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BURRO VELHO

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19
Ago25

Dos filmes de que gostamos e dos festivais de Marvão – A História de Souleyman e o Periferias

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O Periferias é uma verdadeira dádiva da descentralização cultural, levando filmes de autor e documentários às comunidades rurais da raia alentejana, projetando filmes ao ar-livre em aldeias e lugares históricos das cidades irmãs de Marvão e Valência de Alcântara, aquém e além-fronteira, tão emblemáticos como pátios do castelo, ruínas de cidades romanas, praças de bairros góticos ou lagares de azeite.

Se o outro grande baluarte da cultura marvanense – o FIMM Festival Internacional de Música de Marvão – leva a alta cultura à raia alentejana e arrasta multidões, com predomínio das gentes que vêm de propósito de Lisboa e do estrangeiro, atraídas pela elevadíssima qualidade do Festival - notem que esta minha afirmação é apenas baseada na minha perceção pessoal e não suportada com números oficiais -, o Periferias tem aumentado significativamente o número de espetadores, sendo estes sobretudo pessoas que vivem por aquelas terras, Marvão, Valência de Alcântara, Portalegre, Cáceres, Arronches, Badajoz, etc., é um festival de e para aquelas comunidades.

A História de Souleyman, do realizador francês Boris Lojkine, visionado em cima dos carris da estação de comboios (desativada) da Beirã, é um retrato cru e muito realista, quase num tom documental, de um jovem entregador de comida da Guiné-Conacri, que desespera por obter a autorização de asilo por parte das autoridades francesas, um jovem igual a tantos outros que vemos a toda a hora pelas ruas de Lisboa, jovens a que os Parisienses, tal como os Lisboetas, nem reparam, nem olham, só quando se irritam com as suas tropelias a andar de bicicleta na urgência de chegar mais depressa para amealhar mais uns euros, jovens silenciosos que vivem à margem e a quem nós fechamos os olhos, jovens sem amor mas que lutam contra o racismo, a exploração, o preconceito e as teias criminosas das redes de imigração.

Aquelas ruas, prédios e gentes parisienses podiam ser as nossas ruas, os nossos prédios e as nossas gentes de tão próxima que nos é esta realidade, pelo que A História de Souleyman além de um belo filme, vencedor de alguns prémios em Cannes e nos Césares, é também um sopro de empatia, impossível ficarmos indiferentes, sobretudo à última cena com a funcionária do departamento de emigração francês.

Note-se que o filme é ficcional e que o ator amador Abou Sangaré conseguiu finalmente os seus papeis depois da filmagem deste filme.

Viva a raia alentejana, viva o Periferias!

 

 

26
Jul25

Dos concertos que adoro - Maria João e Mário Laginha

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Ouvir Sua Majestade, Maria João,

a voz, o ritmo, o calor, a doçura, a empatia, mas que voz,

e Mário Laginha, o príncipe, com sublime hands,

nas ruínas da cidade romana de Ammaia,

no Festival de Música de Marvão,

numa noite de Verão marvanense, fria, sem vento,

enrolados em mantas,

a acústica, impressionante,

com vista para o Castelo iluminado, lá ao fundo, lá em cima,

a perfeição,

no fim de um dia de trabalho atravessei o país, voei,

aterrei direto neste concerto, absolutamente memorável,

vai perdurar, nas minhas memórias.

Férias!

A perfeição, boas férias.

 

 

20
Jul25

Das coisas bonitas - FIMM, Festival Internacional de Música de Marvão

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Abençoada a hora em que o maestro alemão Christoph Poppen, e a sua mulher, a soprano suiça Juliane Banse, vieram até terras de Marvão, se apaixonaram, e tiveram o sonho de fazer um festival de música clássica nos cenários naturais desta vila alentejana, aproveitaram acústicas perfeitas em locais milenares como o pátio do castelo, interiores de igrejas ou cisternas, ou até nas ruínas da cidade romana da Ammaia, e puseram de pé um Festival que é, hoje, uma referência da música clássica a nível internacional, longe estariam eles de pensar que ao fim de 11 edições teriam sido capazes de trazer tanta música, e de tão qualidade, a um público que dificilmente lhe teria acesso, ao mesmo tempo que traz públicos de idades tão distintas e de sítios tão remotos a este canto da Serra de São Mamede.

A 11ª edição dedica-se à música de câmara e ao retrato de 21 compositores, sempre com um gostinho noutras sonoridades, por exemplo o jazz e o fado, este Festival é mesmo uma pérola caída do céu e que temos sempre de aplaudir, e muito.

Aqui num concerto de cordas e piano a ouvir Trio para Piano em lá menor, Op. 50 de Tchaikovsky, que coisa mais boa, que maravilha que é Marvão e a Serra de São Mamede, que luxo que é o Festival Internacional de Música de Marvão (FIMM).

Vielen Dank, Herr Poppen und Frau Banse!

Muito obrigado.

 

31
Jul23

Das coisas bonitas - FIMM (II)

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É uma bênção gostar-se apaixonadamente das coisas e o FIMM – Festival Internacional de Música de Marvão, de que gosto entusiasticamente, é igualmente uma bênção, até porque resulta duma história de amor.

Há nove anos atrás, um casal de músicos de renome mundial, ele alemão (Christoph Poppen), ela suíça (Juliane Banse), apaixona-se por este magnífico interior de Portugal e decidem partilhar e dar a conhecer Marvão aos seus amigos músicos, espalhados pelo mundo, e, em troca, partilhar e darem a conhecer a sua música aos marvanenses, que dádiva tão grande.

A isto juntou-se certamente o empenho das pessoas locais e nasceu este festival mágico, onde durante 10 dias passaram mais de 500 músicos a dar-nos ouvir, sobretudo, música clássica e lírica, mas também outras músicas do mundo como fado, jazz, grupos corais ou flamenco.

Os espetáculos também acontecem em Castelo de Vide, Portalegre e Valência de Alcântara (Espanha), mas sobretudo nos lugares bonitos de Marvão, desde igrejas até ao interior do castelo, passando pelos jardins, pátios e até pelo interior da própria cisterna.

Dos 35 concertos apenas pude assistir a três, mas foi absolutamente memorável ter tido o privilégio de assistir à gala de encerramento, com a Sinfonietta de Hong Kong, vários instrumentistas solistas e cantores líricos convidados, no ambiente mágico das muralhas do castelo ao pôr-do-sol, e, qual cereja no topo do bolo, poder ouvir ao vivo um autêntico prodígio de 16 anos, uma menina violinista chamada Leia Zhu, um pequeno génio que nos arrebatou a todos de espanto e admiração.

No final, aquela estrondosa e demoradíssima ovação, de palmas, bravos e gritos, foi o público a agradecer duma forma muito sentida o sonho realizado de Poppen e Banse, que quando trocam um beijo de emoção nos deixam a todos felizes e orgulhosos, felizes por haver quem goste apaixonadamente das coisas e se empenhe em fazerem sonhos acontecer, e orgulhosos do nosso belíssimo interior de Portugal e do nosso Marvão em particular.

Pró ano há mais.

12
Abr23

Das coisas bonitas - FIMM

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FIMM

 

Marvão é um sítio encantado, não só por ser uma das nossas vilas mais bonitas, pela sua riqueza arquitetónica, arqueológica e geológica, pelo envolvimento do Parque Natural da Serra de São Mamede, pelo seu silêncio, mas também por um conjunto de eventos muito especiais que por lá acontecem, nomeadamente o FIMM – Festival Internacional de Música de Marvão.

Há quase dez anos atrás, um casal alemão apaixonou-se por estas paragens (quem não?) – ele, Christoph Poppen, maestro, ela, Juliane Banse, cantora – e sonhou em organizar um festival de música clássica do mais alto nível artístico a nível mundial, neste Marvão paradisíaco, e seguindo o mote de Sebastião da Gama, pelo sonho é que foram e fundaram este magnífico festival.

Graças à sua prolífera rede de amigos e à custa de muita carolice, e com o apoio da Orquestra da Gulbenkian, têm convidado e trazido todos os anos ao festival todo um conjunto de músicos de palmarés internacional que, não fosse pela paixão do projeto, não atuariam certamente em Portugal, e todos nós é que ficamos a ganhar com esta dádiva.

Conseguem imaginar o que é assistir a um concerto de música clássica ou de câmara, às vezes com uns toques de outras influências, como fado, jazz ou música mais espiritual, no pátio de um castelo, numa cisterna, igreja ou nas ruínas duma cidade romana?

Marvão não fica ali ao lado, mas acreditem que no final de julho compensa largamente os muitos quilómetros de distância e que este FIMM é mesmo inesquecível, afinal Portugal não é só Lisboa, Porto e litoral.

Por aqui, já cá cantam os bilhetes que isto é coisa para esgotar rápido.

Vielen Dank Frau Banse und Herr Poppen.

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