Da atualidade política - as boutades de Hugo Soares II

Ainda não sabemos o que vai acontecer com o Orçamento Geral do Estado para 2025, Montenegro surpreendeu no nível da "intensidade" das cedências e Pedro Nuno Santos parece ter poucos argumentos para o rejeitar, mas a procissão ainda vai no adro, aguardemos, mas agora que o dossier IRS Jovem parece ultrapassado, recupero um episódio cuja relevância efetiva já expirou, mas aos meus olhos ainda com bastante significado.
Já aqui manifestei a avaliação negativa que faço da persona política de Hugo Soares, líder do grupo parlamentar do PSD e negociador avançado com o PS sobre o Orçamento 2025, não aprecio o seu estilo algo arruaceiro, acho que o seu perfil belicoso, beligerante mesmo, não faz bem à política.
Montenegro lá achará acertado dar-lhe palco e rédea solta, uma espécie de estratégia pára-raios, enquanto se discute as excentricidades, eufemisticamente falando, de Hugo Soares, folgam as costas do PM, e temos de reconhecer que Hugo Soares não nos facilita a vida, é mesmo difícil não reagir a algumas das suas bacoradas.
No programa da Sic-Notícias ‘O Expresso da meia-noite’, discutia-se há alguns dias a bondade da medida do IRS Jovem, iniciativa posta em causa por todos, incluindo pelo próprio FMI, não só por suscitar problemas de equidade e pelo rombo no orçamento de mais de mil milhões de euros, mas sobretudo por não estarem reunidas evidências de que produziria os resultados esperados, controlar a fuga de jovens cérebros para o exterior, de tal modo controversa que o Governo aproveitou a oportunidade para deixar cair a proposta e assim salvar a face.
Quando Angela Silva e Luis Aguiar-Conraria apresentaram esses mesmos argumentos, uma medida muito cara, iníqua e, sobretudo, de resultados efetivos muito duvidosos, eis senão quando Hugo Soares nos conseguiu, ainda, surpreender, assumindo que não estava certo que essa proposta produzisse todos os efeitos desejados, e estou a citar, mas era assumidamente “agressiva” e não se pode permitir que os nossos pais e avós continuem a ver os seus filhos e netos a terem de emigrar, por isso, sendo certo de que a medida nunca havia sido testada, nem academicamente, valeria a pena acreditar e arriscar, porque ele acreditava - "deixem-me acreditar".
Este senhor deputado, que se senta à mesa das negociações orçamentais, tinha uma FEZADA que se gastássemos mais de mil milhões de euros seríamos capazes, com sorte, de reter os nossos jovens, uma intuição, em boa-hora terá sido posto um travão a este desvario, que seja por Deus.

