Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

BURRO VELHO

BURRO VELHO

18
Fev24

Dos filmes de que gostamos - Os Excluídos

BURRO VELHO

Screenshot_20240218_182840_Gallery.jpg

 

OS EXCLUÍDOS, de Alexander Payne, é o clássico filme de professores e alunos com um mega boost de fofura e inspiração, que é como quem diz, é daqueles filmes que é uma delícia de ver, com três atores também eles inspiradíssimos, o gigante Paul Giamatti (co-favorito na corrida aos oscars com Cillian Murphy), Da’Vine Joy Randolph (grande favorita para atriz secundária) e o estreante Dominic Sessa.

Uma curiosidade que não deixa de ser sintomática daquilo que são as realidades europeia e americana, se a generalidade de nós, europeus, verá – creio – The Holdovers como um filme de adolescentes, ou sobre a adolescência, nos EUA o filme foi classificado como Restricted, só para adultos! What?

 

15
Fev24

Dos filmes que adoramos - Anatomia de Uma Queda

BURRO VELHO

Screenshot_20240213_183937_IMDb.jpg

 

Anatomie d'une Chute, realizado pela francesa Justine Triet, já consagrado em Cannes e com a aura de grande filme atrás de si, é de facto um filme enorme (só peca por ser algo arrastado no início), um misto de filme de tribunal e sobretudo de melodrama de casal, onde nunca nada é linear, onde nunca nada é o que parece à primeira vista, onde o ser humano é sempre muito complexo.

Neste ano de excelentes filmes nomeados aos Óscares, o meu coração está definitivamente com Maestro, Vidas Passadas e A Zona de Interesse, mas, sendo certo que estes estão fora da corrida, o que eu saltaria de alegria se pudéssemos ter um vencedor supresa com a vitória deste Anatomia de Uma Queda, nomeado para as cinco principais categorias (filme, realização, atriz principal, argumento original e montagem), e eu até acho Oppenheimer um bom filme.

Quanto às atrizes, se a minha escolha seria Carey Mulligan, se Annete Bening é uma das minhas atrizes de eleição e nunca foi premiada, se Lily Gladstone é absolutamente assombrosa, se não consigo imaginar que Emma Stone possa perder em qualquer circunstância, para mim a alemã Sandra Huller - igualmente prodigiosa em A Zona de Interesse a falar alemão, enquanto que aqui fala em inglês e francês - seria a justa vencedora.

 

 

01
Fev24

Dos filmes que amamos - A Zona de Interesse

BURRO VELHO

Screenshot_20240128_103416_IMDb.jpg

 

Admirador confesso de Martin Amis, e sempre muito interessado naqueles que perpetraram o nazismo e naqueles que lhe sobreviveram, não só as vítimas mas, sobretudo, os filhos dos próprios nazis, dos temas que mais despertam o meu interesse, admito, tive há uns meses atrás nas mãos o seu livro ‘A Zona de Interesse’ para o começar a ler, detive-me por há muito aguardar ansiosamente por este filme de Jonathan Glazer, cujo argumento foi livremente adaptado por ambos, Amis e Glazer, e ter optado por primeiro ver o filme e só depois ler o livro, não fora eu ficar frustrado com o filme, e de facto, se as expectativas estavam numa fasquia altíssima, não foram defraudadas, adorei o filme.

Apesar de nos mostrar a felicidade da família ariana do comandante de Auschwitz, Rudolf Hoss, que vivem num recanto idílico e paradisíaco paredes meias com o campo de extermínio, o filme, sem nunca nos revelar imagens do interior do campo e do horror inimaginável que lá se vivia, é altamente perturbador – notava-se na forma densa, imóvel, silenciosa das pessoas que encheram a sala do cinema -, expondo-nos o mal radical, o mal pelo mal, sendo disso um bom exemplo a personagem de Hedwig Hoss, esposa do comandante (só aquele penteado merecia um óscar), o mal de quem era apenas um veículo sem pensamento nem juízo, de quem apenas cumpria ordens, como numa lógica militar ou empresarial, a famosa teoria da banalidade do mal sobre Eichmann da filósofa judia e alemã Hannah Arendt, através da personagem do próprio comandante, mas também sobre quem não conseguiu lidar com o horror dos horrores, na mãe, inicialmente orgulhosa e deslumbrada, de Hedwig.

Este filme será seguramente um dos meus favoritos de 2024, sendo mais um dos filmes notáveis que muito me alegraria se fosse um desmancha-prazeres e roubasse alguns Óscares à anunciada noite vencedora de Oppenheimer – Sandra Huller é prodigiosa na sua Hedwig, que portento, mas está nomeada para melhor atriz principal pelo seu outro filme, Anatomia de uma Queda, que ano incrível para esta incrível atriz alemã.

Apenas uma nota e uma curiosidade, ‘A Zona de Interesse’ é um filme britânico mas totalmente falado em alemão, e Martin Amis veio a falecer na véspera do filme ser estreado no Festival de Cannes.

 

30
Jan24

Dos filmes que vejo - Pobres Criaturas

BURRO VELHO

Screenshot_20240128_203349_IMDb.jpg

 

Pobres Criaturas, vencedor do Leão de Ouro de Veneza e o principal opositor de Oppenheimer com as suas onze nomeações, filme meio surreal do grego Yorgos Lanthimos, tinha tudo para ser uma obra-prima, um argumento e diálogos riquíssimos, uma dimensão cromática e visual com cenários, guarda-roupa e uma fotografia deslumbrantes, atores em estado de graça (só não gostei da banda sonora, também nomeada para o óscar), no caso de nós portugueses até temos uma Lisboa recriada num conto de fadas e a nossa Carminho a cantarolar um fado, mas – que maçada, há um mas -, nalguns momentos o filme perde o ritmo e torna-se chato, enrodilha-se imenso na sofisticação cénica e a coisa não desenvolve, começa de forma fulgurante, acaba em boa forma, mas pelo meio um cuidado excessivo com a finesse e o requinte visual torna-se maçador, Pobres Criaturas tinha tudo para ser um grande grande filme, falhou por um triz.

Emma Stone pode muito bem derrotar a favorita Lily Gladstone na corrida dos prémios (têm estado muito taco a taco) – sendo ambas magistrais e as nomeações justíssimas não será por elas que estarei a torcer -, e não haja qualquer dúvida que Stone, a alma do filme e cheia de cambiantes, é verdadeiramente sublime na sua Bella Baxter.

 

23
Jan24

Das coisas de cinema - as nomeações aos Óscares

BURRO VELHO

Screenshot_20240123_134101_Gallery.jpg

 

2023 foi um excelente ano para o cinema, não só por termos tido grandes filmes, mas também por as audiências em sala terem tido um boost fantástico, devemos esse sucesso não só aos blockbusters mas também a bons filmes comerciais, louve-se este regresso às salas porque o cinema não sobrevive se nos cingirmos apenas ao conforto do streaming em casa.

Mesmo naqueles filmes que pouco me entusiasmaram ou que gostei moderadamente – Oppenheimer, Napoleon, The Killer, Barbie, Henry Sugar -, reconheço aspetos de elevada qualidade, mas 2023 foi mesmo um ano excecional e com proveniência nas mais diversas geografias, encontramos filmes maravilhosos não só nos países anglo-saxónicos como também na Alemanha, França, Espanha, Japão, Itália, Bélgica, Tunísia, Turquia, Finlândia, e também Portugal, que grande colheita para os nossos filmes lusos (nomeando apenas três, Great Yarmouth, Mal Viver/Viver Mal, Légua) .

Os Óscares não são nenhum selo de qualidade, não são nenhum certificado que um filme é bom ou mau, a lista de obras-primas nunca premiadas é extensa, são apenas uma festa glamourosa que encanta as gentes do cinema, é apenas brilho, mas ficamos sempre satisfeitos quando vemos os nossos preferidos entre os nomeados, mesmo que depois eles percam todas as estatuetas, como têm perdido sempre nestes últimos anos e este ano parece provável que volte a acontecer, e se alguns dos meus favoritos foram olimpicamente ignorados (O Sol da Meia Noite; The Old Oak; All of Us Strangers), encontro entre os nomeados a maioria dos filmes que já vi entusiasticamente (Maestro; Vidas Passadas; Dias Perfeitos; Assassinos da Lua das Flores; May December) ou que ainda aguardo ansiosamente (A Zona de Interesse; Anatomia de uma Queda; Pobres Criaturas; The Holdovers) – como tenho vários favoritos resta-me então torcer por uma surpresa e que Oppenheimer não ganhe as 13 nomeações que levou para casa.

 

16
Jan24

Dos filmes que vejo - Doce Pesar

BURRO VELHO

Screenshot_20240114_202047_Gallery.jpg

 

A dor no luto, a amizade, a fuga, a ajuda, a saudade, o recomeço, o tempo, sempre o tempo, tudo isto cabe num luto, num luto de um amor romântico, de um dos pais, de um amigo, um luto de uma morte morrida ou apenas de uma despedida, de um fim, encontramos tudo isto neste doce DOCE PESAR (Good Grief, no original). Os atores são todos muito bons, até temos o luxo de ver a Emma Corrin e a Kaitlyn Dever em cenas fugazes de dois ou três minutos, mas a Ruth Negga é mesmo uma atriz dos diabos. Bonito, na Netflix.

 

15
Jan24

Dos filmes que vejo - Ferrari

BURRO VELHO

Screenshot_20240114_174436_Gallery.jpg

 

FERRARI vive mais das emoções e da vertigem da velocidade do que de uma história propriamente dita, ainda assim é um filme que prende a nossa atenção do princípio ao fim. Se Adam Driver está muito bem, como sempre, Penélope Cruz rouba todas as cenas em que entra, esta mulher tem um brilho de estrela, a ver vamos se consegue a sua quinta nomeação aos Óscares.

 

09
Jan24

Das coisas de cinema - Golden Globes

BURRO VELHO

Screenshot_20240108_235008_Gallery.jpg

 

Há sempre a ideia de que os Golden Globes são uma antecâmara anunciada para os Óscares mas nos últimos cinco anos apenas o Nomadland fez a dobradinha ao conquistar o globo de melhor filme dramático e também o óscar de melhor filme, de resto quem ganha o globo não ganha o óscar - que esta tradição se mantenha em 2024 porque no que respeita aos filmes nenhum dos meus favoritos saiu vencedor, foi uma razia (com exceção do Paul Giamatti para melhor ator em filme de comédia).

Quanto às séries, não vi The Bear (queria tanto) nem a maioria das comédias, e sou grande fã de The Crown, mas Succession merece ganhar tudo e mais alguma coisa, e ganhou mesmo.

 

30
Dez23

Dos filmes que adoramos - Dias Perfeitos, de Wim Wenders

BURRO VELHO

Screenshot_20231229_113043_IMDb.jpg

 

DIAS PERFEITOS, de Wim Wenders e sério candidato à nomeação para o óscar de melhor filme estrangeiro pelo Japão, foi buscar o seu título à canção de Lou Reed e tenta mostrar-nos que a felicidade está nas coisas simples, que um homem a limpar sanitas e desprovido de todas as tecnologias que custam muito dinheiro pode encontrar mais facilmente a felicidade, e viver dias perfeitos, do que aquele milionário que é conduzido por chauffeur, que um homem que nos limpa as latrinas pode ser imensamente sábio, culto e apreciador de Patti Smith ou Nina Simone, que compensa ter um sorriso nos lábios.

A simplicidade e o despojamento deste filme são tão desconcertantes que no início nos pode deixar algo ambivalentes, consigo compreender quem acusa o filme de algum paternalismo ou pretensiosismo fake, mas PERFECT DAYS é um filme, pleno de gentileza e ingenuidade, quase poético, ou quase espiritual, um dos melhores filmes de 2023.

Sair do trabalho, enfrentar uma fila enorme, ao ar livre numa noite gelada, para comprar bilhetes, assistir a este filme numa sala velha e absolutamente lotada, é mais um exemplo de coisas simples que podem fazer um dia perfeito, saibamo-los viver.

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

Em destaque no SAPO Blogs
pub