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BURRO VELHO

BURRO VELHO

17
Abr24

Da atualidade política - o embusteiro

BURRO VELHO

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Claro que Montenegro e o PSD mentiram à fartazana com o tão prometido choque fiscal, simplesmente a principal promessa eleitoral e a primeira medida a ser anunciada no programa do Governo, coisa pouca - podem dizer à vontade que os jornalistas e a oposição se não perguntaram foi porque não quiseram, trabalhassem - por acaso a IL até perguntou de forma insistente e bem explícita -, podem até dizer que o que sempre prometeram foi uma redução de 1.500 milhões de euros em 2024 face a 2023, ou seja, nunca afirmaram preto no branco de quem era a paternidade da dita redução nunca antes vista pelos portugueses, podem dizer tudo e mais alguma coisa com aquele sorriso seráfico tão próprio de quem nada tem para dizer, ou melhor, de quem sempre espera para ver donde sopram ventos de feição antes de nos comprometermos seja com o que for, o verdadeiro catavento, podem até mandar o Ministro dos Assuntos Parlamentares aguentar-se à bronca no Parlamento e esconderem o Ministro das Finanças em Nova Iorque, mas a verdade é que nosso Primeiro e a sua entourage mentiu aos Portugueses com quantos dentes têm na boca, ou trocando por miúdos, o tal embuste (mentira ardilosa, patranha, logro).

Mas há uma coisa que não entendo - se calhar até há muitas -, que é ouvir tantas vozes, jornalistas, comentadores, oposição e correligionários de partido, afirmarem que isto foi um rude golpe na credibilidade de Montenegro e do seu Governo, mas como um rude golpe se nunca a tiveram, como perder uma coisa que nunca se teve?

Ou alguma vez alguém com dois dedos de testa acreditou no cenário macroeconómico da AD, que com um toque de midas fruto do milagroso choque fiscal (aquele que afinal se deve em 88% à dupla Costa & Medina), e do aumento do consumo interno, ia pôr o país sempre a crescer até ao final da legislatura (3,4% em 2028), aumentando ao mesmo tempo médicos, professores, polícias, oficiais de justiça e tudo o que tenha força para fazer greve, tudo isto ao mesmo tempo que vai assegurar um ligeiro excedente orçamental (algo elementar para quem vai arrecadar menos impostos e ter muito mais despesa, ironia, ok?) – com este nível de 'ambição', que sustentou todas as promessas possíveis e imaginárias, acham mesmo que ainda havia credibilidade para o Governo perder?

Aguardemos para ver como é que aos poucos estas botas vão sendo descalçadas, aguardemos.

 

09
Nov23

Da atualidade política - a demissão de António Costa e o comunicado de imprensa da PGR

BURRO VELHO

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Em um, a minha perceção continua a ser que António Costa é um político sério e que se quis rodear de pessoas pouco ou nada recomendáveis.

Em dois, não quero pensar que a Procuradoria Geral da República possa ter sido leviana no famoso último parágrafo do comunicado de imprensa, não quero pensar que possamos estar perante um flagrante caso de judicialização da política (ouçam agora de novo Rui Rio a este respeito) e que o Ministério Público tenha demitido um Governo democraticamente eleito a seu bel prazer (mesmo que eu entenda que só os casos Escaria, Lacerda e Galamba, ou seja, se não houvesse o dito último parágrado, já eram suficientes para deitar abaixo o Governo).

Em três, dada a gravidade da situação e sendo as consequências do referido comunicado absolutamente previsíveis, na minha opinião o seu conteúdo é insuficiente e inaceitável, não pode ser dito aos portugueses que um governo eleito foi derrubado porque alguém diz que disse, algo mais tem de nos ser dito (seja pela PGR, seja pelo Supremo Tribunal de Justiça onde o processo vai decorrer).

Em quatro, acho que a reação de António Costa foi a única possível e não lhe encontro incoerência com as formas como no passado quis (erradamente) proteger os seus ministros.

Em cinco, dispensem-nos de ver nas notícias que os alegados suspeitos corruptores ativos corromperam os alegados corrompidos passivos pagando-lhes almoços, ou que ministros usaram os seus motoristas para transportarem as suas filhas ou empregadas, presumo que isso seja absolutamente acessório para o que deve estar em cima da mesa, certo? Tudo isto não é sobre um lobbying discutível ou umas idas ao colégio, pois não?

Em seis, espero que mais logo Marcelo Rebelo de Sousa convoque eleições e salvaguarde a aprovação do Orçamento.

Em sete, eu otimista irritante que sou nem me atrevo a fazer cenários de quem por aí vem de tão assustador que é, é caso para os crentes dizerem Olhai por nós Senhor, olhai por nós.

 

01
Set23

Do que está mal - SNS

BURRO VELHO

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No início de agosto A estava de férias a gozar o início da sua reforma com a família, A sentia-se muito cansada sempre que tinha de caminhar mais um pouco.

A acabou por ir às urgências do seu hospital de origem e ser transferida para a unidade que a seguia há mais de 30 anos por ser cardíaca.

O prognóstico era crítico, o coração estava uma papa e não havia nada a fazer, a única possibilidade seria o transplante, hipótese excluída porque entre outros critérios A tinha excedido por 2 anos o critério da idade máxima.

Por causa do Covid as suas consultas cardíacas têm sido canceladas desde 2020, ou seja, na altura A ainda cumpria esse critério, revoltante, não é?

Sou grato ao nosso SNS que, sobretudo nos casos graves, costuma dar resposta, mas há falhas que custam aceitar, e está é uma delas, por isso se vêm aí reformas do SNS venham elas, desconheço por completo o seu teor mas é preciso começar por algum lado, se nada se fizer estamos condenados.

Dizem que o dinheiro não compra a felicidade, mas compra melhores cuidados médicos, e saúde é felicidade. Descanse em paz A.

(Nota: não conheço pessoalmente nem A nem a sua família)

 

02
Jun23

Está mal - Serviços Públicos

BURRO VELHO

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Todos as manhãs antes das 9 passo por várias repartições públicas como o IMT, a Segurança Social e uma Loja do Cidadão, que não parece ser das piores, e o cenário é sempre o mesmo, filas de espera (na foto) que dão a volta ao quarteirão, filas de centenas de metros e longas horas pela frente em condições verdadeiramente penosas (na sua grande maioria estrangeiros) – e quem for um pouco mais tarde já não arranja as benditas senhas.

Num país que se quer na vanguarda do mundo ocidental, e com um Governo que diz estar com os bolsos cheios, não se tratam as pessoas desta forma indigna, o mau atendimento das repartições públicas devia ser uma prioridade de estado.

 

06
Abr23

Da atualidade política - Comissão de Inquérito TAP

BURRO VELHO

TAP

 

No decorrer da Comissão de Inquérito à TAP soube-se que em Janeiro a senhora presidente Christine Ourmières-Widener reuniu secretamente com o grupo parlamentar do PS e ‘membros juniores’ do Governo, por recomendação do ministro das infraestruturas, para preparem a primeira audição na Assembleia da República, já no âmbito desta Comissão de Inquérito.

A presidente não se recorda de terem sido então combinadas as questões que lhe seriam colocadas na dita audiência, mas a senhora presidente também não se recordava de ter estado nessa reunião (via Teams, creio), teve de consultar a sua agenda pessoal para avivar a memória, fantochada.

Além da total falta de ética, isto é violar todas as regras – sim, o Governo e deputados da nação violaram as regras e está tudo bem: esta gente achou que era natural, com a maior descontração e desfaçatez, acertarem as perguntas e respostas entre si, entre quem ia inquirir e ser inquirido, para assim melhor ludibriarem os deputados da oposição e os portugueses em geral, isto é gravíssimo, manchando o bom nome dos ministros João Galamba e Ana Catarina Mendes, dos deputados presentes e da própria Christine.

Já vi ministros serem demitidos por menos, apurem-se as responsabilidades, isto é gravíssimo.

15
Mar23

Da atualidade política - Pedro Nuno Santos

BURRO VELHO

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Sempre gostei do estilo de Pedro Nuno Santos, preparado, combativo, despachado, às vezes bronco e conseguia passar a ideia que estava mais preocupado em fazer do que parecer.

Na altura não comprei totalmente a ideia de que o anúncio do local do aeroporto tinha sido uma gaffe, uma precipitação, parecia um erro demasiado primário para alguém já tarimbado, admiti como plausível que aquele avanço seguido de puxão de orelhas era o resultado duma estratégia com o primeiro-ministro.

E agora o caso Alexandra Reis? Sabia? Não sabia? Afinal soube por whatsapp mas não tinha dado importância?

Claro que devia saber, claro que deu ok a que Alexandra Reis fosse destituída, claro que acompanhou a negociação do valor da indemnização, claro que achou tudo normal e até merecido, de tal forma que até quis recompensar Alexandra nomeando-a para a NAV como forma de agradecimento pelo seu trabalho na gestão da TAP, mas se até aqui o grau de gravidade ainda é incerto e discutível (vamos ver o que a comissão parlamentar de inquérito vai trazer a lume), para a estatura e futuro do político o pior terá sido depois como geriu todo o dossier e a sua saída de cena.

Confrontado com o vexame de ter de dar o dito pelo não dito, resolveu sair pelo seu próprio pé, mas, não esqueçamos, apenas por assumir a responsabilidade política, com sorte ainda ia herdar a aura de sério e corajoso que Jorge Coelho granjeou com a queda da ponte de Entre-os-Rios, mas em momento algum o ouvimos aceitar qualquer falha ou responsabilidade pessoal.

Pedro Nuno Santos era um arauto desta nova geração que trazia uma nova atitude, mais transparente, desempoeirada e menos agarrada ao poder, mas afinal veio Pedro Nuno mostrar-nos que é um político da velha escola, afinal também acha que nós portugueses somos todos uns lorpas (não era o único no atual Governo a achar o mesmo), que basta blindar-se atrás do ‘contem-me tudo off record mas não me mandem mails nem contem nada oficialmente, porque não sei nada, não vi nada, não ouvi nada’ e assim nunca se queima, está sempre tudo bem, e afinal também acha que quando é apanhado é preferível a fuga em frente, ainda não se apercebeu que o escrutínio e a exigência em relação aos políticos é hoje muito diferente do que era há dez anos atrás, afinal também acha que vale tudo e que com três de areia e duas de água do mar damos sempre a volta por cima, afinal em Pedro Nuno Santos a ética também dá lugar à chico-espertice.

E se tínhamos reagido com alguma benevolência ao caso do anúncio do aeroporto, agora que voltou a espalhar-se ao comprido já não temos dúvidas que são falhanços a mais e, na melhor das hipóteses, é um político incompetente, imponderado e pouco sério.

Ironia das ironias, com esta enorme trapalhada é bem capaz de lhe ter saído a sorte grande, não lhe anunciem qualquer morte política, é certo que foi afastado com alguns remoques mas também é certo que assim se afasta ele próprio da dupla Costa/Medina e, se não for antes, em 2026 voltará à liça fresco que nem uma alface e com estes pecados todos perdoados, que é como quem diz, esquecidos.

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