Dos espetáculos que vejo - Os Maias, pela Companhia Nacional de Bailado

A Companhia Nacional de Bailado levou à cena Os Maias, um bailado em três atos a partir da obra de Eça de Queiroz, uma estreia absoluta com coreografia e dramaturgia de Fernando Duarte.
Não será muito abonatório dizer que as coisas que mais me encheram o olho, ou o ouvido, foram o pianista António Rosado e os solistas da Orquestra de Câmara Portuguesa, o riquíssimo guarda-roupa de José António Tenente ou os cenários e os videogramas com Lisboa em pano de fundo, quanto à dança em si, digamos, teve os seus momentos.
Pessoalmente não gostei nada do primeiro ato. Não percebo absolutamente nada de dança, não tenho quaisquer conhecimentos técnicos, mas enquanto espetador achei mal dançado, os desequilíbrios constantes, as piruetas interrompidas e aos saltinhos, as elevações que mal tiram os pés do chão, um corpo de baile com total falta de sincronismo, quando uns subiam a perna estavam já outros a descer, um Afonso da Maia sofrível, uma trapalhada – aprecio a emoção, o movimento, a fluidez, a técnica não me interessa tanto, mas quando no ballet clássico esta falta sinceramente o resto já não se vê.
Nos últimos dois atos a coisa melhorou, gostei bastante de algumas partes, de outras nem tanto, alguns passos de dança demasiado modernos para meu gosto – adoro dança contemporânea, mas se é um ballet clássico já adiro menos a modernidades -, mas gostei de poder acompanhar uma narrativa que todos conhecemos razoavelmente bem, as aventuras de Carlos da Maia e de Maria Eduarda, a ser dançada em cima de um palco, só essa experiência valeu a pena.
Não tive a sorte de ver a dançar os bailarinos da CNB que mais admiro, e o espetáculo não me encheu verdadeiramente as medidas, mas ainda assim é um enorme prazer ver estes espetáculos que a CNB nos oferece.
Só uma nota, na audiência estavam dezenas de crianças de tenra idade, todas muitíssimo bem-comportadas durante um espetáculo com duas horas de duração, parabéns aos pais.
