Da atualidade - o mundo e a Comunicação Social

Eu, otimista convicto até à vitória de Trump, tornei-me, subitamente, um pessimista derrotado, tamanha a desgraça que se vê dentro e fora de portas, as notícias são tão impensáveis e risíveis que uma pessoa só pode duvidar da sua veracidade.
Cá dentro é o dislate do Chega a afirmar que o Presidente da República pode presidir ao Conselho de Ministros, é a Mortágua a desaparecer na flotilha e mandar o seu partido às malvas (e o país também, Portugal? Onde fica mesmo?), a Maria João Avilez indigna-se com o reconhecimento de Portugal do Estado Palestiniano e alguns portugueses insultam Isaac Nader porque acreditam que o tom de pele importa, se calhar é por isso que aí não se fizeram loas ministeriais à raça lusitana, enfim.
Lá fora é tudo o que gira à volta do triunvirato do mal, Netanyahu, Putin e Trump, os drones, o aproveitamento do assassinato de Charlie Kirk e as denúncias a quem falar mal nas redes sociais, o paracetamol e o autismo, o sofrível mármore do edifício da ONU, a Disney a tentar despedir o Kimmel, mas esperem, há mais gente a ensandecer, a França está tão desnorteada que Macron até vai apresentar provas inequívocas que a sua Brigitte é mulher e muito mulher – aguardemos com prudência pelo desfecho de Bolsonaro.
O desvario lunático que aí vai é tal que, neste mundo fake de inteligência artificial, duvidamos de tudo o que lemos, já não podemos acreditar em absolutamente nada exceto o que é noticiado pelos media credíveis, e este é o meu ponto, quando estes caírem de vez, e o escrutínio deixar de ser feito, vai ser a derrocada final.
Cá dentro os canais noticiosos são uma desgraça, dá dó ver jornalistas credíveis como Ricardo Costa a dirigirem um canal sensacionalista como a SIC Notícias, é a cobertura dos fogos, o Mourinho que já chegou a Portugal ou o André Ventura que deu um arroto, mas quantos de nós é que lhes podemos atirar a primeira pedra, quantos de nós é que pagamos pelas notícias que consumimos? Quantos de nós, que há uns anos íamos religiosamente comprar o Expresso ao sábado de manhã, continuamos a fazê-lo?
Nos Estados Unidos ainda há quem resista à política do lápis azul, Trump ameaçou o New York Times com um processo de difamação de 15 mil milhões de dólares, e os checks and balances daquelas bandas hoje em dia são o que são, mas o New York Times para já está a aguentar-se à bronca, mas para isso, além de tribunais independentes, é preciso um acionista sério e dinheiro nos bolsos.
É preciso voltar a pagar pela informação como fazíamos há 15 anos atrás, as democracias estão a desaparecer, sem órgãos de comunicação social independentes vão desaparecer mais rapidamente.
