Dos filmes que amamos - A Vida Entre Nós, de Stéphane Brizé

Assim que descobri quem eram os protagonistas do novo filme de Stéphane Brizé, consagrado realizador francês mais habituado a filmes de causas ditas sociais, soube logo que não podia perder este A Vida Entre Nós (Hors-Saison, no original) – o francês Guillaume Canet, que realizou um dos filmes da minha vida, e protagonizou outro, e a italiana Alba Rohrwacher, desde 2009 no topo das minhas atrizes favoritas, simplesmente maravilhosa em tudo o que faz.
A viver uma depressão e com uma crise existencial de meia-idade, o famoso ator cinquentenário Canet foge para uma pequena vila balnear na Bretanha, Quiberon, e por casualidade reencontra um velho amor, Rohrwacher, que abandonou 15 anos antes, e nesses 15 anos a vida continuou, as memórias apagaram-se, as feridas sararam, mas o desgosto de um grande amor deixa sempre uma cicatriz qualquer.
Hors-Saison é sobre as consequências das ações que tomamos ou deixamos de tomar, mas também daquelas que tomam por nós, é a história de um amor que não se vai mas que não encaixa na vida que avançou, vida que pode não ser perfeita em tudo mas da qual não podemos escapar, Hors-Saison é de uma tremenda melancolia romântica, sem possibilidade de um final feliz mas em que ambas as personagens aceitam a separação de forma mais redentora do que sofrida.
É um filme de silêncios, que observa, contempla, sorri, que respira devagar, ou muito me engano ou a maioria das pessoas deve achar que é aborrecido de morte, mas felizmente devo tê-lo visto no dia certo, para mim a melancolia de Hors-Saison é um dos melhores filmes do ano.
