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BURRO VELHO

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10
Out25

Dos ciclos de cinema - Os Anos de Ouro do Cinema Italiano

BURRO VELHO

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No Teatro Campo Alegre, no Porto, já terminou, mas ainda está a decorrer no cinema Nimas, em Lisboa, um ciclo de cinema dedicado aos “Anos de Ouro do Cinema Italiano”, período áureo que começou logo a seguir ao final da Segunda Grande Guerra.

O programa é vastíssimo, 15 realizadores, 51 filmes, alguns inéditos em sala, muitas cópias restauradas, escolher o que ver é que era difícil, por isso concentrei-me num realizador de quem, creio, nunca tinha visto nada antes, Roberto Rossellini, muito reconhecido pela profunda sensibilidade histórica e humana dos seus filmes, um dos pais do neo-realismo italiano (e pai também de Isabella Rossellini, já agora).

O meu preferido foi Roma, Cidade Aberta (1945), um retrato poderoso da resistência italiana durante a ocupação nazi, símbolo da dignidade em termos de opressão, filmado logo após a libertação de Roma, combina ficção com documentário, a urgência e o sofrimento de um povo em luta. A atuação de Anna Magnani é memorável, a cena em que corre atrás de um camião nazi é absolutamente icónica.

A temática de como os alemães viveram a seguir ao fim da guerra sempre me despertou o maior interesse, e Alemanha, Ano Zero (1948) leva-nos a uma Berlim devastada pela guerra, onde Rossellini explora a desorientação moral e social através dos olhos de um jovem rapaz. A atmosfera sombria e o desespero silencioso refletem a ruína física e espiritual do pós-guerra, num retrato comovente da Alemanha (e não só) destruída.

Viagem a Itália (1954), protagonizado por Ingrid Bergman (casada com Rossellini) e George Sanders, marca uma transição de um cinema menos cru para um cinema mais introspetivo, acompanhando um casal inglês em crise durante uma viagem a Nápoles, revelando tensões emocionais e existenciais. Dizem que esta obra influenciou profundamente o cinema moderno, antecipando o estilo da Nouvelle Vague, talvez à época fosse muito à frente, confesso que gostei, mas que não me impressionou por aí além.

Bem-haja ao Nimas que faz estas programações, um grande privilégio poder ir ver este tipo de filmes, aos domingos de manhã, numa sala de cinema de rua.

 

08
Set23

Dos filmes que vejo - Sob o Sol de Satanás, de Maurice Pialat

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Quando em 1987 este Sob o Sol de Satanás ganhou a Palma d’Ouro em Cannes, e Maurice Pialat subiu ao palco para receber o prémio, dizem que ovação foi tremenda mas que os apupos e assobios ainda foram maiores, tal a complexidade do filme e o arrojo de quem lhe entregou a Palma.

Pessoalmente, não senti qualquer apetite por este drama dogmático e sofredor do padre atormentado com satanás, a luta entre o céu e o inferno e a salvação daquelas almas rurais numa França esquecida, mas quando o que sobra para desfrutar é testemunharmos a força granítica de Depardieu e a endiabrada Sandrine Bonnaire já não é nada mau.

De realçar que a Leopardo Filmes insiste em dedicar ciclos de cinema a realizadores consagrados já desaparecidos, uma oportunidade única de revermos, ou na maioria das vezes ficarmos a conhecer, vultos do cinema num grande écran, no caso Maurice Pialat - que privilégio viver num sítio onde nos podemos enfiar numa sala escura a cheirar um pouco a mofo e com mais 20 ou 30 pessoas assistir a estas pérolas.

 

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