outras coisas, por vezes apetece-me falar sobre o Mourinho e o Prestianni, mas depois penso que não merece o esforço.

Os blogues estão mesmo a acabar, talvez no futuro a palavra volte a ser acarinhada, sobretudo porque a velocidade das redes sociais começa a estar tão saturada, e tão perigosa.

A plataforma SAPO, onde o Burro Velho está alojado, comunicou a sua descontinuação a partir de 30 de junho, por isso o Burro Velho vai mudar de casa e de ora em diante poderá ser encontrado em Burro Velho.

Não sei se o Burro Velho vai aproveitar esta mudança para hibernar um pouco, dedicar-se a outras escritas e a outras experiências, partilhando apenas pequenos textos sobre cinema na Letterboxd, veremos, mas desde já me despeço aqui de vós.

Um profundo agradecimento a quem me tem seguido, que bela jornada esta a do Burro Velho.

Bem hajam.

 

27
Fev26

Da festa dos Óscares - previsões e preferências

BURRO VELHO

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2025 foi uma grande colheita cinematográfica, como se pode atestar na qualidade dos filmes nomeados aos óscares, fora os muitos outros que também poderiam ter sido nomeados e ficaram de fora (Manas, House of Dynamite, After the Hunt, Black Bag, On Falling ou Pillion são só alguns exemplos de que me recordo).

Entre as principais categorias, só ainda não vi a Amy Madigan (atriz secundária) e A Voz de Hind Rajab (Tunísia), e começo pelos candidatos a melhor filme falado em língua não inglesa, amei incondicionalmente os outros quatro nomeados: Sirât (Espanha), Foi Só Um Acidente (mais ou menos Irão), Valor Sentimental (Noruega) e O Agente Secreto (Brasil), os últimos dois também na corrida para o prémio principal, melhor filme.

Para atriz secundária, sendo muito remota a hipótese de Inga Ibsdotter Lilleaas ganhar, e acreditando no desempenho de Amy Madigan, que ganhe qualquer uma que estará muito bem.

Os nomeados para atores secundários são todos brilhantes, se bem que trocava o Jacob Elordi ou pelo Paul Mescal ou pelo Adam Sandler (na minha opinião os grandes injustiçados deste ano), mas não há como evitar, só pode ganhar o Stellan Skarsgard.

As atrizes principais estão todas perfeitas, derreti-me com a Kate Hudson, adorei a Rose Byrne e, especialmente, a Renate Reinsve, mas também não há como evitar take II, só pode ganhar a Jessie Buckley, seria um ultraje se não ganhasse.

Nos homens, confesso que o Michael B. Jordan não me arrebatou, o DiCaprio arrasou por completo e merece ser visto como o grande ator que é, mas o meu coração balança entre Wagner Moura e Ethan Hawke, portentosos, mas parece que a estatueta já tem dono, é desta que o Xalalá leva o prémio, e não sendo o meu favorito não deixa de ser merecido.

Nos realizadores não há cá história, tem de ser Paul Thomas Anderson, pelo filme deste ano e por todos os outros, ponto final.

Quanto a melhor filme? Não gostei de Frankenstein nem de Bugonia, F1 é um bom filme, mas para outro campeonato, gostei de Train Dreams mas fico satisfeito se o brasileiro Adolpho Veloso ganhar na fotografia, e Marty Supreme não é de todo um mau filme, mas depois temos as cinco, para mim, naturalmente, obras-primas.

O vampiresco Sinners, que transborda política, poesia e blues, o puro entretenimento que é Batalha Atrás de Batalha, ele é chinfrim, ele é profundidade humana, ele é retrato social, a dor de Hamnet, os heróis discretos da ditadura brasileira em O Agente Secreto, e, talvez o meu preferido de todos, o norueguês Valor Sentimental.

Sinners bateu o recorde absoluto de nomeações e tem algum favoritismo, mas o meu palpite sobre quem vai levar o prémio maior é Batalha Atrás de Batalha.

E que seja um bom espetáculo, de celebração do cinema, com fatiotas deslumbrantes na red carpet, a recordar os que partiram no Ad Memoriam, com boas piadas do anfitrião Conan O'Brien e um bom número de abertura, e se possível com alguns discursos empolgantes.

 

26
Fev26

Dos filmes que adoramos - Blue Moon, de Richard Linklater

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Blue Moon, realizado por alguém que muito admiro, Richard Linklater, é um daqueles filmes que parece uma peça de teatro, um único cenário, atores a entrar e sair, e um texto, no seu minimalismo é um filme intimista, espirituoso e comovente.

Uma dupla de compositores famosos da Broadway, autores de êxitos como My Funny Valentine e a Blue Moon que dá título ao filme, desfaz-se, não por falta de cumplicidade artística ou empatia pessoal, mas porque um dos elementos, Lorenz Hart, enfrenta sérios problemas de alcoolismo e de saúde mental, é tramado quando um génio não se torna confiável.

Ethan Hawke interpreta esta personagem que se destrói, que se humilha, que seduz e que não perde alguma perfídia durante a sua derrocada, que se enamora de forma meio naif meio voyeurística por uma cintilante Margaret Qualley, amparado pelo barman bom ouvinte Bobby Cannavale que o sabe escutar, ao som de um piano jazzístico com canções dos anos 40, tudo isto com o amor paternalista e fraterno da outra metade da dupla, um superlativo, como sempre, Andrew Scott, Blue Moon é uma autêntica pérola.

Não fora o grande favoritismo de Thimothée Chalamet e uma certa aura de fascínio à volta de Wagner Moura, e este ano devia ser o ano da grande consagração de Ethan Hawke, que desempenho magnífico, o melhor do ano, brilhante.

 

24
Fev26

Dos filmes de que gostamos - O Monte dos Vendavais, de Emerald Fennel

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Consigo compreender porque é que os admiradores da obra de Emily Brontë, O Monte dos Vendavais, escrita há quase 200 anos, gritam, quase em uníssono, que este filme de Emerald Fennel é grotesco, um ultraje, um horror, mas eu nunca li o livro, e talvez por isso, gostei muito deste O Monte dos Vendavais.

Fennel (de quem já tinha gostado muito do seu último filme, Saltburn) não quer ser fiel à obra nem à metafísica das paixões impossíveis, ela prefere recriar tudo com excesso, mais do que a palavra é a imagem, a cor, a carnalidade dos corpos, a fatalidade do destino.

Percebo quem entenda que o filme é pretensioso, desequilibrado, exagerado, para mim foi um filme com ritmo, vibração e fisicalidade, e isso é bom.

Até aqui Jacob Elordi, já uma estrela mediática de Hollywood, tinha-me passado despercebido (mesmo no oscarizável Frankenstein), mas gostei muito do seu Heathcliff, a roçar entre o tóxico e intimidante com a fragilidade do amante incorrespondido, fazendo uma dupla muito convincente com (a pouco mais do que telegénica) Margot Robbie.

Nota de destaque ainda para as canções de Charli XCX, caíram que nem um luva neste festival pop.

 

22
Fev26

Das séries que eu vejo - Pluribus

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Heresia das heresias, eu, amante confesso de séries, nunca tive curiosidade em ver Breaking Bad, mas redimo-me ao me afirmar grande fã de Better Call Saul, com a fantástica Rhea Seehorn.

Do mesmo criador de ambas, Vince Gilligan, Pluribus é uma parábola prodigiosa sobre algumas questões metafísicas, e se de repente para haver paz no mundo todos temos de pensar igual, e se o meu direito a me irritar colide com os direitos fundamentais de outras pessoas, e se, e se, o argumento é muito engenhoso, rico, tudo é muito bem feito, mas para mim, tirando o efeito de surpresa inicial, foi tudo um bocejo, lamento, e não foi por existirem muitas cenas demasiado lentas, o meu problema não foi esse, foi mesmo falta de emoção.

 

21
Fev26

Dos filmes mediocres - Primeira Pessoa Do Plural, de Sandro Aguilar

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Será possível devolverem-me pf o preço do bilhete?

Um cartaz bonito e uma dupla de protagonistas que admiro profundamente (Albano Jerónimo e Isabel Abreu), não hesitei, mas senti este filme como um ultraje.

Gostasse mais ou menos, nunca antes tinha saído da sala de cinema a meio de um filme, pois bem, aconteceu, o sofrimento estava-me a ser insuportável. Éramos poucos, 15 pessoas, quando o filme terminou, creio que não deveria estar ninguém, foi a debandada geral.

Mau demais.

 

 

19
Fev26

Dos filmes de que gostamos - Se Eu Tivesse Pernas Dava-te Um Pontapé, de Mary Bronstein

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Se Eu Tivesse Pernas Dava-te Um Pontapé, de Mary Bronstein, fala-nos de uma maternidade algo envergonhada, aquela que aguenta um marido ausente e conflituoso, um trabalho exigente, uma casa com um buraco no teto, e ainda tem de ser amorosa e cuidadora de uma filha doente e embirrenta, por vezes uma mãe só quer desaparecer e beber uns copos e fumar umas coisas, o filme respira saúde mental, tensão, ansiedade e risco por todos os poros.

Desconhecia Rose Byrne, mas que atriz fenomenal, estamos siderados a olhar para ela em todas as cenas do filme, um papelão inesquecível, que contracena com Conan O’Brien, seu colega e terapeuta, sendo que Conan O’Brien vai ser o apresentador da próxima cerimónia dos Óscares, seria engraçado vê-lo a entregar-lhe a estatueta, não fosse existir Jessie Buckley e o prémio era seu.

 

10
Fev26

Dos filmes que vejo - Marty Supreme, de Josh Safdie

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Marty Supreme não é um mau filme, tem coisas muito boas, é bom entretenimento, com uma fortíssima direção de atores, a fotografia, não deixando de ser irritante alguma glorificação de uma masculinidade tóxica muito acentuada neste jovem americano dos 50, mas ok, o cinema não é só sobre personagens recomendáveis.

Sendo um bom filme, não é, contudo, um grande filme, está vários furos abaixo de outros que estão na corrida para os óscares deste ano, fiquei com a sensação que foi sobretudo uma maneira de Josh Safdie mostrar mais uma vez que domina a arte de realizar filmes, ele faz coisas muito fixes, mas cinema frenético de alta voltagem sem aquela chispa ou centelha, é só mais cinema frenético de alta voltagem, eu cá saí da sala de cinema como tinha entrado, está visto.

O grande favorito para a estatueta dourada de melhor ator é Timothée Chalamet, não sendo o meu favorito, tenho de reconhecer que também será um justo vencedor, brilhante.

 

07
Fev26

Dos filmes que vemos - F1, de John Kosinski

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F1 é um filme competente que se vê com agrado, tem os clichés todos, o regresso do herói, o rookie insolente, a adrenalina da velocidade e a dupla amorosa Brad Pitt-Kerry Condon com a chispa necessária, é bom cinema de entretenimento do realizador Joseph Kosinski, que já tinha realizado o também muito competente Top Gun: Maverick, mas daí até ser nomeado para melhor filme, os votantes da Academia de Hollywood estavam distraídos.

 

06
Fev26

Dos filmes que adoramos - Hamnet, de Chloé Zhao

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O argumento de Hamnet sugere que Shakespeare escreveu uma das suas principais tragédias, Hamlet, para superar o luto da morte do seu filho varão, não se sabe se esta história é verídica, é indiferente se sim ou não, digo eu.

Muitos espetadores irão às lágrimas (ouvi muitas fungadelas numa sala cheia absolutamente silenciosa), outros acharão uma lamechice pegada, não verti uma lágrima, não achei nada piegas, pelo contrário, em Hamnet há muita contenção apesar de não haver medo de nos enfiar a pior tragédia de todas por nós adentro.

Depois da agonia de perder um filho, a futilidade de continuar, a incapacidade de tomar decisões, to be or not to be, vale a pena viver ou simplesmente desistir, alguém que viva por nós porque já não se consegue, dois pais destruídos a afastarem-se no seu luto insuportável, mas se o pai William não pode devolver a vida ao seu filho, o dramaturgo Shakespeare reduz a sua personagem a um fantasma e dá vida eterna a quem partiu, trazendo o perdão e a paz a quem sofre, a arte que por vezes pode salvar.

Sou grande fã de Paul Mescal, seguramente um dos meus atores favoritos da atualidade, e parece-me um ultraje não ter recebido a nomeação para o óscar de melhor ator secundário (e já vi todas as interpretações nomeadas), mas a irlandesa Jessie Buckley tem um dos melhores trabalhos de que me recordo nos últimos anos, da leveza, da intuição, do instinto protetor, da destruição, da redenção, das pazes consigo e com o seu marido, tudo cabe no seu olhar, é visceral, o óscar só pode ser seu (e Byrne e Reisnve estão também fenomenais).

Temos ainda os jovens atores que fazem de gémeos, o pequeno Hamnet Jacobi Jupe, a avó Emily Watson, a música de Max Richter, a fotografia, para mim tudo funcionou, há filmes perfeitos, Hamnet, mesmo sendo agreste para quem tem problemas com a perda e com o luto, é um deles.

 

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