Da atualidade política - Carlos Moedas e o Elevador da Glória

Admito em tese que haja situações que exijam responsabilidades políticas, mas na maioria das vezes defendo que o político não deve virar a cara, esse poder-lhe-ia ser o caminho mais fácil, os outros que resolvam, não pertenço, portanto, ao clube dos que enaltecem a nobreza do exemplo, sempre invocado, do malogrado Jorge Coelho.
A tragédia do Elevador da Glória comoveu, certamente, todos os portugueses, a mim talvez um pouco mais pelo sentimento que podia ter sido comigo, sou utilizador frequente do elevador irmão da colina em frente, o do Lavra.
Assisto há muitos anos à ganância da Carris que encontrou ali um filão dourado, a chusma de turistas que resistem a filas gigantes para pagar um preço exorbitante (os viajantes com passe ou título pré-pago pagam a tarifa normal de qualquer autocarro) e poderem andar num ex-libris da cidade, a Carris tem (ou tinha) ali uma mina.
Todos aguardamos pela conclusão de todas as perícias e análises, explicações terão de ser dadas, eu próprio já fui andar no elétrico 28 depois do incidente, mas preciso de saber que a manutenção dos meios de transporte lisboetas é segura.
Não sou eleitor do Carlos Moedas, não contará com o meu voto, mas parece-me só tonto quando ouvimos vozes a exigirem a sua demissão, mesmo que ele a tenha exigido a Fernando Medina no caso dos dados para a Rússia, vamos perpetuar as burrices de alguém no passado?
Não estou certo de que se fosse seu votante lhe negaria o voto por causa das suas decisões na Carris, precisava de saber mais, mas qual demissão qual carapuça, o escrutínio que lhe façam os lisboetas no dia das eleições, que por acaso - azar dos Távoras? - é já daqui a um mês.
