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BURRO VELHO

BURRO VELHO

08
Nov23

Da tragédia Israelo-Palestiniana - Netanyahu e o Hamas

BURRO VELHO

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"Uma testemunha que chegou ao local a seguir ao ataque diz que viu uma mulher grávida morta, repetidamente esfaqueada na barriga, e com o feto pendurado junto da mãe. O feto foi repetidamente esfaqueado, …, são histórias de um morticínio sem precedentes. Não apenas na história de Israel, do mundo”, o relato do horror absoluto por Clara Ferreira Alves, na revista do Jornal Expresso.

“... Mas – este é mesmo um grande mas – ninguém deverá surpreender-se por haver tanta gente, que pugnando pelo direito à autodeterminação dos palestinianos, condenando o regime apartheidista, racista e fascista em que Israel se tem vindo a tornar, e atormentando-se ante a carnificina causada pelos ataques israelitas, passa ao largo de tão infausta companhia.

Porque quem grita massacre e apela, contra Israel, ao cumprimento da lei internacional humanitária, mas tão alegremente reputa de ‘legítimo’ o que o Hamas é e faz, incluindo a forma assassina como usa o povo que mantém, desgraçadamente, sob seu poder, não sabe, nunca saberá, o que é ser pelos direitos humanos”, escreve Fernanda Câncio no DN a propósito de todos aqueles que não são capazes de condenar os ataques do HAMAS e que o justificam como, pasme-se, um “inalienável direito à resistência contra a ocupação, até à vitória da sua justa causa”, posição reiterada pelo MPPM (Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz do Médio Oriente”, movimento presidido pela atriz e encenadora Maria do Céu Guerra e com gente nas suas fileiras como Frei Bento Domingues.

O conflito Israelo-Palestiniano é duma complexidade tremenda, pelo sofrimento inominável das suas vítimas, nomeadamente o de todos os habitantes de Gaza, pelas impensáveis consequências que podem advir para a Ordem Mundial, e pela história ancestral de todo o Médio Oriente que quase todos nós desconhecemos, tudo isso nos deve invocar a uma extrema moderação, ao invés de convictas e inflamadas tomadas de posição - apesar dos incontáveis conflitos a nível mundial este é sem dúvida aquele que mais suscita reações entusiásticas por parte da opinião pública, haverá por exemplo alguém interessado no drama do Nagorno-Karabakh?

É também um tema de grande clivagem geracional, os mais novos pró-palestinianos, os mais velhos mais Israelo-compreensivos.

Da minha parte tenho procurado, sobretudo, ler algumas coisas sobre a história destes povos, da diáspora judaica, do Tratado de Balfour, do fim do império Otomano, tenho procurado obter mais algum conhecimento que me ajude a contextualizar esta guerra eterna, sendo muito pouco aquilo que eu sei, sei contudo que algumas coisas julgo saber: que o Governo extremista de Netanyahu dá muito medo (a expressão que este Burro Velho escreveu aqui mesmo em março passado, medo), que a ocupação da Palestina pelos colonatos israelitas é inaceitável, que a solução que nos parece mais justa era a (utópica) coexistência de dois Estados reconhecidos como tal, que o ataque do Hamas de 07/10 é um crime horrendo sem perdão nem complacência, que Israel deve ter direito à sua defesa (e não à sua vingança) e que a aniquilação da população civil de Gaza, imposta por Israel, não deve ser tolerada, nomeadamente pelas potências ocidentais, e ser alvo de repúdio (não é por ser quase impossível combater os criminosos do Hamas no labirinto dos túneis que se deve legitimar o assassínio de todo um povo), estas são as poucas coisas que julgo saber e tenho a certeza de que pouco sei para poder fazer declarações de alma ou tomadas de posição.

Os meus pensamentos estarão sempre com todos os que vivem prisioneiros em Gaza, privados de quaisquer direitos e em total agonia, mas concordando com Fernanda Câncio sei ainda mais uma coisa, saber que pessoas que convocam manifestações públicas pró-Palestina legitimam o ‘método’ Hamas só me faz afastar dessas manifestações de solidariedade, tal como testemunhar sentimentos antissionistas (que nega o direito de existência do país Israel – from the river to the sea) e antissemitas (contra o povo judeu) absolutamente crescentes me fazem sentir uma grande inquietação e empatia pelo povo (inocente) de Israel.

 

18
Out23

De vergar a mola - Paddy Cosgrave, CEO da Web Summit

BURRO VELHO

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Paddy Cosgrave, CEO da Web Summit, cheio de convicções humanitárias: “crimes de guerra são crimes de guerra, mesmo quando cometidos por aliados, e devem ser denunciados pelo que são”, protestando contra o governo de Israel e “chocado com a retórica e as ações de tantos líderes e governos ocidentais, com exceção em particular do governo da Irlanda”.

 Paddy Cosgrave, arauto dos direitos humanos, logo após o repúdio manifestado pelo embaixador israelita em Lisboa pelas suas afirmações: “repetindo: crimes de guerra são crimes de guerra mesmo quando cometidos por aliados e devem ser denunciados pelo que são. Não vou ceder”.

 Paddy Cosgrave, aquele que vai levar a Web Summit para o Qatar, depois de ter feito contas aos investidores e receitas que ia perder à custa das suas convicções: “A Web Summit tem uma longa história de parceria com Israel e as empresas tecnológicas, e lamento profundamente que esses amigos se sintam magoados com o que disse… Apoio inequivocamente o direito de Israel de existir e de se defender”.

 Que o senhor Paddy Cosgrave queira ganhar dinheiro, fama e poder é lá com ele, nada contra, mas que não seja hipócrita que é uma coisa muito feia.

 

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