Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

BURRO VELHO

BURRO VELHO

04
Jan26

Dos filmes que adoramos - House of Dynamite, de Kathryn Bigelow

BURRO VELHO

Screenshot_20260103_212548_IMDb.jpg

 

E se alguém desconhecido lança um míssil nuclear, a partir de um sítio desconhecido, que vai aniquilar a cidade de Chicago e matar 10 milhões de pessoas, o que fazem os EUA quando têm menos de 20 minutos para reagir contra um agressor incógnito, será a Coreia do Norte, a Rússia, a China ou algum país mais amigo?

House of Dynamite (Prestes a Explodir), realizado pela oscarizada Kathryn Bigelow, aborda como o governo, as pessoas e as instituições reagem perante um cenário iminente de catástrofe absoluta, recomeçando do zero várias vezes para nos dar diferentes perspetivas desses últimos 20 minutos, desde o momento em que as vidas ainda são rotineiras até, num ápice, o medo e a incredulidade se instalarem.

O argumento, o ritmo (montagem) e os atores (Idris Elba, Rebecca Ferguson, Tracy Lets, Jared Harris, etc.) fazem deste House of Dynamite um excelente thriller e um dos melhores filmes do ano.

Na Netflix, sem passar pelas salas de cinema.

 

30
Dez25

Dos filmes de que gostamos - Jay Kelly, de Noah Baumbach

BURRO VELHO

Screenshot_20251228_223023_IMDb.jpg

Jay Kelly, de Noah Baumbach, é muitas coisas juntas no mesmo filme, é uma espécie de homenagem ao cinema e às grandes estrelas de Hollywood, mas é também uma reflexão sobre se vale a pena ser palerma nesta vida, porque a solidão, mesmo daqueles que andam sempre com um batalhão de pessoas atrás, é… tramada.

O retrato intimista de um astro do cinema que parece arrependido de toda a vida ter sido um sacana, alguém que é conhecido no mundo inteiro mas que ninguém o conhece a si, nem ele próprio, o culto da personalidade e a fama efémera, o humor melancólico meio apatetado, o lado mais onírico e infantil do filme, a forma como o filme saltita entre um lado mais sério com um lado mais divertido, uma espécie de toca e foge sem nunca desenvolver nada com muita profundidade, admito, mas para mim o filme é muito bem conseguido, de uma grande ternura.

Se George Clooney parece estar a fazer de si próprio, um galã à moda de Gary Cooper, se calhar o último dos grandes galãs do cinema, o número de grandes atores notáveis a aparecer no ecrã é impressionante, logo a começar pela Laura Dern, que está muito bem, até Emily Mortimer (também argumentista), Greta Gerwig (mulher do realizador), Alba Rohrwacher, Billy Crudup, Jim Broadbent, Patrick Wilson, Eve Hewson, etc etc, mas, a meu ver, a aura fofinha do filme está toda sustentada no agente, e amigo, Adam Sandler, talvez a sua melhor performance de sempre - é com alguma injustiça que prevejo que vá falhar a nomeação a Óscar de melhor ator secundário.

Que bela forma de acabar o ano cinematográfico.

Na Netflix, sem passar pelas salas de cinema.

 

c

27
Dez25

Dos filmes de que gostamos - Train Dreams, de Clint Bentley

BURRO VELHO

Screenshot_20251225_224124_IMDb.jpg

 

Train Dreams, do realizador Clint Bentley, foi o filme ideal para ver no quentinho do sofá natalício, aquele dia em que estamos mais pachorrentos e com mais disponibilidade para ver filmes pachorrentos.

Sonhos e Comboios acompanha os 80 anos de vida de um lenhador eremita da América profunda do final do século XIX, um filme muito contemplativo que nos mostra as mudanças do homem e da natureza ao longo da vida, e como umas impactam as outras.

De inspiração muito Malickiana, cada cena em que vamos ouvindo o narrador é como se estivéssemos a ler a página de um litro, todos os planos, e não só nos que vemos árvores, são muito poéticos

Todo o elenco é notável, como a fugaz e fulgurante Kerry Condon, mas a rudeza sensível de Joel Edgerton é muito expressiva e comovente, cada olhar, cada ruga, cada gesto, uma interpretação cheia de força e vulnerabilidade, só não torço para a sua nomeação ao Óscar porque palpita-me que a luta para a quinta nomeação será entre Edgerton e o nosso maravilhoso Wagner Moura.

Se a fotografia de Adolpho Veloso é magnética, a banda sonora de Bryce Dessner (da banda The National), e a canção de Nick Cave, são perfeitas.

Train Dreams é puro slow movie, apesar de não ser longo pode ser difícil mantermo-nos sempre acordados, no meu caso, que fui pregando o olho aqui e acolá, enrolado no calorzinho das mantas caseiras, com o comando a andar para trás sempre que necessário, foi um filme certeiro, sobre a vida, a passagem do tempo e as memórias que vamos deixando uns nos outros, e também sobre outras coisas, sobre o romance, a perda, o racismo, ou a violência, muito bonito.

Na Netflix, sem passar nas salas de cinema.

 

21
Dez25

Dos filmes de que gostamos - Wake Up Dead Man - A knives Out Mistery, de Rian Johnson

BURRO VELHO

Screenshot_20251221_083315_IMDb.jpg

 

Do franchise de filmes de crime e mistério Knives Out, com o detetive Benoit Blanc, temos agora este Wake Up Dead Man – A Knives Out Mistery, escrito, produzido e realizado por Rian Johnson.

Os filmes de Johnson procuram sempre a excentricidade e o burlesco, sempre muito rápidos, com muita coisa a acontecer no ecrã e com uma estética muito própria, não faltando nesta saga suspense, humor e sátira social, percebo quem adore, percebo quem ache tudo apatetado e superficial, eu, sem fazer parte do clube dos que adora, costumo alternar entre o gostar e o gostar muito, este filme em particular foi daqueles de que gostei muito.

Josh O’Connor tem o toque de Midas, tudo o que faz é genial, e carrega o filme às costas em quase todas as cenas, muito bem amparado por Daniel Craig e Glenn Close, todos brilhantes num filme coral, como são sempre os filmes destes universos Agatha Christie.

Na Netflix, sem passar pelas salas de cinema.

 

12
Dez25

Dos filmes que vejo - Frankenstein, de Guillermo del Toro

BURRO VELHO

Screenshot_20251211_093734_IMDb.jpg

 

Numa sala de cinema talvez pudesse ter outro fôlego, talvez, mas nesta nova versão de Frankenstein, do mexicano Guillermo del Toro, em que afinal o monstro tem um coração que sente, para além da música do Alexandre Desplat e dos impressionantes valores de produção, cenários, guarda-roupa, maquilhagem, sobra apenas incongruências e tédio, mas de tudo o que mais me custou, foi ver o Oscar Isaac, de quem eu gosto tanto, numa interpretação tão bacoca.

Não gostei mesmo nada, mas isto sou eu.

 

04
Dez25

Das séries de que gosto - A Besta em Mim

BURRO VELHO

Screenshot_20251203_165609_IMDb.jpg

 

Citando de cor a personagem de Matthew Rhys, as pessoas não querem esperança, querem fofocas e carnificina, e é assim que neste drama psicológico um vizinho recém-chegado, alegadamente criminoso, convence uma escritora sem inspiração, com um passado mal resolvido, a escrever a sua biografia, um excitante jogo de gato e rato, nada melhor para o bandido do que ter a sua possível vítima bem perto de si.

A Besta em Mim é um thriller muito inteligente, em que as duas personagens principais facilmente descobrem a culpa que o outro carrega às costas, qual deles levará a melhor?

Todo o enredo é muito credível, mas o sucesso desta série centra-se no confronto da dupla principal, se Claire Danes é ela mesma - um rolo compressor de tiques e caretas faciais (é incrível como uma atriz tão limitada consegue sempre superar-se e ser convincente) -, Matthew Rhys é assombroso na sua composição de homem malvado, e é fantástico podermos assistir a este jogo, não dá mesmo para desviar o olhar. Muito bom.

 

23
Nov25

Das séries de que gosto - A Diplomata

BURRO VELHO

Screenshot_20251117_204027_IMDb.jpg

 

Há séries que nunca conseguem a consagração que merecem, A Diplomata é uma dessas séries e não sei bem porquê, talvez pela manda-chuva ser bonita demais, talvez por ser algo inverosímil que uma embaixadora reúna tanto poder e consiga resolver tantas trapalhadas, ou então por ser tudo muito bonito e requintado, se calhar tudo isto faz com que The Diplomat não seja muito levada a sério, mas esta desconfiança é só tola, é uma série espetacular, com interpretações excelentes a servir ação tensa, muita intriga, geopolítica e alguma sexyness, vale mesmo muito a pena.

Na Netflix.

 

28
Ago25

Dos filmes de que gosto - A noite Sempre Chega, de Benjamin Caron

BURRO VELHO

Screenshot_20250818_000252_IMDb (1).jpg

 

Ultimamente os filmes, e sobretudo as séries, que tenho visto têm estado muito centradas nos muitos ricos – The White Lotus é só um exemplo -, mas com A Noite Sempre Chega, do realizador britânico Benjamin Caron, vamos até às funduras da pobreza de Lynette, que tem apenas 24 horas para arranjar 25.000€ e salvar a casa de família, onde vive com uma mãe inusitada e um irmão com Síndrome de Down.

A Noite Sempre Chega é metade filme de suspense, sem nunca ser verdadeiramente um filme de suspense, e metade drama social e humano, sem nunca ser verdadeiramente intenso para ser um drama, e tem algumas inverosimilhanças, aquela destemperança de Lynette que tudo arrisca até ao limite, vai lá vai, não é por isso um filmaço, mas ainda assim é um filme muito interessante que vemos com muito agrado, mais não fosse por uma das maiores do nosso tempo, se ainda não a descobriram em The Crown ou, sobretudo, Pieces of a Woman, onde foi nomeada para um óscar, não estejam distraídos, Vanessa Kirby agarra totalmente o espetador.

Apesar da personagem tola e maléfica de Jennifer Jason Leigh aparecer pouco, e ter pouca profundidade, poder ver a senhora é também sempre um grande prazer.

Na Netflix.

 

 

09
Jul25

Das séries de que gosto - Reservado (Secrets We Keep)

BURRO VELHO

Screenshot_20250630_134738_Gallery.jpg

 

Está para acontecer a primeira vez em que eu não goste de uma série escandinava, é certo que não vejo assim tantas quanto isso, mas ainda não vi uma de que não tenha gostado.

“Reservado” (Secrets We Keep, título em inglês), é uma minissérie de seis episódios sobre um crime, uma história clássica em que alguém morre e há uma verdade a descobrir, em que progressivamente a tensão e o número de suspeitos vão aumentando, até sermos levados a um ponto de rebuçado em que queremos ver o mais rápido possível e descobrir o culpado (não importa em que ponto é que descobriste, no caso acho que se descobre muito perto do final).

Em cima disto temos personagens bem construídas, casas de sonho, vidas invejáveis e uma Dinamarca sempre atraente, lá onde a ética existe e as instituições funcionam, lá onde sob a capa da solidariedade e do ‘somos bonzinhos’ as famílias recebem au-pairs de países como as Filipinas (o meu conhecimento sobre as au-pairs ficou nas aulas de inglês do 2º ciclo), que mais do que meninas de companhia dos filhos privilegiados são verdadeiras escravas de limpeza.

Muito boa esta minissérie, vê-se numa penada.

Na Netflix.

 

03
Jan25

Das séries de que gosto - Black Doves

BURRO VELHO

Screenshot_20250102_162607_IMDb.jpg

 

Thriller de espionagem na alta política de Londres, com cenas de tiros e pancadaria mais divertidas e coreografadas do que verosímeis, e em que durante seis episódios super enxutos, sem qualquer cena a mais ou aborrecida, mais importante do que saber se iam conseguir escapar com vida ou descobrir quem é o vilão era a densidade emocional da dupla de espiões, keira Knightley absolutamente carismática enquanto mulher de ministro há muito infiltrada, e Ben Wishaw, dono do olhar de assassino apaixonado mais meigo e sofrido que há alguma vez me recordo ter visto no écran (e fora dele também, que não costumo ver olhares de assassinos), que maravilha.

Na Netflix.

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2026
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2025
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2024
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2023
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub