Dos filmes que adoramos - Foi Só Um Acidente, de Jafar Panahi

Gosto verdadeiramente de cinema iraniano, é sempre uma janela aberta para um mundo tão diferente do nosso, mas, apesar de ir acompanhando minimamente as notícias sobre si, e de ser a única pessoa que já venceu os principais festivais de cinema (Cannes, Veneza e Berlim), nunca tinha prestado muito atenção aos filmes de Jafar Panahi.
Foi Só Um Acidente, vencedor da Palma de Ouro deste ano, é isso mesmo, começa com um simples acidente e - acrescentando o enredo progressivamente personagem a personagem – constrói um thriller slow cinema, não temos picos na tensão arterial, mas a tensão, a dúvida e o dilema estão sempre lá.
Claro que é um filme extremamente político, estamos a falar de alguém que encontra uma pessoa que pode ter sido o carrasco do regime que lhe arruinou a vida, mais político do que isto não há, mas é um filme muito intimista porque nos confronta com uma questão, mais do que a vingança, importa saber até quando vamos perpetuar a violência.
Tal como na vida real, às vezes as situações são tão trágicas que parecem absurdas, e há um sentido de nonsense que atravessa todo o filme que me agradou particularmente.
Um dos melhores filmes de 2025, o cinema iraniano nunca desilude (quem não aprecie que fuja disto como o diabo da cruz).





