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BURRO VELHO

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15
Nov23

Dos documentários que vejo - Viver a vida até aos 100 anos, o segredo das zonas azuis

BURRO VELHO

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O documentarista Dan Buettner, com uma equipa de antropólogos, médicos e epidemiologistas, reconheceu que nalgumas zonas do mundo concentra-se um número anormalmente elevado de pessoas centenárias, as chamadas ‘zonas azuis’.

Ao longo de vinte anos estudaram a fundo estas comunidades - Okinawa, no Japão, Sardenha, na Itália, Nicoya, na Costa Rica, Ikaria, na Grécia e Loma, na Califórnia  -, a sua história e geografia, e procuraram identificar hábitos de vida comuns que possam explicar esta longevidade, e mesmo admitindo que algumas destas características não surtam efeito em nós próprios, não deixa de ser um excelente mote para nossa reflexão – eis alguns dos traços que predominam nestas povoações em que muitos habitantes vivem mais de cem anos:

- Comem aquilo que a terra dá, aquilo a que chamamos hoje uma dieta plant based;

- Ninguém passa horas no ginásio ou corre maratonas, mas cansam o corpo ao longo do dia;

- Vivem em ambientes com muitas colinas obrigando-os ao movimento e impedindo o sedentarismo;

- Vivem em comunidade, rodeados de família e amigos, e cuidam dos mais velhos, os lares quase não têm ‘clientes’;

- Dormem a sesta;

- Vivem devagar;

- Acordam todos os dias com um propósito de vida, aquilo que no Japão chamam ter um Ikigai.

Muito interessante, e se não pudermos ser todos centenários, que possamos pelo menos melhorar um pouco a nossa qualidade de vida. Na Netflix.

 

16
Out23

Dos documentários que vejo - Orlando, a minha biografia política, de Paul B. Preciado

BURRO VELHO

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Há 100 anos atrás Virgínia Woolf escreveu ‘Orlando’, um romance em que um jovem aristocrata muda de sexo, agora o escritor, filósofo e ativista trans Paul B. Preciado realiza o documentário ‘Orlando, a minha biografia política’ - obra de difícil classificação, documentário parece o mais aproximado -, que é uma carta cinematográfica dirigida à memória de Woolf para lhe agradecer e informar que o Orlando que em 1928 ela criou na literatura saiu dos livros e ganhou vida nas muitas pessoas transgénero, nomeadamente as 25 pessoas trans não binárias, dos 8 aos 70 anos, que com umas belíssimas gorgeiras do século XVII dão voz às palavras de Orlando e nos revelam que, na verdade, o caminho não é tão fácil como o foi o do aristocrata inglês, que numa noite durante o sono acordou noutro corpo, que o caminho é árduo mas que há sempre um caminho.

Por vezes o filme perde-se um pouco, ou pelo menos eu perdi-me, mas impossível não sair das salas de cinema mais consciente e solidário.

 

17
Jul23

Dos documentários que vejo - House of Hammer

BURRO VELHO

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Armie Hammer era um ator promissor, desempenhou algumas personagens memoráveis (Call me by your name) e tudo apontava que fosse um astro em Hollywood, ainda por cima bonito, carismático e herdeiro de família multimilionária de Los Angeles.

Armie Hammer é também uma pessoa feia e malformada, dispenso-me de mais qualificativos, de quem provavelmente, conhecidos os factos, não me apetece voltar a ver nos écrans.

Mas fiquei muito ambivalente com este documentário, logo à partida com a existência deste mesmo documentário.

Não será politicamente correto assumir a dúvida, Hammer é um fdp e descende duma família de fdps, mas será um abusador? Serão as vítimas verdadeiras vítimas ou umas jovens deslumbradas à procura de vingança e de prolongar os seus dias de fama?

Hammer é um psicopata que violenta as suas presas femininas, escolhidas cerebralmente a dedo, ou é mais um sacana famoso e sedutor que nos seus flirts tenta viver as suas fantasias a roçar o extremo? As jovens alguma vez disseram ‘não’? Não, assumem que não. As jovens andavam felizes e por sua vontade própria? Sim. As jovens foram impedidas de ou forçadas a alguma coisa? Tenho dúvidas.

Gostar de sexo BDSM e ser kinky não é tema, escrever mensagens dirty e fortes não é tema (alguém dizer num whatsapp que gostava de a comer (literalmente) não faz dela um canibal, please), a falta de consentimento sim, aí entra o abuso, e estas jovens reconhecem que nunca disseram não, pelo contrário, apanhavam aviões para atravessar a América e sair para a farra com o príncipe famoso.

Será que temos um abusador em série ou será que temos histórias de dois adultos livres, independentes e capazes de se defender?

O mundo não precisa de Armie Hammers, mas serão estes casos vítimas de abuso?

‘House of Hammer’, documentário na HBO Max.

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