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BURRO VELHO

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27
Jan24

Dos espetáculos de que eu gosto - À Procura de Chaplin

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Durante aproximadamente uma hora ri-me a bom rir, as lágrimas escorreram de tanto rir, que é o mesmo que dizer que para mim À PROCURA DE CHAPLIN foi espetacular.

A encenadora Rita Calçada Bastos procura mostrar-nos o risível da vida, a sua brevidade e estupidez e que é sempre preferível o sorriso, a procura do seu lado solar, a urgência que lhe devemos imprimir, a sua constante procura, sempre a procura, e num divertidíssimo universo clown, que não é o mesmo que apalhaçado, vamos atrás de um mundo de Chaplin que encontra sempre a comédia na tragédia, com a sua imagética dos movimentos espelhados e miméticos, o chapéu, o balde, a vassoura, leva-nos atrás do sonho, sempre o sonho, e o riso, sempre o riso, a gargalhada.

Num espetáculo sem texto ou palavras, apenas umas algavariadas que mal se percebem, Carla Maciel brilha com o brilho das grandes estrelas que é o seu, mas Luciano Amarelo, c’os diabos, um clown que nos leva a todo o lado, uma expressividade, um magnetismo, uma sensibilidade à flor da pele, e, sobretudo, uma facilidade enorme em despertar sorrisos.

Belíssimo espetáculo, ainda em cena no Teatro São Luiz, Lisboa.

 

18
Dez23

Dos espetáculos de que eu gosto - Bravo 2023

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Bravo 2023 é uma revista ‘fina’, do Teatro Praga, que passa em revista todo o ano de 2023 e não deixa para trás nada daquilo que caracteriza a Revista à Portuguesa, as canções, os corpos, a sátira, o protesto, a brejeirice, a piada fácil, a música, o momento sério, as mensagens que nos querem passar, e se durante as três horas de duração há um outro momento menos bem conseguido, e noutros não consegui perceber literalmente o que diziam (cuidado com o som e/ou dicção), tivemos imensos momentos hilários e certeiros, se ouvimos Marcelo dizer we are fado and we are very machistas, o sabão Bravo num país de tachos e paneleiros ou a Lisboa desertificada na Lisboa pimbalina, fomos às lágrimas de tanto rir com a rábula do rabo de peixona (a propósito da série Rabo de Peixe), tudo isto num texto mordaz que perpassa as desgraças do ano sempre com a ironia e o disparate próprios de uma Revista.

Bom espetáculo encenado pela companhia de teatro Praga, com um conjunto de bons e diversos atores como a excelente Cláudia Jardim, que nos fizeram rir, cantar e bater palmas, e que bom que foi poder bater muitas palmas à rainha da Revista à Portuguesa, Marina Mota – sempre adorei a Marina, a graça, o tempo da piada, a elegância na brejeirice, a voz com que canta maravilhosamente, a atriz muito para além de qualquer rótulo, uma rainha no Palco e que bom que foi ter-lhe batido muitas palmas.

Em cena do São Luiz.

 

03
Nov23

Das peças de teatro de que eu gosto - Um Homem Inofensivo

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‘Um Homem Inofensivo’ é sobre um encontro fortuito e ambiguamente mal explicado entre dois homens que são o seu oposto, um gosta do silêncio e vive com o peso de um trauma, o outro gosta de música, é desencantado, vive bem com as suas falhas, é invejoso e vingativo, e tem sempre um revólver consigo, é uma peça sobre dois homens que se encontram na solidão urbana, a da vida apressada das cidades, e sobre a tensão que entre eles se cria, tensão que por vezes se transforma em atração e logo a seguir em tensão outra vez, sobre dois homens sós que conseguem encontrar empatia nas suas diferenças.

Quando vemos uma peça não temos de perceber tudo, não precisamos que nos expliquem tudo, basta fruir o momento como aquele que no final vemos Renato a dançar sozinho ao som de David Bowie no seu apartamento, sem sabermos o que lhe vai acontecer a seguir, e neste texto somos deixados na dúvida permanentemente, mais do que naquilo que é dito encontramos estranheza naquilo que não nos é dito, no que temos de intuir, no que pode acontecer a qualquer momento quando duas pessoas sozinhas se encontram inesperadamente, quando duas pessoas se conseguem aproximar entre si quando aparentemente tudo as separa.

O texto foi escrito por Luís António Coelho, vencedor do Grande Prémio do Teatro Português, encenado por Álvaro Correia e interpretado por dois excelentes atores que eu nunca tinha visto trabalhar, Filipe Vargas e Renato Godinho.

Em cena no Teatro Aberto.

 

07
Jul23

Dos espetáculos de que gosto - O Filho

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O dramaturgo francês Florian Zeller escreveu para teatro ‘O Pai’ e ‘O filho’, tendo inclusive realizado as duas adaptações ao cinema, onde foi mais bem-sucedido com a história dentro da cabeça do pai com alzheimer, com Anthony Hopkins a ganhar muito merecidamente o óscar para melhor ator e Olivia Colman a brilhar lá nas alturas.

Temos agora ‘O filho’ em cena no Teatro Aberto, com uma encenação de João Lourenço muito próxima às sequências de um filme e com a ajuda de pequenos vídeos de 40 segundos em grandes écrans que vão pautando as mudanças de cenários, o que a par dos jogos de luz me pareceu muito bem conseguido, com um grupo de atores que, na minha opinião, merece apenas uma nota boa mas sem distinção (sou mega fã da Cleia Almeida que não estando de todo mal achei-a um pouco morna, gostei imenso do filho Rui Pedro Silva, a Sara Matos começou a irritar-me mas depois safou-se bem, o psiquiatra Paulo Oom muito credível e, Paulo Pires? Tem um cabelo que nos mata de inveja e não chega a ser um grande canastrão, mas que pena este pai não ter sido feito por um ator de mão cheia como um Ivo Canelas).

Mas se a nota técnica não foi brilhante, a nota artística conseguiu um 10 com a tareia emocional que todos nós levámos – não me recordo de chorar numa sala de teatro mas já de pé nas palmas finais, as lágrimas ainda me corriam, o sofrimento e a angústia que sentimos foi algo muito vivido, muito intenso, quase que nos apetecia gritar àqueles pais tudo aquilo que nós já estávamos a ver e eles ainda não, as pontes, comparações, saudades e arrependimentos são inevitáveis.

É a história da depressão de um adolescente após a separação dos pais, em que apesar de serem apanhados desprevenidos e de cometerem erros, os adultos tudo fazem para salvar o filho, mas às vezes nem todo o amor do mundo é suficiente, às vezes a vida é pesada demais.

Em cartaz pelo menos até ao final do mês.

 

30
Abr23

Dos espetáculos de que gosto - A peça para dois atores

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Peça de Tennessee Williams encenada por Diogo Infante, com um teatro dentro de um teatro, amarrada na prisão da saúde mental e que nos deixa perdidos entre o real e o irreal.

O Miguel Guilherme é um excelente ator, mas os meus olhos não largaram a Luísa Cruz por um segundo, gigante, e as lágrimas que derramou na ovação final estarão certamente relacionadas com a densidade emocional que nos conseguiram passar, muito bom.

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