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BURRO VELHO

BURRO VELHO

15
Out24

Da nossa sociedade - imigrantes ricos e imigrantes pobres

BURRO VELHO

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Ainda por ocasião da Festa do Cinema Francês, que eu muito aprecio e à qual procuro sempre assistir, dei por mim, na lotada sala de cinema São Jorge, no meio de uma esmagadora maioria de espetadores franceses, ou francófonos, uma elite que por algum motivo veio morar para Lisboa - muitos para gozar a sua reforma dourada à custa de borlas fiscais de que à época beneficiavam - e que trouxe os seus hábitos culturais, que tem os seus filhos no Liceu Francês ali nas Amoreiras, que arrebanhou todo o bairro de Campo de Ourique e começou a abrir os seus pequenos negócios carregadinhos de um charme burguês do mais bonito que há, comunidade essa que vive fechada no seu mundo privilegiado e que interage o mínimo possível com os locais, diz quem os conhece de perto que nem nos apreciam por aí além e que tão pouco gostam especialmente de Lisboa, dificilmente saem dos seus trilhos, ok, o ar da Caparica já lhes começa a ser respirável e depois há sempre umas vernissages, cocktails ou até mesmo uma Festa de cinema uma vez por ano.

Tirando o facto de em muito contribuem para encarecer estupidamente o custo de vida lisboeta, gosto de que todos os franceses queiram vir morar para Lisboa, tudo o que seja ar fresco é bom, o cosmopolitismo é um privilégio enorme das grandes cidades, ponto.

Também acredito que esse cosmopolitismo, ou multiculturalismo, se preferirem, tanto acontece num sentido mais ascendente, como descendente, sendo eu assaltado por esta reflexão, porque é que é comummente aceite por todos nós, que em relação aos imigrantes de outras paragens, que vieram para trabalhar e conseguirem dar uma vida melhor aos seus, podemos exigir-lhes que se adaptem ao nosso modo de viver, aos nossos valores, à nossa cultura, até à nossa língua, sendo que não temos o mesmo padrão de exigência com a comunidade francesa – dirão, ah mas os franceses são europeus como nós, não há diferenças (podemos sempre perguntar-lhes se nos veem de igual para igual, tenho cá as minhas dúvidas), talvez, mas palpita-me que o facto de serem brancos, bonitos, educados e ricos fá-los aos nossos olhos mais merecedores da nossa empatia do que outras comunidades mais pobres, acabrunhadas e com um tom de pele mais escuro. Mas não somos racistas, dizem.

21
Jun23

Do lado do bem - seleção de futebol da Nova Zelândia

BURRO VELHO

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A Nova Zelândia não risca nada no mundo do futebol, mas dá o exemplo e o mote no campeonato dos direitos humanos: durante um jogo amigável com o Catar - curiosamente dirigido pelo nosso conhecido Carlos Queiroz, que a troco dos dólares cataris desvalorizou o sucedido -, um jogador neozelandês sofreu um insulto racista de um adversário, e face à passividade da equipa da arbitragem, após o intervalo a sua seleção recusou-se continuar a jogar.

O país que vê o Sol nascer primeiro todos os dias, está a mostrar ao mundo qual o caminho para combater o racismo, e parece que a FIFA dá sinais positivos nesse sentido, não se pode ignorar o racismo, não basta dizer que não se é racista, não basta não o ser, é preciso combatê-lo empenhadamente, e se algum jogador ou adepto profere insultos racistas, então a sua equipa tem de ser penalizada, tem de passar a jogar à porta fechada, pagar multas ou, é preciso dizê-lo, perder os jogos.

Não ao racismo e bem-haja à Nova Zelândia.

14
Jun23

Do lado do mal - professores com cartazes racistas

BURRO VELHO

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O senhor professor que desenhou este cartaz é RACISTA e os senhores professores que o empunharam são RACISTAS e os senhores professores que o viram e o validaram ao marchar ao seu lado são RACISTAS, e estes senhores professores são aqueles que dizem que só se manifestam a pensar no bem da escola pública e nas nossas crianças e jovens, está mal, está muito mal.

Obviamente que não se confunde as maçãs podres com o pomar, mas cá por mim não gostaria nada que estes senhores professores ensinassem fosse o que fosse a ninguém da minha família, lamento mas não servem como professores.

Ainda bem que o primeiro-ministro se insurgiu e protestou, mal seria que o alvo deste racismo ouvisse (ou visse) e se calasse.

 

24
Mai23

Do lado do bem - Vinicius Júnior

BURRO VELHO

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Há poucos dias num jogo de futebol, o estádio do Mestalla, em Valência, entoou em coro durante vezes sem conta a ofensa ‘Mono’, que é como quem diz ‘macaco’, dirigindo-se ao futebolista brasileiro do Real Madrid Vinicius Júnior.

Se tudo isto nos deve causar revolta, não pode causar surpresa, sabemos bem que isto está sempre a acontecer, dentro e fora dos estádios, dentro e fora do futebol, e parece que em sociedade vivemos mais ou menos bem com isso, eu próprio já assisti a jogos no Mestalla e se tivesse assistido a esta vergonha era bem capaz de ter ficado sossegado no meu lugar sem nada fazer, a única diferença desta feita é que Vinicius, muito corajosamente, tem vindo a denunciar estas situações de racismo, o que parece estar a agigantar ainda mais o racismo contra si, ainda hoje enforcaram um macaco num poste em Madrid.

Esta capa do jornal desportivo ‘Marca’ diz tudo: NÃO BASTA NÃO SER RACISTA, É PRECISO SER ANTI-RACISTA.

 

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