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BURRO VELHO

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04
Nov23

Das coisas bonitas - Mozart e os concertos na Gulbenkian

BURRO VELHO

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Terminar um dia ou uma semana de trabalho e ir assistir, ao início da noite, a um concerto de música clássica à Gulbenkian é um luxo e um enorme privilégio, mesmo que não chegássemos sequer a ouvir a música, toda a atmosfera envolvente já é um bálsamo para os sentidos, todos os rituais de todas aquelas pessoas das mais variadas tribos, sejam elas as octogenárias de capacete montado, sejam os trintões de botifarras com o capacete debaixo do braço, tudo ali respira civilização, bem ou mal vestidos chegamos a crer que não há no mundo quem cuspa para o chão, coce os tintins ou solte um catarro durante um concerto, ali não se sussurra nem se lê as mensagens do telemóvel, ali quando ao intervalo se come uma mini sanduíche de salmão com um copo de vinho branco sentimos uma indisfarçável joie de vivre.

E quando começa a música então é a felicidade, no caso duas horas de puro êxtase, num silêncio imóvel, a ouvir o coro e a orquestra da Gulbenkian, com direção do maestro holandês Ton Koopman (que senhor tão castiço e amoroso) a tocarem a Sinfonia n.º 36 e a Grande Missa de Mozart, com as sopranos portuguesas Sara Braga Simões e Leonor Amaral e um barítono e tenor de nomes difíceis de reproduzir (Tilman Lichdi e Arvid Eriksson), tão bonito que foi.

Felizes de nós aqueles a quem nos é permitido encontrar felicidade em coisas tão diferentes, como ter as mãos sujas de terra no silêncio dos campos, respirar o fumo das sardinhas a assar num arraial com a Mónica Sintra a cantar, levar uns apertos nas vielas imundas do Bairro Alto ou bebericarmos na asséptica alta cultura da Gulbenkian.

07
Set23

Das coisas bonitas - Operafest

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O OperaFest, na sua 4ª edição, é um belíssimo festival que pretende levar ópera a sítios improváveis, como os jardins do Museu Nacional de Arte Antiga, que certamente teriam tornado o ambiente ainda mais encantador, mas a intempérie assim não o permitiu e à última hora a récita realizou-se no grande auditório da Fundação Gulbenkian, não assistimos à recita no meio dos jardins, assistimos com os jardins ao fundo.  

A última ópera teatral de Mozart, A Flauta Mágica, está cheia de mensagens e metáforas para um mundo mais iluminado, mas foi feita, sobretudo, a pensar nos mais jovens, resultando numa ópera cheia de fantasia e muito divertida, com árias muito conhecidas como as da rainha má ou as de Papagueno e Papaguena, aqui numa excelente versão portuguesa, encenada por Mónica Garnel e dirigida por Tiago Oliveira, muito bem cantada e com cenários, figurinos, cenários e jogos de luzes muito bonitos.

Parabéns ao OperaFest.

 

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