Das coisas de futebol - a seleção, Vitinha, Cristiano e Roberto Martinez

"Portugal é o país mais rico do mundo em termos de talento futebolístico por quilómetro quadrado. A par da Espanha, não há outras equipa com mais jogadores brilhantes para o jogo interior. No entanto, o selecionador Roberto Martinez prefere ser cauteloso. Contra a Alemanha, o espanhol organizou a sua equipa para esperar em vez de pressionar. Permitiu que a Alemanha se espalhasse para lá da linha do meio-campo e preparou tudo para recuperar perto da baliza e explorar o espaço dado ao adversário. Tudo contra a natureza dos seus jogadores mais criativos. Tudo para favorecer as corridas de Cristiano, ao serviço do qual fez alinhar dois extremos que passaram a primeira parte a fazer cruzamentos. Trincao na direita e Pedro Neto na esquerda. O dispositivo não funcionou.
Graças a jogadores como Bernardo Silva, Vitinha, João Neves ou Bruno Fernandes, o futebol português está a subir à estratosfera. Equipas como o Manchester City e o PSG são a prova disso. A seleção nacional, no entanto, continua ancorada no cais de Cristiano. Está à espera da chuva de uma tempestade que já passou. Aos 40 anos, Cristiano está numa forma admirável para a liga saudita. Pode funcionar como um trunfo na segunda parte. Um verdadeiro espalha brasas, como se diz em Portugal, um agitador de emergência. Nada disso. Roberto Martinez utiliza-o como um instrumento estratégico. Portugal jogou com o seu antigo capitão no último Campeonato da Europa e as consequências foram eloquentes. A um ano do Campeonato do Mundo, a equipa ainda está num ciclo de nostalgia. Contra a Alemanha, a operação repetiu-se".
Não sou que o digo, é o jornalista Diego Torres, do jornal espanhol El País, no rescaldo da meias-finais da Taça das Nações contra a Alemanha.
Com este selecionador não será fácil, mas Força Portugal!

