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BURRO VELHO

BURRO VELHO

28
Set25

Da atualidade - o mundo e a Comunicação Social

BURRO VELHO

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Eu, otimista convicto até à vitória de Trump, tornei-me, subitamente, um pessimista derrotado, tamanha a desgraça que se vê dentro e fora de portas, as notícias são tão impensáveis e risíveis que uma pessoa só pode duvidar da sua veracidade.

Cá dentro é o dislate do Chega a afirmar que o Presidente da República pode presidir ao Conselho de Ministros, é a Mortágua a desaparecer na flotilha e mandar o seu partido às malvas (e o país também, Portugal? Onde fica mesmo?), a Maria João Avilez indigna-se com o reconhecimento de Portugal do Estado Palestiniano e alguns portugueses insultam Isaac Nader porque acreditam que o tom de pele importa, se calhar é por isso que aí não se fizeram loas ministeriais à raça lusitana, enfim.

Lá fora é tudo o que gira à volta do triunvirato do mal, Netanyahu, Putin e Trump, os drones, o aproveitamento do assassinato de Charlie Kirk e as denúncias a quem falar mal nas redes sociais, o paracetamol e o autismo, o sofrível mármore do edifício da ONU, a Disney a tentar despedir o Kimmel, mas esperem, há mais gente a ensandecer, a França está tão desnorteada que Macron até vai apresentar provas inequívocas que a sua Brigitte é mulher e muito mulher – aguardemos com prudência pelo desfecho de Bolsonaro.

O desvario lunático que aí vai é tal que, neste mundo fake de inteligência artificial, duvidamos de tudo o que lemos, já não podemos acreditar em absolutamente nada exceto o que é noticiado pelos media credíveis, e este é o meu ponto, quando estes caírem de vez, e o escrutínio deixar de ser feito, vai ser a derrocada final.

Cá dentro os canais noticiosos são uma desgraça, dá dó ver jornalistas credíveis como Ricardo Costa a dirigirem um canal sensacionalista como a SIC Notícias, é a cobertura dos fogos, o Mourinho que já chegou a Portugal ou o André Ventura que deu um arroto, mas quantos de nós é que lhes podemos atirar a primeira pedra, quantos de nós é que pagamos pelas notícias que consumimos? Quantos de nós, que há uns anos íamos religiosamente comprar o Expresso ao sábado de manhã, continuamos a fazê-lo?

Nos Estados Unidos ainda há quem resista à política do lápis azul, Trump ameaçou o New York Times com um processo de difamação de 15 mil milhões de dólares, e os checks and balances daquelas bandas hoje em dia são o que são, mas o New York Times para já está a aguentar-se à bronca, mas para isso, além de tribunais independentes, é preciso um acionista sério e dinheiro nos bolsos.

É preciso voltar a pagar pela informação como fazíamos há 15 anos atrás, as democracias estão a desaparecer, sem órgãos de comunicação social independentes vão desaparecer mais rapidamente.

 

08
Set25

Da atualidade política - Carlos Moedas e o Elevador da Glória

BURRO VELHO

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Admito em tese que haja situações que exijam responsabilidades políticas, mas na maioria das vezes defendo que o político não deve virar a cara, esse poder-lhe-ia ser o caminho mais fácil, os outros que resolvam, não pertenço, portanto, ao clube dos que enaltecem a nobreza do exemplo, sempre invocado, do malogrado Jorge Coelho.

A tragédia do Elevador da Glória comoveu, certamente, todos os portugueses, a mim talvez um pouco mais pelo sentimento que podia ter sido comigo, sou utilizador frequente do elevador irmão da colina em frente, o do Lavra.

Assisto há muitos anos à ganância da Carris que encontrou ali um filão dourado, a chusma de turistas que resistem a filas gigantes para pagar um preço exorbitante (os viajantes com passe ou título pré-pago pagam a tarifa normal de qualquer autocarro) e poderem andar num ex-libris da cidade, a Carris tem (ou tinha) ali uma mina.

Todos aguardamos pela conclusão de todas as perícias e análises, explicações terão de ser dadas, eu próprio já fui andar no elétrico 28 depois do incidente, mas preciso de saber que a manutenção dos meios de transporte lisboetas é segura.

Não sou eleitor do Carlos Moedas, não contará com o meu voto, mas parece-me só tonto quando ouvimos vozes a exigirem a sua demissão, mesmo que ele a tenha exigido a Fernando Medina no caso dos dados para a Rússia, vamos perpetuar as burrices de alguém no passado?

Não estou certo de que se fosse seu votante lhe negaria o voto por causa das suas decisões na Carris, precisava de saber mais, mas qual demissão qual carapuça, o escrutínio que lhe façam os lisboetas no dia das eleições, que por acaso - azar dos Távoras? - é já daqui a um mês.

 

08
Out24

Da atualidade política - o discurso de Carlos Moedas no 5 de outubro

BURRO VELHO

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Carlos Moedas, presidente da Câmara de Lisboa, anunciou ao país no seu discurso do 5 de Outubro, que conseguiu “higienizar” (não é uma citação, só ironia) a zona circundante da Igreja dos Anjos, tendo instalado em pensões os muitos imigrantes e sem-abrigo que aí viviam em tendas de campismo há meses - muito bem, o país, e eu próprio que resido no bairro, gostámos de saber, abençoado o momento solene que obrigou a malta da Câmara a andar a correr na véspera para se poder propagandear tal feito em tão respeitosa tribuna, as cerimónias oficiais da implantação da república.

Não me venham agora dizer que se calhar esta solução já poderia ter sido encontrada há mais tempo, que o fez por estratégia política e não pelo bem-estar e segurança das pessoas ou que a azáfama pelo timing das festividades não justifica a correria com que puseram as pessoas a andar, de maneira que até perderam pelo caminho as suas poucas posses, isso são bocas de quem gosta ser do contra e de estar sempre a malhar no pobre Moedas, malta do reviralho, o que importa é que fez alguma coisa e alguma coisa terá ficado melhor – esperemos que haja uma estratégia pensada sobre o que fazer a seguir -, quem me dera a mim que no próximo discurso oficial na varanda dos Paços de Concelho, Carlos Moedas quisesse anunciar outro feito camarário, por exemplo que tinha conseguido higienizar (sem aspas) as ruas fedorentas e entupidas de lixo e entulho, sim, os bairros que movimentam mais pessoas, como Arroios e Santa Maria Maior, são uma lixeira aberta e quando um munícipe se queixa há um anedótico (e crónico) empurra responsabilidades entre a Câmara e as suas freguesias, é que não nos importamos mesmo nada do seu oportunismo político se nos for resolvendo um ou outro problema, pode ser senhor presidente?  

 

16
Jul24

Da (falta de) cultura na cidade de Lisboa - Adeus Politécnica

BURRO VELHO

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O Teatro da Politécnica foi nestes últimos 13 anos a casa emprestada dos Artistas Unidos, ali à entrada do jardim Botânico, na Rua que deu o nome ao Teatro, da Escola Politécnica, onde eu e tanta gente assistimos a dezenas de peças, sempre à pinha, quase sempre com o seu fundador Jorge Silva Melo por ali a verificar tudo, um sítio muito especial onde era oferecido à comunidade textos e encenações de excelência, aonde a cultura era acessível a módicos preços, diga-se.

Mas acabou-se, por ora, acreditemos, o que era doce, os Artistas Unidos foram hoje despejados pela proprietária do espaço, morte há muito anunciada, a Universidade de Lisboa, que quer ali instalar um museu, provavelmente alguma extensão do vizinho Museu de História Natural, desconheço – é questionável do ponto de vista da fruição pública o que será mais importante para a cidade, se um teatro com o calibre dos Artistas Unidos, ou se um museu, mas ainda vivemos num país em que a propriedade é privada e respeitada, e como tal assiste todo o direito à Universidade de Lisboa, e isso é absolutamente inquestionável.

Mas e o Senhor Presidente da Câmara de Lisboa, Dr. Carlos Moedas? Hein? Em que é que ficamos, enchemos a boca para anunciar em grandes parangonas durante as eleições um teatro em cada bairro, o que muito louvamos, mas ao mesmo tempo abandonamos os Artistas Unidos?

Infelizmente, tal não nos surpreende, o Senhor Presidente passa tempo demais a pensar em soundbytes e pouco a viver a cultura da cidade, algo que devemos exigir ao edil da capital, note-se, senão saberia a importância do aqui está em jogo e há muito que já tinha diligenciado uma solução, e mesmo que um dia a promessa do edifício d’ A Capital venha a ser cumprida, assim esperemos, é preciso uma solução já, até porque se no final do ano a Companhia continuar sem uma casa perde automaticamente os apoios da DGArtes, o que seria?

Uma lástima Senhor Presidente Moedas, uma lástima!

 

21
Mai24

Da atualidade política - os sem-abrigo e a autarquia de Lisboa

BURRO VELHO

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Viver na grande cidade embrutece-nos, aos poucos vamos interiorizando uma enorme apatia para com as pessoas que nos rodeiam, algo que felizmente nas terras pequenas ainda não acontece, ali o próximo ainda é um ser humano que nos convoca alguma humanidade.

A forma como percorremos as ruas de Lisboa e nem um olhar desviamos para os muito sem-abrigo com quem nos cruzamos é algo absolutamente perturbante, mas deixando esta matéria à consciência de cada um - descer, por exemplo, a avenida Almirante Reis e perdermo-nos na igreja dos Anjos é, e senão é devia ser, traumático - é importante dizer que este flagelo deve ser um imperativo nacional.

Dizem as notícias que se estima que atualmente haja em Lisboa cerca de 3.000 pessoas sem-abrigo, 300 das quais a viver mesmo na rua, número que eu diria estar subavaliado, a minha impressão é que o número de pessoas a dormir nas ruas é superior.

É por isso que eu aplaudo a iniciativa de Carlos Moedas de tentar interpelar o Governo, a Presidência da República e as outras autarquias da Área Metropolitana de Lisboa para tentarem arranjar uma solução conjunta, construindo centros de acolhimento que possam dar um teto a todas as estas pessoas, este de facto deve ser um desígnio nacional e não apenas um problema da cidade de Lisboa.

Ah, sendo eu residente em Arroios, o centro nevrálgico dos imigrantes sem-abrigo da capital, por se concentrarem aqui vários serviços aonde tratam das suas papeladas, posso dizer-vos nunca vivi nenhum sentimento de insegurança ou testemunhei qualquer desacato associados a estas gentes esquecidas.

 

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