Dos filmes que adoramos - Sirāt, de Oliver Laxe

Logo no início do filme explicam-nos que Sirāt é uma linha que separa o paraíso do inferno, uma linha tão fina quanto um fio de cabelo e tão afiada como uma lâmina, ou, por outras palavras, é aquilo que temos de atravessar para alcançar o céu, e neste Sirāt não sei se as personagens alcançam o paraíso, mas pisam várias vezes no fogo do inferno.
Um pai e um filho vão a uma rave party no deserto de Marrocos à procura da filha/irmã, e começam uma viagem arriscada com um grupo de nómadas que acabaram de conhecer, sempre com a batida psicadélica da trance music como fundo.
Sirāt é um trance road movie, seja lá for o que isto queira dizer, mas é também um filme sobre a aleatoriedade da morte, sobre as fronteiras políticas ou sobre os laços improváveis que as pessoas criam entre si.
Um filme é uma sequência de imagens e de sons projetada numa tela, apenas isso já é mágico, o deleite de vermos essas imagens animadas, mas através dos filmes conquistamos muitas coisas, conhecemos o mundo, outras culturas, outras formas de viver, aprendemos a ser mais tolerantes com a diferença e a aceitar aquilo que nos é estranho, e, no final da sessão, senti-me mais próximo destes nómadas que vivem à margem da sociedade à procura da rave seguinte.
Sirāt, do realizado galego Oliver Laxe, Prémio do Júri em Cannes 2025, em que quase todos os atores são não profissionais, é uma experiência cinematográfica diferente de tudo o que já vi e onde dei alguns valentes saltos da cadeira como há muito não dava, um dos melhores filmes do ano.
