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BURRO VELHO

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11
Set25

Dos filmes que adoramos - Sirāt, de Oliver Laxe

BURRO VELHO

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Logo no início do filme explicam-nos que Sirāt é uma linha que separa o paraíso do inferno, uma linha tão fina quanto um fio de cabelo e tão afiada como uma lâmina, ou, por outras palavras, é aquilo que temos de atravessar para alcançar o céu, e neste Sirāt não sei se as personagens alcançam o paraíso, mas pisam várias vezes no fogo do inferno.

Um pai e um filho vão a uma rave party no deserto de Marrocos à procura da filha/irmã, e começam uma viagem arriscada com um grupo de nómadas que acabaram de conhecer, sempre com a batida psicadélica da trance music como fundo.

Sirāt é um trance road movie, seja lá for o que isto queira dizer, mas é também um filme sobre a aleatoriedade da morte, sobre as fronteiras políticas ou sobre os laços improváveis que as pessoas criam entre si.

Um filme é uma sequência de imagens e de sons projetada numa tela, apenas isso já é mágico, o deleite de vermos essas imagens animadas, mas através dos filmes conquistamos muitas coisas, conhecemos o mundo, outras culturas, outras formas de viver, aprendemos a ser mais tolerantes com a diferença e a aceitar aquilo que nos é estranho, e, no final da sessão, senti-me mais próximo destes nómadas que vivem à margem da sociedade à procura da rave seguinte.

Sirāt, do realizado galego Oliver Laxe, Prémio do Júri em Cannes 2025, em que quase todos os atores são não profissionais, é uma experiência cinematográfica diferente de tudo o que já vi e onde dei alguns valentes saltos da cadeira como há muito não dava, um dos melhores filmes do ano.

 

05
Mai24

Dos filmes de que gosto - 20.000 espécies de abelhas, de Estibaliz Urresola Solaguren

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Diz uma lenda basca que as abelhas são um animal sagrado a quem tem se de contar tudo o que se passa no seio da nossa família e que são o garante da diversidade na Natureza, numa colmeia cada abelha é necessária e tem o seu papel específico, e a partir desta metáfora, a também basca, Estibaliz Urresola Solaguren (que delícia soletrar um nome basco, é sempre um feito) realizou um delicadíssimo filme sobre um menino chamado Aitor que queria ser chamado por Lucía, sobre a infância trans, despoletando esta aceitação mental vários tumultos na família, mas num pequeno pueblo do País Basco há, felizmente, espaço para diferentes formas de se ser mulher, belíssimo filme este com uma sensibilidade à flor da pele.

Todas as personagens são preciosas e brilhantemente representadas, destacando-se a mãe, quase sempre à beira de se desmoronar mas conseguindo sempre ser doce, e – como não? -  Sofía Otero, o menino Aitor que queria ser Lucía, que com 9 anos ganhou o prémio de melhor interpretação do Festival de Berlim de 2023, a mais jovem vencedora de sempre, um fenómeno.

Nos canais TV Cine.

 

09
Mar24

Dos filmes de que gosto - As Bestas, de Rodrigo Sorogoyen

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AS BESTAS, do espanhol Rodrigo Sorogoyen, arrecadou Goyas e Césares em barda e é um belíssimo e perturbante filme, com toques de thriller, sobre a brutalidade do mundo rural, um mundo que não entende o da cidade que vem falar em ecologia e paz de espírito, e o da cidade que não assimila a rudeza e as desavenças entre vizinhos por coisas aparentemente pueris, como a disputa de servidões de passagem, que à cidade pode parecer estranha mas que podem ser de toda a importância para quem vive fechado numa vida sem horizontes e que sobrevive a contar tostões e a chafurdar na lama.

Enquanto a primeira parte foca-se numa violência masculina muito primitiva e xenófoba - vêm agora estes estrangeiros aperaltados mandar nos que aqui já nasceram -, na segunda ganha fôlego a perseverança e a história de amor graças à conciliação feminina, correndo o risco, parece-me, deste filme aumentar o fosso entre a cidade e ruralidade, corre o risco destas gentes se sentirem ofendidas - nós não somos assim, nós somos pessoas dignas, os da cidade não sabem do que falam -, mas não estaremos longe da verdade ao sentir que este drama, passado na Galiza profunda perto de Ourense, podia muito bem passar as fronteiras e passar-se numa qualquer aldeia remota do Minho ou Trás-os-Montes.

Nos canais TV Cine e plataforma Filmin.

 

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