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BURRO VELHO

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25
Mar23

Dos espetáculos de que gosto - Na Colónia Penal

BURRO VELHO

nacoloniapenal

 

Gesamtkunstwerk é um palavrão em alemão que se aplica à ópera e que quer dizer, obra total, porque conjuga muitas artes numa só arte, música, canto, teatro, dança, literatura e artes plásticas - NA COLÓNIA PENAL é uma ópera contemporânea (cantada em inglês) de Philip Glass, o mestre do minimal repetitivo, com base num conto de Kafka e adaptação do libreto dum senhor chamado Wurlitzer, aqui com direção musical de Miguel Sousa Tavares, encenação de Miguelinho Loureiro e movimento do meu querido amigo Miguel Pereira.

Há espetáculos em que nos deixamos arrebatar por tudo em simultâneo, há outros que gostamos mais dumas coisas do que outras, estabelecemos mais conexão com isto e menos com aquilo, e contendo a ópera tantas artes dentro de si mais facilmente isso pode acontecer, sobretudo nas contemporâneas, e quando tal acontece continua a ser bom na mesma se nos permitirmos apreciar e admirar aquilo que nos faz gostar mais, assim foi comigo e com este Na Colónia Penal.

O texto é riquíssimo, toca nas dualidades do ser humano, na nossa capacidade de sermos tiranos e implacáveis, ou coniventes com a tirania e maldade, e logo a seguir sermos tocados pela compaixão, é um texto negro, onde há maldade mas não há culpados, há dúvida, sempre a dúvida, e vem do Kafka, temos génio aqui, por isso não me ficará muito bem dizer isto, mas não me entusiasmei por aí além com o texto, achei a forma muito naif, shame on me mas no meu caso o sentido metafórico da coisa esbarrou numa quase infantilidade do texto.

Sobre os dois cantores, cumpriram, foram honestos, este qualificativo simpático que quase sempre é mais depreciativo do que elogioso, mas estiveram longe de me deixar com pele de galinha, tendo achado os performers sem texto mais convincentes, penso que a atenção do meu olhar ia mais na direção destes.

Gostei muito da dança, ou do movimento se quisermos ser mais softs porque não vemos dançar dançar, e da música, algumas vezes fechei os olhos para me deixar levar pelo ambiente criado pela mini orquestra de câmara, muito bom.

Ainda no São Luiz, e em breve no Porto, creio.

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